Prédio do antigo 1º DP gera reclamações em Itanhaém

A delegacia não funciona mais no local, mas veículos apreendidos continuam ali e trazem insegurança aos moradores

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03 MAI 2021Por Nayara Martins08h30
O prédio fica no centro da cidade, na rua Capitão Manoel Bento.O prédio fica no centro da cidade, na rua Capitão Manoel Bento.Foto: Nair Bueno/DL

A antiga sede onde funcionou o 1º Distrito Policial, da Polícia Civil de Itanhaém, na rua Capitão Manoel Bento, no centro, tem sido alvo de reclamações de moradores próximos ao local. Isso porque no pátio externo do prédio estão diversos veículos e motos que foram apreendidos pela Polícia Civil e, segundo os moradores, atraem assaltantes de peças de carro. Além de servir de abrigo aos moradores de rua que procuram o local para dormir à noite.

A Reportagem do Diário do Litoral esteve no local, na última quarta-feira (28), e constatou os diversos veículos e motos parados no pátio externo.

Uma das moradoras que reside na mesma rua, mas preferiu não se identificar, afirma que o principal problema são os veículos apreendidos e deixados no local. "Há riscos de roubos nas casas, pois os assaltantes vêm para furtar as peças de carros que estão no pátio da delegacia".

Já a pensionista Gilda Merelis, que mora há mais de 30 anos na rua José Mendes de Araújo, localizada atrás do prédio, confirma que a situação é bastante preocupante e aflige a todos os moradores das proximidades.

"Corremos um risco constante com esses carros abandonados no pátio. Há cerca de 15 anos o 1º DP não funciona mais neste prédio, mas esses veículos apreendidos atraem os ladrões para furtar as peças", ressalta.

Afirma ainda "já ocorreram dois assaltos em duas casas vizinhas, na rua Capitão Manoel Bento, pois o local também serve de abrigo aos moradores de rua durante a noite. Eles batem à nossa porta para pedir comida após às 22 horas".

A moradora já chegou a acionar a Polícia Militar, por meio do número 190, por se sentir ameaçada com pessoas que invadem o prédio do antigo DP, à noite, já que o local fica muito escuro. Além de um muro na lateral do prédio que também já está com buracos e em risco de desabar.

Outra preocupação dos moradores é em relação à dengue. Gilda explica que os veículos expostos no pátio externo do prédio acumulam águas de chuva, o que pode gerar focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti. "Minha vizinha já foi picada pelo mosquito e está com a dengue", conta.

PREFEITURA

A prefeitura de Itanhaém informa que o setor de Controle de Endemias da Vigilância Epidemiológica realiza periodicamente no local a aplicação de larvicida granulado, por se tratar de sucata de veículos. E que a última aplicação ocorreu em 6 de abril, mas que devem fazer uma nova visita na próxima semana.

Diz ainda que trabalha para a identificação e locação de uma área e deve firmar um convênio com a Polícia Civil do Estado para a correta acomodação dos veículos.

POLÍCIA

Segundo informações do delegado seccional de Itanhaém, Carlos Henrique Fogolin de Souza, o 1º DP do município foi transferido do prédio, localizado na rua Capitão Manoel Bento, para a rua Dr. Ricardo Falcão Rangel, no centro, devido às más condições em que se encontrava o imóvel, há cerca de 14 anos. O atual local é alugado pela prefeitura de Itanhaém.

A Polícia Civil afirma que o imóvel localizado na rua Capitão Manoel Bento pertence ao Governo do Estado. E que há um processo no aguardo de verba para fazer a demolição, além de um projeto básico, feito em parceria com a Prefeitura, para a construção de nova sede da Delegacia Seccional de Itanhaém.

Quanto aos veículos que se encontram no local, segundo o delegado, são apreensões da Polícia Civil e que estão aguardando a destinação da Justiça, uma vez que o município não conta com serviço de pátio, contratado pelo estado, mas que esse processo também está aguardando a verba.

Diz ainda que, no antigo prédio, funciona a parte administrativa das escoltas de presos da Cadeia Pública de Peruíbe, onde trabalham carcereiros durante o dia. E que à noite, aos sábados, domingos e feriados, o local é constantemente vigiado por agentes do estado e cães de guarda, sendo inverídicas as afirmações sobre furtos e invasões ou a presença de moradores de rua.