Horas após o início do temporal que deixou a cidade de Santos (bem como outras da Baixada Santista) debaixo d’água, o prefeito Rogério Santos publicou uma nota discreta em suas redes sociais culpando, primeiramente, a greve dos coletores, além da ressaca e do acúmulo de areia nas galerias, pelos diversos alagamentos e pelo lixo espalhado pelo município.
“Estamos atuando para resolver a situação o quanto antes com nossas equipes, mas queria vir aqui falar com vocês, como sempre faço. Mantenham-se em segurança e longe das áreas de risco”, limitou-se a dizer o chefe da Administração santista.
Enquanto isso, nas ruas, trabalhadores presos no trânsito, ou caminhando com água acima do joelho. Nas redes sociais, uma enxurrada de críticas. Uma internauta exemplificou exatamente o que aconteceu nesta quarta-feira:
“Demoraram para limpar a areia, demoraram na negociação da greve da limpeza urbana, agora quem sofre são os munícipes que pagam seus impostos anualmente. Entra ano, sai ano, várias promessas e os problemas só aumentam… cadê a tal zeladoria que vocês tanto falam?”.
Outro munícipe também se manifestou: “Sempre é culpa do clima, das forças da natureza, etc…”. Já uma terceira crítica dizia: “Deveriam ter agido antes, sabendo da previsão do tempo e com a greve em andamento. A cidade está um CAOS.”
Situação de Santos
Segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), choveu 119,2 mm nas últimas seis horas — um volume quase igual à média histórica mensal para agosto (122,2 mm). O dado foi registrado na estação do Morro do São Bento.
A força da maré também impressionou: por volta das 8h, as ondas chegaram a 1,72 metro na Ilha das Palmas.
Sindicato se manifesta
Em nota enviada ao Diário, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana da Baixada Santista (Siemaco-BS) esclarece que a greve dos coletores, apontada pelo prefeito como responsável pelos alagamentos registrados em Santos, “é um direito legítimo dos trabalhadores, garantido por lei”. A entidade afirma que a paralisação ocorre “justamente por falta de valorização da categoria”.
Segundo o sindicato, “o acúmulo de lixo é consequência direta da ausência de um acordo justo por parte da empresa contratada e da conivência do poder público”. A nota também ressalta que “alagamentos são causados por falta de infraestrutura urbana e má gestão da drenagem, problemas antigos e amplamente conhecidos pela população”.
O Siemaco-BS ainda considera “injusto, desrespeitoso e desonesto” atribuir aos trabalhadores a responsabilidade por falhas estruturais da cidade. “Seguimos firmes na luta por condições dignas de trabalho e por respeito àqueles que, faça sol ou chuva, mantêm nossa cidade limpa”, diz o sindicato.
