As chuvas aliadas às ligações clandestinas de esgoto e às habitações precárias estão entre os principais fatores que afetam a balneabilidade das praias da Baixada Santista. O assunto foi discutido no Seminário Internacional de Qualidade das Águas Costeiras do Estado de São Paulo, que teve início ontem, em Santos.
O evento, realizado no Teatro Guarani, segue hoje e reúne pesquisadores brasileiros e do exterior, além de representantes do poder público. A entrada é gratuita.
“O assunto fundamental é o controle de despejos irregulares. Não há outra alternativa. Ou o governo, o país e a sociedade faz esse tipo de controle ou infelizmente vamos continuar com esse problema. Nós vimos vários exemplos internacionais que realmente o controle é mais efetivo. Se houver um controle do despejo de efluentes irregulares não tratados certamente vamos solucionar parte do problema”, afirmou Joseph Harari, professor doutor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP).
Harari realizou estudo sobre o Rio Itanhaém e os emissários submarinos de Praia Grande.
“Fizemos uma série de simulações em computador determina a dispersão da pluma de efluentes do emissário e pluma que vem do Rio de Itanhaém. Observamos que principalmente os emissários são bem dimensionados e operados, porém o que se observa de poluição nas praias certamente é devido às ligações clandestinas ou moradias irregulares, que acabam jogando parte de seu esgoto na praia. Foi possível ver várias condições hidrodinâmicas. Em todas condições foi possível identificar o bom funcionamento dos emissários”, destacou.
Para o pesquisador é necessário maior rigor na fiscalização. “Esse vai ser o nosso próximo passo, no sentido de controlar emissões irregulares, controlar córregos. Toda a parte remanescente de poluição é devido às ligações clandestinas, ao esgoto que não é tratado, que não é passado pelas estações de tratamento e emissários. É uma realidade. O país vai ter que tomar cuidado para controlar esse tipo de emissão”, destacou.
Canais
A coordenadora do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Universidade Santa Cecília (Unisanta), a professora Alexandra Sampaio também confirma a tese de Harari sobre a influência das construções irregulares e ligações de esgoto clandestinas. A contaminação dos canais e as chuvas complementam o cenário de poluição das praias, sobretudo de Santos.
“Os dados mostram que existe contaminação desses canais. Além disso existem as ligações erradas. Ao invés do esgoto das residências e dos prédios estarem ligado à rede de esgoto, por algum motivo estão ligados à rede de drenagem e isso acaba prejudicando a qualidade, porque esses dejetos seguem para os canais que deveriam apenas receber água da chuva. Há também, às vezes, problemas de manutenção da rede coletora de esgoto. Essas águas apresentam concentração de coliformes bastante elevados”, destacou Alexandra.
Soluções
Para Claudia Lamparelli, gerente do Setor de Águas Litorâneas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) uma das soluções para amenizar a contaminação das águas é diminuir o tempo de abertura das comportas.
“A Cetesb monitora esses canais e a gente encontra um elevado número de bactérias fecais. Sempre que chove, e existe a necessidade de abrir as comportas, a gente até já sabe que vai ter uma contaminação da praia. Em Santos é bem crítico isso. A hora que chove a gente já espera na próxima semana um valor maior na qualidade microbiológica da praia e elas acabam ficando impróprias. Esses canais estão contaminados. Não é interessante que essas águas cheguem na praia. Sanear os canais é uma coisa que demora. A gente vem conversando isso com a Sabesp. É uma operação que tem que começar e talvez não seja a curto prazo e eventualmente um controle das comportas maior. Evitar ao máximo abrir as comportas ou reduzir o tempo de abertura das comportas”, destacou Claudia.
