Premiê israelense volta atrás a respeito de criação de Estado palestinos

Em entrevista à emissora de televisão MSNBC nesta quinta-feira, ele disse que permanece comprometido com a criação do Estado palestino se as condições na região melhorarem

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19 MAR 201515h27

Apenas dois dias após vencer a eleição em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu parece ter voltado atrás da declaração que fez no dia do pleito, quando afirmou que enquanto estivesse no poder o Estado palestino não seria criado.

Em entrevista à emissora de televisão MSNBC nesta quinta-feira, ele disse que permanece comprometido com a criação do Estado palestino se as condições na região melhorarem. "Eu não mudei minha política", afirmou ele.

À Fox News, ele afirmou que acredita que o Estado palestino pode existir se for desmilitarizado e reconhecer Israel como Estado judeu. Mas afirmou que não poderia apoiar tal Estado atualmente por causa da ameaça de que o Estado Islâmico e outros grupos militantes apoiados pelo Irã possam conquistar o território.

Nos últimos dias da campanha, Netanyahu disse que não concordaria com o estabelecimento de um Estado palestino no clima atual das circunstâncias, afirmação que atraiu fortes críticas de Washington. A solução de dois Estados é um importante objetivo da política externa norte-americana.

Netanyahu disse acreditar que Israel não pode devolver terras tomadas dos palestinos porque elas serão retomadas por extremistas islâmicos, mas disse que pode apoiar a independência palestinas se as circunstâncias forem alteradas.

Autoridade Palestina

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse estar "extremamente preocupado" com o resultado da eleição israelense e acredita que a solução de dois Estados já não é possível sob o governo de Netanyahu.

As declarações, divulgadas pelo gabinete do presidente nesta quinta-feira, são as primeiras de Abbas desde que Netanyahu venceu o pleito, dois dias atrás. Antes do fechamento das urnas, o premiê prometeu que o Estado palestino não seria estabelecido enquanto ele estiver no poder.

"Se o que Netanyahu disse é verdade, então todo o projeto da solução de dois Estados torna-se inviável, impossível", disse Abbas. "Estamos extremamente preocupados com o resultado da eleição israelense."

Apesar disso, Abbas disse que continuará a trabalhar com o governo israelense.

Na quarta-feira, a Casa Branca disse que iria "reavaliar" sua política de paz para o Oriente Médio após a reeleição de Netanyahu.

Cooperação na área de segurança pode estar ameaçada

O negociador-chefe palestino Saeb Erekat afirmou que a cooperação na área de segurança com Isael pode ser encerrada. O objetivo do acordo é conter a violência e é uma das últimas áreas de cooperação remanescente entre os dois lados, após anos de esforços de paz fracassados. As recentes declarações de Netanyahu sobre a criação do Estado palestino só pioraram as coisas.

Erekat disse aos jornalistas nesta quinta-feira que os palestinos já estão trabalhando em planos para interromper a cooperação na área de segurança. Ele recusou-se, porém, a dizer quando a medida será tomada. "Eu posso garantir que algo irá acontecer", afirmou ele.