Presidente da Dersa presta esclarecimentos sobre problemas nas travessias

Durante quase três horas, Milton Roberto Persoli falou aos vereadores guarujaenses sobre as medidas que vem sendo adotadas pela estatal

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23 MAI 2019Por Da Reportagem05h30
Travessia é alvo de reclamações quase que diariamente por parte de motoristasFoto: Nair Bueno/DL

Atendendo solicitação do vereador Pastor Sargento Marcos, o diretor-presidente da Dersa, Milton Roberto Persoli, veio à Câmara Municipal de Guarujá, na tarde desta quarta-feira (22), para prestar esclarecimentos sobre os problemas que vem ocorrendo nos sistemas de travessias operados pela estatal.

Participaram da reunião os vereadores Pastor Sargento Marcos, Edilson Dias, José Nilton Lima de Oliveira, Naldo Perequê, Raphael Vitiello, Luciano Tody, Manoel Franscico Nequinho e Wanderley Maduro.

Justificativas

Inicialmente, Persoli fez uma explanação sobre as ações que vem sendo realizadas pela Dersa a fim de minimizar os transtornos verificados, seja na travessia de pedestres, seja na travessia de carros.

Lembrou que assumiu a direção da estatal 'numa situação bastante difícil', em meio à temporada de verão, seguida do carnaval, quando movimento torna-se bastante acentuado, e tendo como desafio a necessidade urgente de manutenção de várias embarcações, bem como de licitar serviços de reparos preventivos e, ainda, de melhorar o trabalho corretivo, a partir da ampliação do expediente das equipes especializadas - o que exige ajustes operacionais e, sobretudo, contratuais.

"Tudo isso tem que ser feito mediante licitação, conforme exige a lei, e esses processos são demorados. Além disso, nem sempre o melhor preço, é o melhor serviço - o que também exige de nós um esforço ainda maior"

Ações imediatas

Ainda assim, segundo ele, uma série de ações foram adotadas. Entre os exemplos citados: a prestação de informações em tempo real, atualizadas e com mais câmeras disponíveis; criação de aplicativo específico com esta finalidade; a instalação de painéis eletrônicos nas principais vias de Guarujá e Santos, além da ampliação da jornada de trabalho das equipes de manutenção corretiva.

Ele também lembrou que, nos próximos 30 dias, três lanchas e duas balsas que passam por reparos voltarão a operar - o que deve diminuir o tempo de espera, tanto na travessia de pedestres, como na de veículos.

Desafios

Contudo, admitiu que ainda há muitos desafios a serem vencidos para que o sistema de fato se torne eficiente. Segundo Persoli, não há um trabalho de manutenção preventiva. O foco atualmente é apenas a manutenção corretiva. Ou seja, emergencial. "Não temos balsas reservas. Se tivéssemos, não haveria demora, que é a principal queixa dos usuários".

Outro problema que, segundo o presidente da Dersa, agrava o problema é o fluxo intenso de navios no porto. "Cada vez que passa um navio, isso atrasa, em média, seis minutos a travessia das balsas".

Além disso, ele destacou a necessidade de garantir segurança aos usuários. "É um trabalho que exige segurança, manobras complexas. Não é uma operação fácil, tendo em vista a enorme quantidade de pessoas que são transportadas".

O que falta

Para Milton Persoli, no caso específico da travessia de veículos, é preciso melhorar os acessos aos atracadouros. Ele revelou que a Dersa está disposta a ceder áreas de propriedade da estatal, que estão ociosas, para assegurar novos espaços e melhorar a entrada e saída de veículos. Para tanto, está propondo junto às prefeituras de Guarujá e Santos a formação de grupos de estudos para analisar a questão.

Dessa forma, segundo ele, será possível atender melhor os usuários preferenciais e, sobretudo, os emergenciais - da mesma forma que motociclistas e demais. "Em Santos já há um projeto em andamento. Estamos finalizando uma proposta". No caso de Guarujá, especificamente, ele defendeu a necessidade de um viário secundário, tendo em vista que a fila da balsa fica em meio a uma das principais vias locais.

Milton Persoli também destacou a necessidade de recuperação do patrimônio existente da estatal, que está sucateado, a exemplo do atracadouro de bicicletas, assim como da travessia de Vicente de Carvalho. "Falta condições para que haja um trabalho de recuperação, haja visto que não temos outros atracadores"

Lucros

Questionado se o sistema é lucrativo à Dersa, Milton Persoli disse que não. Segundo ele, o governo estadual gasta R$ 60 milhões/ano para cobrir os custos operacionais das travessias existentes. "Temos um custo social em outras travessias, especialmente no Litoral Sul, além de gratuidades, a exemplo do que ocorre com as bicicletas". Ainda assim, consentiu que, no caso específico da travessia Santos-Guarujá, há equilíbrio financeiro, tendo em vista a enorme quantidade de usuários.

Prizatização

O presidente da Dersa também defendeu a participação da iniciativa privada, como solução para melhoria do sistema. Dentre os principais argumentos, a eliminação da burocracia que é inerente ao Poder Público, mas não ao setor privado.

"O setor privado consegue fazer melhorias de forma mais imediata. Negocia preço, negocia prazos, valores. Pode importar embarcações, pode aportar dinheiro. Tem mais facilidades e menos entraves burocráticos. No caso do Poder Público, se é difícil licitar até um simples serviço de manutenção, imagine importar uma embarcação?", chamou atenção.

Audiência Pública

Ao final do encontro, ficou acertado que o presidente da Dersa retornará à Câmara de Guarujá, provavelmente em junho, para participar de audiência pública, aberta à toda população. Informaremos aqui, de forma antecipada, a data e horário do encontro.

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