Prefeito Paulo Alexandre Barbosa sofre ação por verde de campanha na Cidade

Segundo autor da ação popular, o advogado Nobel Soares, até o brasão de Santos – que possui as cores amarela, vermelha e cinza – teria ficado totalmente verde em vídeos institucionais

O advogado Nobel Soares de Oliveira ­ingressou com uma ação popular com pedido de liminar (decisão antecipada e provisória), na ordem de R$ 100 milhões, contra o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) pelo uso da cor verde (utilizada na campanha de 2012) em publicidade institucional da Prefeitura, atingindo ainda o brasão do município e uniformes dos funcionários públicos. Soares salienta que a mudança começou já em 2013 – primeiro ano de mandato do tucano. A ação está na 3ª Vara da Fazenda Pública de Santos, aos cuidados da juíza Ariana Degregório ­Gerônimo.

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“O brasão é policromático, destacando-se as cores vermelha e amarela, não comportando (por lei) sua adulteração para uma única cor (verde), coincidentemente empregada com exclusividade na campanha eleitoral de 2012”, afirma o advogado na peça jurídica. Ele cita a lei municipal 2.134/03, que ­disciplina o símbolo ­santista. “A publicidade institucional da ­Prefeitura, veiculada em canais de televisão ­locais e em horário nobre, reproduz com ­fidelidade a adulteração de cores do brasão da cidade que, por determinação do prefeito, tornou-se verde”, completa Nobel.

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A ação – repleta de imagens de peças e fotos de campanha; capas do Diário Oficial; home do site da Prefeitura; adesivos de táxis, ônibus; placas de obras; prédios inaugurados; propaganda de televisão e em jornais, entre outros exemplos – pede liminarmente à Justiça que Paulo Alexandre não só suspenda a veiculação das propagandas na cor verde, como proíba sua utilização na próxima campanha eleitoral, “evitando que ele se beneficie ilicitamente do ato de improbidade praticado” e ainda devolva tudo o que foi gasto até hoje com a iniciativa.

Nobel Soares vai mais além. Pede à Justiça que Paulo Alexandre devolva os quase R$ 44 milhões gastos com a empresa de publicidade; repinte os bens públicos móveis e imóveis (exemplo: unidades de saúde e Arena Santos); substitua a cor verde do Diário Oficial; do site da Prefeitura; do uniforme dos trabalhadores do município e, ainda, lixeiras, placas e outros equipamentos públicos, como o prédio do Hospital dos Estivadores, em que a cor verde está até no piso.

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Ata Notarial. Prevenindo a ocorrência de retirada do material impugnado da rede digital da ­Prefeitura, Nobel Soares providenciou a elaboração de uma ata notarial, que é uma espécie de ­boletim de ocorrência em que o Cartório de ­Notas – que possui fé pública – comprova a materialidade do ‘suposto ilícito’.

“É indiscutível o dolo de conduta do alcaide (prefeito), acarretando vultoso dano à moralidade pública e ao erário municipal”, aponta Soares, que garante que Paulo Alexandre infringiu o princípio da ­impessoalidade, previsto no artigo 37 da Constituição. O advogado ainda cita jurisprudências (decisões anteriores) em que houve punição de prefeitos em outras cidades do Estado, entre elas São Vicente.

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MP será acionado. Nobel Soares afirma que enviará uma cópia da ação ao Ministério Público (MP) para que o órgão possa promover uma ação civil pública por improbidade administrativa, “que pode acarretar inelegibilidade (não poder ser eleito), a proibição de contratar com o poder público, multas e outras sanções”, acrescenta o advogado, que completa: “Se o senhor Paulo Alexandre registrar sua candidatura para a reeleição, vou oficiar à Justiça Eleitoral uma possível proibição da utilização da cor verde em sua campanha”, finaliza.

MP já foi alertado. Paralelamente à ação popular de Nobel Soares, foi protocolada no Ministério Público (MP) uma denúncia do empresário do ramo do audiovisual Victor Panchorra, que também acusa o prefeito de ter usado a cor verde em equipamentos e serviços municipais.

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Panchorra também aponta como exemplo o município de São Vicente, onde o prefeito Luis Cláudio Bili (PP) foi impedido pela Justiça de utilizar a cor roxa (a mesma de sua campanha) em alguns equipamentos municipais.

Paulo Alexandre alega não ter conhecimento da ação popular

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O prefeito Paulo Alexandre Barbosa ainda não tem conhecimento oficial do pedido e oferecerá as explicações necessárias tão logo seja notificado. Mas a Prefeitura, de antemão, informa que, em cumprimento à legislação eleitoral, já havia reformulado o portal e o Diário Oficial, suprimindo toda e quaisquer notícias sobre programas, campanhas, obras e ações da atual administração, bem como determinou a supressão de todas as mensagens com exposição pública que façam referência a esses temas, exatamente para que não venha a ocorrer eventual inferência de propaganda eleitoral.

A Prefeitura lembra que a cor verde foi escolhida para a palavra “Santos” por se destacar no brasão de armas, um dos símbolos do município, conforme o artigo 3º da Lei Orgânica do município. Salienta ainda que o uso da cor verde na frota de ônibus já ocorria anteriormente à posse da atual gestão, sendo apenas mantida e em táxis foi escolha do Sindicato de Taxistas e cooperativas, em reunião sobre padronização dos veículos na CET. As lixeiras já eram verdes desde que começaram a ser instaladas há anos.