Prefeitura de Santos é cobrada por verba federal

Relatório do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas questiona repasse de R$ 919 mil de programa do Governo

O Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (COMAD) está cobrando da Prefeitura de Santos R$ 919 mil recebidos para o Programa “Crack é possível vencer” não utilizados pela Secretaria de Saúde do Município. A cobrança está registrada no relatório de gestão 2020, datado em 10 de fevereiro último, assinado pela Diretoria Executiva do órgão.

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Lançado em dezembro de 2011, no governo da presidente Dilma Rousseff, o programa “Crack, é possível vencer” é um conjunto de ações do Governo Federal para enfrentar o crack e outras drogas.

Com investimento de R$ 4 bilhões e articulação com os estados, Distrito Federal e municípios, além da participação da sociedade civil, a iniciativa tem o objetivo de aumentar a oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários drogas, enfrentar o tráfico e as organizações criminosas e ampliar atividades de prevenção.

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Segundo relatório do COMAD, obtido pela reportagem, em junho do ano passado, foi solicitado via ofício ao secretário de Saúde, Fábio Ferraz, acesso aos processos que demonstrariam a tramitação dos recursos federais – R$ 754 mil em 2011; R$ 75 mil em 2014 e R$ 90 mil em 2016. Mas o ofício não foi respondido.

O Conselho também pediu informações sobre taxas de mortalidade das pessoas em situação de rua e desvio de função de prédio construído com recursos carimbados, entre outras. Mas elas nunca chegaram ao órgão fiscalizador.

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Comad

O COMAD é formado por representantes dos poderes Públicos Municipal, Estadual e Federal, além da sociedade civil. Tem como atribuição orientar a política local de educação, prevenção, repressão e pesquisa relativa ao uso indevido de substâncias entorpecentes e drogas que possam causar dependência física ou psíquica.

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Também exigir do poder público o cadastramento, fiscalização, supervisão e avaliação dos serviços prestados pelas organizações privadas, com ou sem fins lucrativos, de prevenção e recuperação de dependentes de substâncias entorpecentes e drogas.

Equipamentos

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Os recursos cobrados pelo COMAD poderiam, por exemplo, ser utilizados para melhorar o dia a dia de usuários e funcionários do imóvel precário que abriga o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas II (CAPS AD II), na Rua Silva Jardim, no bairro da Vila Mathias.

O equipamento funciona há nove anos de forma provisória. A Direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv), em recente visita, reforçou que a Vigilância Sanitária fechou a farmácia e enfermaria. O CAPS não funciona 24 horas e aparelhos de ar-condicionado nunca foram instalados.

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Desde de novembro, os 25 técnicos e os cerca de 50 usuários/dia que frequentam o prédio vivem situações inusitadas. Ontem, a Direção do Sindicato informou que nada mudou. O prédio, há meses em obras, será entregue ao proprietário em julho, quando o equipamento será transferido para um imóvel dentro da Assistência São Vicente de Paulo, na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 311 – Macuco.

Prefeitura

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A Secretaria de Saúde de Santos informa que os recursos repassados pelo governo federal nos anos de 2011, 2014 e 2016 foram utilizados para custeio e estruturação dos serviços do Consultório na Rua e rede de Saúde Mental, incluindo compra de mobiliários, equipamentos e materiais, capacitações e adequações de unidades.

As prestações de contas dos referidos anos foram aprovadas no Conselho Municipal de Saúde, órgão responsável pela fiscalização e gestão do Fundo Municipal de Saúde, além do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), sistemas de auditoria do SUS e outros órgãos de fiscalização e controle.