Presidente colombiano ordena retomada de bombardeios às Farc

O presidente disse que o governo condena o ato violento no qual foram perdidas as vidas de nove soldados e um suboficial, além de deixar outros membros da Força Pública do país feridos

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15 ABR 201519h39

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, determinou ontem (15) a retomada dos bombardeios contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), após um ataque atribuído à organização ter matado dez militares e deixado 17 feridos em Cauca, Oeste do país, na madrugada de hoje (15).

“Ordenei às Forças Armadas retirar a ordem de suspensão de bombardeios aos acampamentos das Farc, até nova ordem”, afirmou Santos em discurso na Escola Militar de Aviação de Cali, capital de Cauca, de acordo com informação no site do governo colombiano.

O presidente disse que o governo condena o ato violento no qual foram perdidas as vidas de nove soldados e um suboficial, além de deixar outros membros da Força Pública do país feridos. “Este é um acontecimento condenável, que não ficará impune, e que exige medidas contundentes, e terá consequências”, afirmou.

Santos disse ainda que o ataque “deliberado”, por parte da guerrilha, implica um “claro rompimento da promessa de um cessar fogo unilateral”. Em 20 de dezembro de 2014, as Farc anunciaram um cessar-fogo unilateral, que levou o presidente colombiano a determinar, em 11 de março, a suspensão dos bombardeios aos acampamentos da guerrilha.

Juan Manuel Santos ordenou a retomada de bombardeios às Farc (Foto: Divulgação)

O conflito envolvendo as Farc na Colômbia dura mais de 50 anos, sendo um dos mais duradouros da América Latina. Estima-se que desde a década de 1960, quando teve início, cerca de 220 mil pessoas tenham perdido suas vidas no conflito e 3 milhões tenham sido forçadas a deixar suas casas para fugir da guerra interna.

Negociações de paz entre o governo colombiano e as Farc vêm sendo feitas há dois anos, em território cubano, com mediação do governo de Cuba. Outros incidentes violentos, no entanto, já interromperam as negociações por um período. O último atrito aconteceu em novembro, quando o presidente Santos anunciou a suspensão do clico de negociações devido ao sequestro de um general do Exército e mais duas pessoas.