Preço do litro da gasolina chega a R$ 4,19 em postos de Santos

Diário realizou pesquisa nos postos de combustível para verificar a variação dos preços da gasolina e do etanol

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16 DEZ 2017Por Caroline Souza10h00
Preços variam até 16,7% em SantosFoto: Rodrigo Montaldi/DL

A Petrobras tem anunciado constantes aumentos no preço da gasolina nas refinarias. Isso porque, desde 30 de junho, ao invés de esperar um mês para ajustar seu preço, a petroleira avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode ocorrer diariamente. Além da concorrência dos importadores, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais na decisão de revisão dos preços.

Com isso, a reportagem do jornal Diário do Litoral decidiu fazer uma pesquisa nos postos de combustível de Santos para verificar a variação dos preços da gasolina e do etanol. Os dados foram colhidos na última quarta-feira, em onze postos da cidade.

A gasolina mais barata estava custando R$ 3,59 e a mais cara, R$ 4,19, o que representa uma variação de 16,7%. Já o etanol, variou de R$ 2,54 até R$ 3,19 (25,6%). O corretor de imóveis José Carlos afirma que só procura pelo menor preço caso vá encher o tanque. “Meu carro tem 60l e se for encher o tanque realmente dá muita diferença. Mas às vezes estou na correria na rua e vou colocar R$ 20,00 ou R$ 30,00. Nesse caso, vou ao mais perto, mesmo que seja um pouco mais caro”. Carlos abastecia no posto cuja gasolina estava mais cara naquele dia.

Quem usa o carro diariamente para trabalhar, sente no bolso a economia ao procurar por postos mais baratos. “Trabalho como motorista de aplicativo e abasteço mais ou menos R$ 100,00 todos os dias. Por isso, preciso que o preço do combustível esteja em um valor bom, ou meu lucro acaba sendo menor”, explica Edson Rodrigues.
Pelo valor da gasolina aquele dia, o motorista conseguiu abastecer 27,8 litros no posto mais barato. Se tivesse optado pelo mais caro, teria abastecido 23,8 litros, ou seja, quatro litros a menos.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santos e Região (Sindicombustíveis Resan), José Camargo Hernandes, a alta dos preços também afeta negativamente os donos de postos. “A frequência dos aumentos vem afetando o mercado como um todo. Por exemplo, se um proprietário de posto vende hoje R$ 100,00 de gasolina no cartão de crédito, quando ele recebe, não consegue mais comprar o combustível pelo mesmo valor que vendeu. Isso porque, no crédito, só vai receber após 31 dias e com desconto das taxas”, afirma.

Ainda segundo o presidente, é importante o consumidor fazer as contas de quantos km/l o carro dele roda com o combustível, para ver se confere com o que o manual do veículo indica.

ANP

Uma das atribuições da Agência Nacional do Petróleo (ANP) é garantir a proteção dos interesses dos consumidores quanto a preço, qualidade e oferta de produtos. Dessa forma, a ANP realiza uma pesquisa de preços para acompanhar os valores praticados pelas distribuidoras e postos revendedores de combustíveis.

Em novembro, a Agência pesquisou 26 postos de Santos. O preço mínimo encontrado foi de R$ 3,49 e o máximo, de R$ 4,19. Já nas distribuidoras, os valores variaram entre R$ 3,07 e R$ 3,56.

No mesmo período, o preço do etanol variou de R$ 2,39 até R$ 3,05 nos postos de combustível; e entre R$ 2,03 e R$ 2,51, nas distribuidoras.

Etanol ou gasolina?

Segundo especialistas, o consumidor que possui carro flex deve fazer uma conta simples para verificar com qual combustível vale mais a pena abastecer. Basta multiplicar o preço da gasolina por 0,7. Se o resultado for igual ou menor que o preço do etanol, a melhor opção é abastecer com gasolina.

Em todos os onze postos pesquisados pela reportagem, a gasolina era melhor opção, de acordo com a conta acima.

O porteiro Adeildo Gomes admite que não tem o costume de olhar o preço do etanol. “Sempre opto pela gasolina inconscientemente, apesar do meu carro ser flex. Já ouvi falar da conta, mas não faço. Por outro lado, procuro sempre pelos postos com valores mais em conta”, relata.

Como é calculado o preço da gasolina?

É importante lembrar que ao abastecer seu veículo no posto, você adquire a gasolina “C”, que é uma mistura de gasolina “A” com álcool anidro. A gasolina “A” é produzida nas refinarias da Petrobras ou por outros refinadores do país. As distribuidoras compram a gasolina “A” e fazem a adição do álcool anidro, gerando a gasolina “C”. A adição é regulamentada por lei, pelo Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA). Atualmente, o percentual de etanol anidro é de 27% nas gasolinas comum e aditivada e de 25% na gasolina premium.

No preço que o consumidor paga no posto pela gasolina “C”, além dos impostos e da parcela da Petrobras, também estão incluídos o custo do Etanol Anidro (que é fixado livremente pelos seus produtores) e os custos e as margens de comercialização das distribuidoras e dos postos revendedores.