Prefeita de Cubatão e presidente da Usiminas discutem impactos social e econômico

Marcia Rosa destacou consequências sociais e econômicas do fim da produção de aço em Cubatão

A prefeita Marcia Rosa foi recebida na tarde de ontem pelo presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza. O encontro, de pouco mais de duas horas, aconteceu na usina cubatense, onde a chefe do Executivo apresentou sua preocupação com o imenso impacto social e econômico na Cidade caso o plano da empresa, de interromper a produção de aço na unidade local, se concretize nos próximos meses.

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Segundo ela, a direção da siderúrgica demonstrou estar aberta ao diálogo na busca por soluções conjuntas para aumentar a competitividade da indústria nacional de aço, frente à produção chinesa. “Sugeri a ele uma rodada de negociações com o Estado, Governo Federal e sindicatos para buscarmos uma proposta que garanta a sustentabilidade da usina, pela importância que tem para a Baixada e o País, no que ele concordou”.

Segundo informado por Rômel à prefeita, até o início do próximo ano não será interrompida a produção na usina cubatense. “Se até lá existir uma proposta que possibilite a reversão do quadro negativo da indústria no País, a Usiminas está disposta a repensar o planejamento, mas é preciso medidas concretas”, disse Marcia, que lembrou o recente anúncio do Governo Federal, após reunião com uma comitiva cubatense, de que pode adotar novas alíquotas para proteger a indústria siderúrgica nacional.

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“Essa ação do Governo Federal, colocada em prática, será de extrema importância. Nenhum país cresce sem uma indústria forte, sobretudo a de base. O aço da China compromete também outros países, precisa ter uma alíquota que garanta uma competitividade do produto nacional. É preciso também pensar no aquecimento da economia interna, especialmente a automobilística e o mercado da construção civil”, destacou a prefeita de Cubatão, que conclamou à união regional para evitar as demissões em massa na usina. “Não temos um prazo muito longo. Mas não consigo trabalhar com a possibilidade de fechamento da siderúrgica. Acredito que é possível construirmos um jeito de reverter a decisão da empresa. Temos que unir a cidade, a população da região, as indústrias do aço, os políticos, todos os prefeitos, deputados, sindicalistas e centrais, e buscar essa solução conjunta. Saio da reunião com o presidente da Usiminas com a esperança de que ainda há jeito de reverter a paralisação da usina”.

Usiminas

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O presidente da Usiminas reiterou as razões que justificam a desativação temporária das áreas primárias (sinterizações, coquerias, altos-fornos e aciaria) da Usina de Cubatão. “Em nível mundial, o excesso de capacidade produtiva de aço já é da ordem de 700 milhões de toneladas e os patamares de preço estão depreciados. No plano doméstico, números preliminares do Instituto Aço Brasil indicam queda no consumo aparente de aços planos de 14% neste ano em relação a 2014 e de 22% em relação a 2013”, explica, afirmando que, diante da gravidade da crise no mercado siderúrgico, a Usiminas necessita adequar sua capacidade produtiva a esta realidade.

Segundo a empresa, a situação de três dos principais setores consumidores de aços planos, o tipo de produto fabricado pela Usiminas, ilustra este cenário de baixa demanda:

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1. Setor automotivo: queda de 21% na produção de veículos nos dez primeiros meses do ano; pior mês de outubro dos últimos 10 anos; quase 12 mil postos de trabalho fechados (fonte: Anfavea)

2. Distribuição: as compras realizadas pelos distribuidores de aço caíram 22% nos nove primeiros meses de 2015 em relação ao mesmo período de 2014, que, por sua vez, já tinha sido 9,7% menores do que em 2013. (fonte: Inda)

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3. Máquinas e equipamentos: o faturamento das empresas do setor foi 9% menor nos nove primeiros meses de 2015 em relação ao mesmo período de 2014, que, por sua vez, já havia sido 16% menor do que em 2013 (fonte: Abimaq)

“A empresa, dentro das suas possibilidades, estuda formas de minimizar o impacto social que será gerado pelos desligamentos dos empregados. No entanto, considera que a desativação temporária das áreas primárias se Cubatão é uma medida necessária para a própria sustentabilidade da Usiminas como empresa responsável por outros milhares de empregos, inclusive nas laminações da Usina de Cubatão que permanecerão operando”, finaliza.