‘Precisamos refundar a república’, afirma Álvaro Dias

O candidato à Presidência da República esteve em Santos e Guarujá, para o encontro regional do Podemos

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24 FEV 2018Por Da Reportagem09h00
'A intervenção é uma jogada de marketing, que explora o medo que campeia solto no Rio', disseFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Ele é historiador, vereador, deputado estadual, federal e governador do Paraná. Atualmente é senador e visa à Presidência da República. Em Santos ontem e depois em Guarujá, para o encontro regional do Podemos, Álvaro Dias, é autor da frase acima, referindo-se ao seu projeto de Brasil. Confira a entrevista:

Diário – Refundar a República é começar do zero?
Álvaro Dias –
O Brasil é uma nação a espera de reformas. Se não as realizarmos certamente não tiraremos o País do caos em que se encontra, em razão da corrupção e da incompetência. A causa disso tudo é esse sistema promiscuo, corrupto, das matrizes de governos incompetentes. Refundar a república é exatamente substituir o sistema por um que realize a reforma de estado, política, administrativa, do sistema federativo, tributária, previdência e outras essenciais.

Diário – A reforma política virou obra de ficção no Brasil?
Álvaro Dias –
Pois é. Sempre prometida e nunca realizada. E quando se faz alguma coisa e para favorecer os que legislam em causa própria. Sou pré-candidato e se, futuramente, chegar à Presidência da República, vou convocar uma comissão de especialistas para apresentar um pré-projeto, para oferecer ao país um modelo político compatível com as exigências atuais. Depois, vou submeter a proposta à sociedade e tentar obter o apoio da população e depois do Congresso. É preciso reduzir o tamanho do legislativo do País. Fui deputado federal num contingente de 323 deputados. Hoje são 513. É preciso um legislativo mais enxuto, econômico e qualificado.

Diário – Não ser citado na Lava Jato é qualidade ou obrigação?
Álvaro Dias –
É obrigação. No contexto atual, é uma felicidade. A JBS delatou 1.800 políticos. É uma quantidade expressiva e ficar de fora é uma primazia. Fui governador do Paraná e não restou sequer uma tentativa de ação por improbidade administrativa. É muito difícil isso, você concluir um mandato sem acusação. .

Diário – É fato que o presidente Michel Temer ‘compra’ votos na Câmara para aprovar seus projetos. Isso também não é mensalão?
Álvaro Dias - 
É mensalão, é petrolão, sanguessugas, assalto aos fundos de pressão. Esse é o modelo que nós queremos substituir na refundação da república. Michel Temer é um arauto deste sistema. Um advogado desta causa suja da promiscuidade, do balcão de negócios, do toma-lá-dá-cá, essa imoralidade pública.

Diário – A intervenção no Rio é legítima?
Álvaro Dias –
Uma jogada de marketing, que explora o medo que campeia solto no Rio. Uma lição de oportunismo que o presidente oferece ao país. É confissão de impotência e da corrupção. O Governo está sem dinheiro para agir. A dívida pública consome 50% do orçamento para pagamento de juros e serviços. Em média R$ 1,8 trilhão. Temos que ter dinheiro em caixa para resolver problemas como esse, de segurança pública.

Diário – O senhor acredita na inflação propagada pelo Governo?
Álvaro Dias –
Difícil de acreditar. Quem vai ao supermercado sabe que não se compra as mesmas coisas do mês anterior. Os preços dos combustíveis, o gás de cozinha, por exemplo, são aumentados por decreto. Existe uma inflação oficial e outra real.

Diário – O senhor foi contra a reforma trabalhista?
Álvaro Dias –
Eu defendi a reforma trabalhista por julgá-la necessária, mas tive dificuldade em votar em algo imperfeito. Somos sempre acusados de legislar mal e isso tem procedência. O Governo impede que se altere, se aprimore. Eu usei meu voto como forma de protestar essa forma de impor a reforma que só aumentou os conflitos. Mas vamos ter tempo, até 2019, para avaliar se vamos precisar reformar a reforma.

Diário – A CPI da Previdência constatou que ela não é deficitária. Qual é a sua opinião?
Álvaro Dias –
É uma questão de interpretação. Como fonte de financiamento da seguridade social, não há déficit. Ocorre que os recursos são destinados também à ação social, por isso é que o déficit ocorre. Do ponto de vista da administração pública, existe. Mas do ponto de vista do aposentado, do trabalhador, ele não quer saber, porque não cabe a resolver, mas si o governo. Dos 33 milhões de brasileiros do regime privado de seguridade social, 10 milhões são da área rural em que não há contribuição à previdência. Já os da área urbana estão bancando. A reforma tem que alcançar as complexidades sociais e regionais. Quem trabalha numa mina de carvão não pode ser comparado a quem trabalha num estúdio com ar condicionado.

Diário – O senhor é ex-tucano. Se decepcionou com o partido?
Álvaro Dias
– Minha decepção é com aquilo que chamam de partido político. Eu chamo de sigla. Não considero que existe partido político no Brasil ainda. Eu mudei de sigla, porque partidos não existem. Por isso estou num movimento que se chama Podemos, que pode-se tornar um partido um dia com uma reforma política.  

Diário – O senhor é a favor de cotas?
Álvaro Dias –
social sim, racial não, porque você subestima a raça. Não podemos acreditar que exista raças inferiores. Ter preconceito. Temos que estabelecer um percentual para pessoas oriundas da escola pública, que não conseguem competir com as que vêm das privadas.

Diário – O senhor acredita que o Lula poderá disputar as eleições?
Álvaro Dias –
Eu acredito que ele vai para a cadeia. Se queremos sustentar o estado democrático de direito, temos que respeitar a legislação e ele foi condenado em segunda instância e está inelegível pela lei da ficha limpa. É fato indiscutível, a menos que o Supremo altere a jurisprudência.

Diário – Temer tem condições de ser candidato.
Álvaro Dias –
Não. O item rejeição é sempre o principal ponto a ser analisado. Temos que medir o potencial de votos a partir dela.

Diário – Como o senhor avalia a adesão a Jair Bolsonaro?
Álvaro Dias –
Fruto desse mundo digital. Personagem construído nas redes sociais. Mas a campanha vai desvendar esses mistérios. Com debate, esclarecimento, conhecimento mais aprofundado, vai levar as pessoas a refletir e ter parâmetros de comparação.

Diário – E o Judiciário?
Álvaro Dias –
Os privilégios precisam ser extintos abrindo mão dos nossos. Eu abri mão de minha aposentadoria de ex-governador e não recebo auxílio moradia, verba indenizatória de R$ 15 mil mensais e não uso apartamento do governo. Economizo cerca de um milhão por ano. Se os legislativos e o judiciário fizesse o mesmo, seria uma economia significativa para o Brasil.                

Diário – Qual será seu principal oponente?
Álvaro Dias –
A descrença.

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