Preço versus conforto

Edifícios de alto padrão com áreas de lazer, mas com apartamentos compactos; esta é a tendência do mercado na Região

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02 MAR 201321h44

Santos registra crescimento significativo na construção civil. Nos últimos dois anos foram erguidos 58 edifícios com investimentos da ordem de R$ 805 milhões, porém, o ‘boom’ imobiliário que consiste em torres com mais de 20 andares e áreas de lazer constituem apartamentos com pouco espaço físico.

O delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Santos e Região (CRECI), Ivo Sanches, afirma que as torres de alto padrão já se tornaram uma tendência de mercado em Santos. “Estes empreendimentos com áreas de lazer, mas com apartamentos compactos começaram a ser construídos nos últimos cincos anos e a demanda de lançamentos cresceu muito nos últimos dois anos”.

Sanches analisa que a nova lei de uso e ocupação do solo do Plano Diretor do Município atualizado em 1998 atraiu várias construtoras que investiram em torres de 20 a 25 andares. Contudo, embora a oferta de imóveis de alto padrão seja grande, Santos ainda têm o metro quadrado mais caro da Região. “O metro quadrado em Santos varia de R$ 3 mil a R$ 4 mil nesses empreendimentos novos”.

Para Sanches dois fatores justificam o alto custo dos apartamentos. Primeiro é a infra-estrutura de lazer e a oferta de mais de uma garagem por apartamento nos edifícios. “Essa infra-estrutura acaba sendo agregada ao valor do imóvel”. Outro fator é a qualidade de vida, a infra-estrutura da Cidade. Em Santos, nós temos tudo, hospitais, shopping, praia, cinema, o que acaba atraindo um maior número de veranistas e de moradores”, disse o delegado reconhecendo que um apartamento em Santos tem um custo maior do que outro do mesmo padrão nas cidades vizinhas. Sanches é representante da praça imobiliária do litoral centro — Santos, São Vicente, Cubatão, Guarujá e Bertioga.

Mas, Sanches não acredita na migração de compradores para as outras cidades da Baixada. “Se há oferta é porque há procura na Cidade (Santos)”. O diagramador Renato de Cássio Almeida, por exemplo, morava em Santos — cidade onde trabalha — e adquiriu um apartamento semi-novo, em Praia Grande, de 47 m², com um quarto e uma vaga de garagem, por R$ 48 mil. “Pesquisei apartamentos em Santos e em São Vicente durante um mês. Eu procurava por apartamentos de até R$ 60 mil. Em Santos, só encontrei por esse preço um apartamento de um quarto no BNH (Aparecida), que não tem garagem. Em São Vicente, os apartamentos nessa faixa de preço eram muito antigos e em mal estado de conservação”, diz ele.

Alto padrão

Entre os novos empreendimentos, um apartamento de 159,88 m², na Ponta da Praia, com dois quartos, uma suíte e duas vagas de garagem, está avaliado em R$ 410 mil. O apartamento também possui cômodos pequenos. O corretor de imóveis, Luiz Carlos Tavares Pereira, também confirma essa tendência no mercado de imóveis compactos com custo alto, porém afirma que as vendas subiram 30% nos últimos três meses, no edifício em que atua, devido as condições de financiamento. “Estamos financiando em até 50 meses com taxa de 1% mais 0,92% do índice nacional da construção civil sobre o valor da prestação do imóvel. Outro plano é sinal de 50% do valor mais 12 parcelas mensais fixas, sem acréscimo”.