Cotidiano
Bloqueio no Estreito de Ormuz encarece fretes e insumos; ABPA alerta para possíveis repasses ao consumidor final nos próximos dias
Apesar do recuo recente no IPCA e do aumento na produção de ovos em 2025, gargalo no Estreito de Ormuz traz incerteza para o setor / Reprodução/Freepik
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A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, com o fechamento do Estreito de Ormuz, pode impactar diretamente os preços de ovos, frango e carne suína no Brasil. O alerta é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que aponta uma série de efeitos em cascata sobre a cadeia produtiva e a logística do setor.
De acordo com a entidade, a elevação no preço do diesel já provocou um aumento de até 20% nos fretes rodoviários, afetando tanto o transporte de insumos quanto a distribuição dos produtos finais. Além dos combustíveis, outros itens essenciais para a produção, como embalagens plásticas derivadas do petróleo, também estão na rota dos impactos. Os preços desses materiais já registraram alta de cerca de 30% .
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“Diante de tal cenário, é possível que ocorram nos próximos dias repasses aos preços para o consumidor tanto de ovos como de carne de frango e carne suína”, informa a ABPA em nota.
O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo estratégico, com cerca de 40 quilômetros de largura, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, a região é responsável por grande parte do tráfego mundial de petróleo e derivados, além de insumos industriais e embalagens utilizados no agronegócio.
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Os bloqueios recentes na região têm dificultado o transporte desses produtos, pressionando os custos ao longo de toda a cadeia produtiva.
Apesar do alerta, os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram que, até fevereiro, os preços ainda estavam em queda. N
os últimos 12 meses, os ovos recuaram 10,8% . A carne de porco registrou queda de 1,2% em fevereiro e de 1,62% no acumulado do ano. Já o frango teve leve recuo de 0,29% no mês passado.
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O cenário atual de oferta equilibrada e crescimento na produção pode absorver parte do choque. Em 2025, a produção de ovos aumentou 7,9% , passando de 57,7 bilhões para 62,2 bilhões de unidades. O consumo per capita também cresceu, chegando a 287 unidades por ano , alta de 6,7% em relação a 2024.
“O mercado apresenta um cenário de oferta equilibrada em relação ao visto no ano passado, com crescimento dentro do esperado”, destacou a ABPA.
As exportações brasileiras de ovos somaram 2.939 toneladas em fevereiro, com crescimento anual de 16,3% . Em receita, as vendas geraram US$ 6,175 milhões , alta de 25,1% em relação ao mesmo período de 2025.
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Os números mostram a pujança do setor, mas também aumentam a exposição às oscilações do mercado internacional e às pressões logísticas.
A expectativa do setor é de que o cenário geopolítico se normalize para evitar que os aumentos nos custos de produção sejam repassados ao consumidor final nos próximos meses. Enquanto isso, a cadeia de proteína animal segue em alerta.
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