Cotidiano

Preferir a própria companhia não é antissocial e tem explicação na ciência

Estudos indicam que pessoas que valorizam a solitude preservam energia mental, cultivam relações mais profundas e não estão 'quebradas'

Giovanna Camiotto

Publicado em 01/03/2026 às 23:32

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Pessoas que apreciam a solitude conseguem reconhecer melhor suas próprias emoções / Pexels

Continua depois da publicidade

Em um encontro de bairro, enquanto alguém detalhava a reforma da cozinha, dos armários à cor do rejunte, veio a sensação conhecida: um aperto no peito, não exatamente ansiedade, mas algo próximo à frustração pelo tempo que parecia escorrer em conversas vazias. A saída discreta antes do fim trouxe alívio imediato.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Por anos, muita gente se sente culpada por experiências assim. A ideia de que há algo errado em preferir silêncio a conversas sobre clima ou planos de fim de semana é comum. No entanto, pesquisas recentes em psicologia apontam que o desejo por solitude não é falha de caráter nem sinal de antissocialidade.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Você deixa roupas empilhadas na cadeira? Isso pode revelar sobre sua mente, segundo a psicologia

• 'Tragédias familiares raramente são surtos': o que a psicologia diz sobre crimes como o de Itumbiara

• Casa cheia de plantas? A psicologia explica o que isso diz sobre você

Cérebro reage de forma diferente

Estudos indicam que introvertidos e pessoas altamente sensíveis processam interações sociais de maneira distinta. Em situações sociais, apresentam maior ativação no córtex pré-frontal, atingindo mais rápido o limite de estímulos. O que energiza alguns pode esgotar outros.

Levantamentos da Universidade de Maryland mostram que indivíduos que apreciam a solitude tendem a registrar índices mais altos de criatividade e autoconsciência. Eles não evitam conexão, preservam energia mental para o que consideram essencial.

Continua depois da publicidade

Menos relações, mais profundidade

Quem valoriza momentos a sós costuma manter círculos sociais menores, porém mais profundos. A prioridade deixa de ser quantidade de contatos e passa a ser qualidade das relações.

Pesquisas da Universidade de Oxford sugerem que uma pessoa consegue manter, em média, cerca de cinco vínculos realmente próximos ao mesmo tempo. Acima disso, a qualidade tende a cair. Para quem prefere a solitude, essa limitação é intuitiva.

Preferência por solitude pode estar ligada ao funcionamento neurológico /Pexels
Preferência por solitude pode estar ligada ao funcionamento neurológico /Pexels
Introvertidos tendem a atingir mais rápido o limite de estímulos sociais /Pexels
Introvertidos tendem a atingir mais rápido o limite de estímulos sociais /Pexels
Estudos associam momentos a sós a maior criatividade e autoconsciência /Pexels
Estudos associam momentos a sós a maior criatividade e autoconsciência /Pexels
Manter poucos vínculos próximos pode favorecer relações mais profundas /Pexels
Manter poucos vínculos próximos pode favorecer relações mais profundas /Pexels
Estabelecer limites sociais é apontado como estratégia de equilíbrio emocional /Pexels
Estabelecer limites sociais é apontado como estratégia de equilíbrio emocional /Pexels

O desgaste de “atuar” socialmente

Há uma expectativa social de entusiasmo constante: cumprimentos animados, interesse por atualizações banais e habilidade para sustentar conversas superficiais. Sustentar esse desempenho pode ser exaustivo.

Continua depois da publicidade

Sorrisos forçados e risadas automáticas consomem energia. Com o tempo, muitos percebem que o custo de manter a performance social supera os benefícios.

Limites sem culpa

Especialistas defendem que estabelecer limites sociais não é egoísmo. Sair de um evento quando se sentir esgotado, recusar convites sem justificativas elaboradas ou fazer pausas durante encontros são estratégias legítimas de autocuidado.

Projetar a rotina para respeitar essa necessidade também faz diferença, seja buscando ambientes de trabalho mais silenciosos, seja reservando horários de tranquilidade ao longo do dia.

Continua depois da publicidade

Aceitação traz liberdade

Quando a necessidade de solitude deixa de ser vista como defeito, a culpa diminui. Isso não significa abandonar vínculos, mas redefinir a forma de se conectar: encontros individuais em vez de grandes grupos, conversas profundas no lugar de interações casuais.

A ciência reforça que cérebros funcionam de maneiras distintas. Respeitar essa diversidade é parte do equilíbrio emocional.

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software