“Precisamos dar o exemplo”, diz Ademário sobre gestão

Prefeito assume dívida em torno de R$500 milhões, contas atrasadas, greve dos servidores e caos na saúde

O prefeito eleito em Cubatão, Ademário Silva (PSDB) herdou, além do mandato, a dívida de aproximadamente R$500 milhões da gestão anterior. Com um cenário caótico, o novo chefe do executivo diz que “dará o exemplo” para ajudar a economizar, a começar com o corte de aproximadamente 70% dos cargos comissionados e a junção de seis ­secretarias.

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Outro obstáculo está na área da saúde. O Hospital Municipal está fechado desde outubro. Já o Pronto Socorro e o Pronto Socorro Infantil estão atendendo apenas casos de urgência e emergência. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Casqueiro está sobrecarregada, o que obriga moradores a procurar atendimento em cidades vizinhas. 

A falta do pagamento do 13º dos servidores públicos, tanto da área da saúde quanto da educação, deu início a uma greve que perdura desde o dia 22 de dezembro. O Diário do Litoral conversou com Ademário para saber como ele pretende resolver todas estas questões. 

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DL- Quais observações já são possíveis fazer em meio ao período de ­transição?

Ademário Silva – Verificamos na transição um rombo de aproximadamente R$500 milhões. Prevemos para o ano que vem uma arrecadação um pouco menor. Mediante ao cenário, precisávamos dar o exemplo. Por isso, o primeiro passo foi reduzir os cargos comissionados de 179 para 40 e as secretarias de 19 para 13, efetivamente. Com isso, nós economizaremos, em 90 dias, em torno de R$20 milhões. É um grande fôlego para enfrentarmos esta crise que assola a cidade, a mais grave dos últimos 50 anos.

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DL- Quando o Hospital Municipal será reaberto?

Ademário – A reabertura dele está em nossa pauta de prioridade, em nosso plano de governo, como também nos nossos discursos. Agora, para que isso ocorra, nós não podemos precisar uma data específica porque há muitas decisões a serem tomadas, em todos os aspectos. Vamos buscar parcerias reais com o Governo do Estado e o Governo Federal, tirar um raio-x aprofundado da situação da saúde na cidade para podermos nos posicionar com clareza em relação a data da reabertura do ­hospital.

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DL- E o 13º, quando os servidores irão receber?

Ademário – Em 2016 os servidores não receberam o 13º por decisão do prefeito interino. Não tinha dinheiro para pagar. Em reunião, nós estabelecemos que até junho o pagamento do 13º de 2016 será feito de forma parcelada. Com os inativos, honraremos o compromisso na primeira quinzena de janeiro. A cidade está falida, a Cursan com R$70 milhões em dívidas, três contas de luz atrasadas, a terceira parcela do precatório sem pagar, é um caos generalizado. Agora, para que efetivamente ocorra o pagamento, nós precisamos fazer esse arrocho fiscal para ganhar fôlego e honrar os compromissos.

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DL – Com tantos problemas, existe uma prioridade assim que assumir?

Ademário – A prioridade é reabrir o hospital. Nós já fomos o município – do ponto de vista per capita – mais rico do País e hoje nós perdemos para o orçamento das outras cidades da região. É um momento crítico porque nossa maior fonte é o polo industrial que vem sofrendo um processo de degradação. Nós perdemos drasticamente competividade econômica com o fechamento do setor de produção de chapas grossas da Usiminas. Isso refletiu em outras empresas que também fecharam. Em análise superficial, o orçamento de 2017 terá uma perda de aproximadamente R$200 milhões.

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DL – Na sua visão, qual é o maior problema da cidade e como solucioná-lo?

Ademário – O maior problema da cidade é o desmantelo da máquina pública. Ela esta fragmentada, desmotivada em todos os cenários. Um dos maiores desafios é resgatar a autoestima do servidor público.

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DL – Em algum momento, pretende retomar as secretarias que foram unificadas?

Ademário – Quando você não tem recursos, a pasta se torna sem fundamento, por isso a decisão de acumula-las. Claro que se a economia reagir, as pastas voltam a operar. Nós não fizemos nenhuma reforma administrativa as destruindo.

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DL – Quais obras você pretende realizar?

Ademário – Não temos recursos para anunciar projetos. Temos parcerias, convênios e emendas parlamentares. O que tivermos neste aspecto e conseguirmos angariar junto a Assembleia Legislativa e ao Congresso, obviamente, vamos elencar o que é prioridade do ponto de vista de obra. Em andamento existem algumas parcerias para a construção da policlínica, a vinda do Bom Prato, mas recursos para anunciarmos obras novas, não há.

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DL – Em quanto tempo acredita que consegue quitar a dívida? 

Ademário – A arrecadação da receita que entra no ano inteiro, acho que não fecha em R$800 milhões. Então há metade de um orçamento anual comprometido pela má gestão do governo ­anterior.