Presas de São Vicente e Santos enfrentam condições precárias e superlotação nas cadeias

Segundo a presidente da comissão, vereadora Mara Valéria (PT), o intuito da visita é sensibilizar o Governo do Estado afim de sanar os problemas nas cadeias

Comentar
Compartilhar
14 MAR 201321h56

Superlotação, condições precárias e até falta d’água. Assim vivem as detentas das cadeias femininas de São Vicente e Santos. Para alertar sobre a situação, uma comissão formada por vereadores de São Vicente e pelos deputados estaduais petistas Maria Lúcia Prandi e Fausto Figueira, visitou as unidades carcerárias, na manhã de ontem, em virtude do Dia Internacional da Mulher.

A cadeia feminina de São Vicente, anexa ao 2º Distrito Policial, na Cidade Náutica, tem capacidade para 24 presas, mas abriga 89, sendo 25 condenadas que já deveriam ter sido transferidas para instituições prisionais e 64 provisórias, aguardando julgamento.

Segundo a presidente da comissão, vereadora Mara Valéria (PT), o intuito da visita é sensibilizar o Governo do Estado afim de sanar os problemas nas cadeias. Estamos vendo aí falta de qualidade de vida. Culpadas ou inocentes, as pessoas precisam conviver em condições humanas,” alerta a vereadora.

“Têm 30 mulheres numa cela, dormimos no chão e não temos assistência de uma assistente social”, reclamou a presa Helena. Outra detenta, Bárbara Bortolazzi, reclusa por assalto há um mês, relatou outro drama “Tem muita gente esperando reposta da Justiça”, disse ela, que aguarda ainda por sua primeira audiência”.

Prandi, além das irregularidades e da superlotação, fez outra constatação entre a população carcerária feminina. “O mais triste é o número grande de jovens!”, observou a deputada. 

“Vamos cobrar do secretário(de Estado de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa), o compromisso que tinha assumido de desativar a cadeia feminina de São Vicente até dezembro”, declarou Figueira. A unidade foi adotada como solução paliativa para abrigar as detentas e não permanente.

Na cadeia feminina de Santos, anexa ao 2º Distrito Policial, no Jabaquara, a situação não é diferente. ”A Prefeitura de Santos está viabilizando uma área, na Área Continental, para a construção de um CDP, uma cadeia feminina e uma Febem, para menores infratores. Isso deve resolver parte do problema”, afirmou o deputado. O Centro de Detenção Provisória deverá ser construído no Sítio das Neves, na Área Continental. 

O delegado e diretor da cadeia feminina de São Vicente, Marcos Alexandre Alfino, reconhece a superlotação na unidade, mas afirmou que tenta amenizar a situação. “Temos um trabalho de infra-estrutura que visa amenizar o problema e dar condição de vida melhor para as presas”.

O delegado e diretor da unidade de Santos, Luiz Eduardo Lino de Souza, também não omite o estado em que se encontra o imóvel. ”É um prédio antigo. Tem problemas estruturais e nas instalações elétrica e hidráulica”, elencou Souza. Diante das condições que enfrenta na cadeia santista, a presa Célia Braz, desabafou: “Gente não faça a coisa errada porque a vida na cadeia é cruel”.

Drama

Em São Vicente, há 89 presas na cadeia que tem capacidade para 24; em Santos, 147 se amontoam onde cabem 60.