Às vésperas da eleição municipal, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) de São Vicente enfrenta um problema interno. Justificando divergências com o tesoureiro Jair Lopes Filho, o presidente da Comissão Provisória que comanda a sigla na cidade, Miguel Pasquarelli Filho, renunciou ao cargo no último dia 30 de junho. Em documento protocolado na segunda-feira (04), na direção estadual, ele pede investigação contra o colega e relata falta de transparência na prestação de contas.
“Desde o final do ano estou apertando sobre a prestação de contas e ele sempre dizendo que falou com ciclano e beltrano e nada de entregar. Fez a prestação de contas à moda dele e entregou no cartório e nem vi. Quando fiquei sabendo ele já estava lá. Apenas presenciei. Não assinei. Como vou assinar algo que não estou ciente? Preciso estar respaldado. Não é nada pessoal”, afirmou Pasquarelli.
Segundo o ex-presidente, o tesoureiro da comissão provisória, Jair Lopes, não apresentou extratos bancários e informações referentes às movimentações financeiras. Em e-mail anexo ao documento em que comunica ao diretório estadual a saída do cargo, Pasquarelli relata que ‘em visita à Receita Federal foram constatadas inúmeras irregularidades fiscais a serem sanadas e que as mesmas foram repassadas ao colega que nunca lhe deu resposta’.
“Comuniquei a estadual sobre os problemas e, inclusive, pedi para que eles enviassem alguém que pudesse ajudar o rapaz (Jair) a fazer o papel dele. Está tudo relatado nos documentos anexados a minha comunicação de afastamento”, afirmou o ex-presidente, que disse não ter tido retorno da Executiva paulista. Segundo ele, ‘a situação compromete a integridade do PSDB vicentino, que corre o risco de ser penalizado pela Justiça Eleitoral por problemas na prestação de contas’.
Fantasma
Pasquarelli também relata no documento que chegou ao seu conhecimento denúncia protocolada no Ministério Público envolvendo o tesoureiro, que ocuparia ‘cargo fantasma’ na Câmara Municipal de Santos. Nela, o denunciante relata que Jair Lopes se apresenta como assessor do deputado estadual Bruno Covas, mas está nomeado como assessor parlamentar do vereador Marcelo Del Bosco (PPS).
“Considerando que o senhor tesoureiro tem presença constante nas atividades partidárias em São Vicente, inclusive em minha companhia, quando também se identifica como assessor direto do deputado federal Bruno Covas (PSDB-SP), pode-se facilmente comprovar a impossibilidade física de sua presença em um gabinete da Câmara Municipal de Santos, o que indica tornar-se um escândalo muito em breve”, alertou Pasquarelli ao Diretório Estadual.
O ex-presidente destacou o trabalho que desenvolveu nos últimos meses frente à Comissão Provisória: “Já fiz a minha parte. Não sou cara de fazer acordo ou conchavo. Partido é partido. Tenho uma história. Fui nomeado para uma tarefa e hoje o partido tem uma chapa excelente. Tenho condições de fazer uma boa bancada. Vamos ver o que vai acontecer daqui para a frente”.
Procurado para se manifestar sobre as acusações, Jair Lopes Filho não quis se pronunciar sobre o assunto. Já o Diretório Estadual do PSDB-SP disse, por meio de nota, que foi informado do pedido de afastamento de seu presidente no dia 04 de julho e “irá apurar cuidadosamente todas as informações nele prestadas”. Destacou também que o afastamento do presidente da Comissão Provisória não prejudica os trabalhos da mesma, que terá um novo presidente indicado o mais brevemente possível.
Del Bosco nega ter ‘funcionário fantasma’
O Diário do Litoral procurou o vereador Marcelo Del Bosco (PPS) para falar sobre o suposto ‘funcionário fantasma’ citado no documento apresentado pelo ex-presidente do PSDB vicentino. O parlamentar afirmou que Jair Lopes é seu assessor e que ele cumpre regularmente a sua função. O Ministério Público pediu informações à Câmara de Santos sobre a denúncia.
“O Jair é funcionário do nosso gabinete e trabalha muito bem. Ele trabalha há mais de um ano comigo e está de férias no mês de julho. O promotor questionou a Câmara, que enviou toda a documentação necessária. O trabalho dele está comprovado. Vai em comissões, acompanha sessões, anda comigo em eventos, atende a comunidade”, afirmou Del Bosco.
A Reportagem também questionou o deputado Bruno Covas sobre a declaração de que o tesoureiro do PSDB vicentino afirma ser seu assessor. “Em relação a ter um assessor meu na comissão provisória, o único assessor meu é o Edson Brasil. Não existe, nunca ouvi falar na figura do assessor indireto, isso é uma invenção sob a qual não tenho nem como me manifestar. Porque ou é assessor nomeado na Câmara dos Deputados ou não é”, disse o parlamentar por meio de nota.
