Preço final dos combustíveis ficou acima do esperado em fevereiro, diz IBGE

Segundo a pesquisadora, a maior concorrência justifica os preços mais baixos em São Paulo. Em janeiro, o preço médio do litro na região era de R$ 2,89

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06 MAR 201515h37

Item de maior impacto sobre a inflação de fevereiro, o preço médio do litro da gasolina variou entre o mínimo de R$ 3,10, em São Paulo, e o máximo de R$ 3,53 em Salvador, de acordo com os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta sexta-feira, 6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"A gasolina chamou bastante atenção nesse mês de fevereiro justamente porque ultrapassou 8% (8,42%). O impacto dos impostos foi muito forte e pesou nas bombas. Em consequência, pesou no bolso do consumidor, até mais do que se poderia prever", avaliou a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Segundo a pesquisadora, a maior concorrência justifica os preços mais baixos em São Paulo. Em janeiro, o preço médio do litro na região era de R$ 2,89.

Em Salvador, o litro do combustível custava R$ 3,10 em janeiro. Embora o IBGE não trabalhe com uma previsão de aumento médio resultante da elevação de impostos, Eulina reconhece que pode ter havido um repasse maior do que o esperado. "Pode ter aumentado mais do que o previsto", disse ela. No Rio de Janeiro, a gasolina custava R$ 3,21 em janeiro e passou a R$ 3,38 em fevereiro.

O preço médio do litro da gasolina variou entre o mínimo de R$ 3,10, em São Paulo, e o máximo de R$ 3,53 em Salvador (Foto: Matheus Tagé/DL)

Etanol

O etanol também ficou mais caro em fevereiro, 7,19%, sob o argumento dos produtores de um aumento de custos gerado pela forte estiagem. "O etanol aumentou a reboque do aumento da gasolina", disse Eulina, acrescentando que estamos no período de safra de cana de açúcar.

O encarecimento da gasolina refletiu o aumento nas alíquotas do PIS/COFINS, que entrou em vigor em 1º de fevereiro. Como resultado, o item foi responsável por 25,41% da taxa de inflação no mês, uma contribuição de 0,31 ponto porcentual para a variação de 1,22% registrada pelo IPCA.

Na lista de maiores impactos do mês também aparecem os cursos regulares (alta de 7,24% e impacto de 0,21 ponto porcentual); energia elétrica (3,14% de alta e 0,10 ponto porcentual de impacto); automóvel novo (2,88% e 0,09 ponto porcentual); ônibus urbano (2,73% e 0,07 ponto porcentual); etanol (7,19% e 0,06 ponto porcentual); e cursos diversos (7,14% e 0,06 ponto porcentual). "O aumento de impostos teve influência significativa sobre o IPCA de fevereiro", declarou Eulina, referindo-se aos itens gasolina, energia elétrica e automóvel novo.