Prefeitura derruba casas e revolta famílias da Vila Luciano de Castro, em Santos

Aguardando uma definição da Prefeitura, ação desta quarta-feira praticamente 'enterrou' o sonho de dias melhores

Instalada há praticamente 30 anos ao lado esquerdo do Cemitério da Filosofia, no Saboó, em Santos, a Vila Luciano de Castro teve as últimas edificações colocadas abaixo ontem pela Prefeitura de Santos, causando revolta e um clamor de Justiça nas mais de 30 famílias que lá habitavam até um ano atrás. Hoje, elas lutam por indenização e nova moradia digna.

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Elas estão desde o ano passado brigando para garantir a permanência do auxílio aluguel de R$ 600,00 (metade pago pela Prefeitura e a outra pelo Estado); que a Administração reconheça o direito de posse, pois alegam que compraram os imóveis de uma pessoa (boa parte possui registro imobiliário); um valor justo pela desapropriação e, por fim, que a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) garanta moradia em Santos e sem custos de aquisição de
imóvel.

“Os imóveis eram nossos e receberam uma série de benfeitorias. Não é justo recebermos indenização pelo valor venal, pois não daria para adquirir outro. Queremos que o auxílio aluguel seja mantido até que estejamos em outro imóvel nosso e que a CDHU defina logo essa situação”, afirma a ex-moradora Nanci Batista Sales dos Santos, que morava na Vila desde 1999 e é uma das lideranças do movimento pelos direitos da comunidade.

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SITUAÇÃO

A situação remonta a 3 de março do ano passado, quando, por conta de um deslizamento de terra, três casas foram atingidas, obrigando a Defesa Civil a interditar a área e retirar as cerca de 36 famílias da casas remanescentes da então travessa Luciano de Castro, que até hoje aguardam uma definição da Prefeitura de Santos e do Governo do Estado de São Paulo.

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Num relatório de 15 de junho do ano passado, obtido pela Reportagem, a Defesa Civil revelou “risco intolerável à vida”, recomendando a interdição imediata dos imóveis, agora, derrubados. No mesmo relatório, a Defesa Civil recomendou que a Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS) elaborasse um “completo e atualizado” relatório de vulnerabilidade social das famílias cujas casas foram interditadas, de modo a apoiá-las e orientá-las.

No entanto, segundo os moradores, o apoio e orientação nunca ocorreram em sua totalidade e com a eficiência e urgência que a situação merecia. Por outro lado, o houve bastante eficiência para atender outros itens do relatório, como, por exemplo, à supressão das ligações de água e energia elétrica, visando dificultar novas ocupações.

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Os ex-moradores garantem que compraram os lotes, que possuem documentos que comprovam suas legitimidades, e que o Município reconhece não haver irregularidade, pois cobra Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e as taxas respectivas, como a de limpeza urbana (recolhimento de lixo). “Que, por sinal, dificilmente era recolhido com a periodicidade que ocorre nos outros pontos e bairros da Cidade”, revelou um morador.

Além disso, as famílias alegam que a atitude da Administração seria insensível por conta da pandemia e a insegurança econômica que o Brasil atravessa pois, mesmo não morando no local, fica a sensação de perda e instabilidade futura.

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Thiego dos Santos Mota, a esposa Shirlenne Assis da Silva e três filhos, um com apenas seis anos, na Vila. “Meu avô comprou um lote em 1985. Meus pais moraram lá e eu e minha família fomos os últimos que moramos, até o dia dos deslizamentos. A Prefeitura interditou todas as casas da Vila. Fizemos um pré-cadastro na CDHU e recebemos auxílio moradia, que quero continuar recebendo até ter minha casa definitiva. Isso tudo documentado para segurança nossa”, confirma.

Tatiane Mariano Lima Silva é neta da moradora mais velha da Vila e nasceu no local. Ela conta que sua habitação não foi atingida ano passado. Abalada com a demolição, ela afirma que ligou para a Defesa Civil e só obteve um áudio (encaminhado à Reportagem), dando conta que o auxílio aluguel foi renovado até março do ano que vem e que, a partir da data, não sabe o que poderia acontecer. “Com a casa demolida, estamos nas mãos deles (Prefeitura). Podemos ficar sem auxílio e sem moradia
futuramente”.

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PREFEITURA

A Prefeitura de Santos argumenta que o local, no sopé do morro Saboó, é ocupado com construções irregulares, que foram interditadas por estarem em área de risco e os moradores integram o grupo de 470 famílias vítimas dos deslizamentos ocorridos em março de 2020, nos morros de Santos, que estão recebendo auxílio moradia emergencial.

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As famílias dessas áreas estão no planejamento da Política Habitacional do Município. Um exemplo de atendimento específico para essa demanda de áreas de risco dos morros é o Conjunto Habitacional Santos “R” (Nova Cintra), que atendeu 128 famílias e atenderá outras 198, em 2022.

Finalizando, a Administração santista alega que a obra é da CDHU e o Plano de Governo de 2021/2024 prevê a construção de três mil unidades habitacionais para a diminuição do déficit habitacional do Município.