Praiaças se reinventa na internet

Com a passagem para o formato virtual durante a pandemia, todo o 'timing' das artistas precisou se adaptar

Reinvenção! Essa é a palavra-chave que vem sendo um ator fixo no palco das vidas e carreiras de um grupo de mulheres que antes da pandemia se dedicava a usar a arte como um elo entre a cultura, o mundo feminino e mais importante do que tudo, os sorrisos de todas as pessoas que elas encontravam pelas ruas afora da Baixada Santista. A diferença, agora, é que o cenário é online e o público está apenas a algumas risadas virtuais de se unir ao grupo das ‘Praiaças’.

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Para quem não conhece, o grupo ‘Praiaças’ se trata de um ‘Movimento de Palhaçaria Feminina da Baixada Santista’. Atualmente contando com um total de dez integrantes, a equipe foi concebida com um propósito de criar espaço de diálogos, reflexão, acolhimento, treinamento, troca e união entre as palhaças da Região.

“O ‘Praiças’ foi idealizado em outubro de 2016 e nesses quatro anos a gente vem criando e estamos com alguns projetos em desenvolvimento. Hoje nós temos dez mulheres na gestão desse movimento e a gente desenvolve diversas atividades como oficinas para mulheres na cidade, porque o movimento é aberto, e promovemos encontros semanais onde qualquer mulher poderia chegar mesmo sem experiência e dentro daqueles encontros a gente faz um treinamento de ‘palhaçaria’ feminina. Depois a gente faz uma roda de conversa a respeito desses assuntos que permeiam a narrativa”, afirma Juliana Bordallo, que concebeu todo o projeto junto da colega Miriã Pessoa.

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Além delas, Ludmilla Corrêa, Julia Bertolini, Cris Vanuzzi, Lilian Rocha, Karla Lacerda, Flavie Lima, Lelê Lótus e a musicista Nanda Guedes completam a composição. Contando com muita arte circense, as artistas vinham produzindo culturalmente ações nos espaços públicos e privados, com o fio condutor de pesquisa o universo feminino na palhaçaria, mas a pandemia acabou por mudar a rotina dessas mulheres.

“O cortejo ‘Praiças na Rua’ nasceu em 2018 a partir até de um apoio do SESC Santos e a gente executa esse projeto inclusive na Vila Pantanal de Santos, que hoje é um território do qual somos grandes parceiras. Estamos até com projeto agora contemplado eu e Júlia Bertolini, pela Lei Aldir Blanc do Estado onde a gente vai trabalhar seis meses com essas mulheres que dessa comunidade”.

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Com a passagem para o formato virtual, todo o ‘timing’ das artistas precisou se adaptar e as reações das pessoas que ocorriam de forma instantânea agora precisam passar por conexões, servidores e plataformas antes de chegarem de volta às ‘Praiaças’.

“Está sendo um processo porque a gente vai descobrindo a cada apresentação como fazer, como desenvolver o projeto porque é, de fato, uma reinvenção. O trabalho da palhaçaria tem olhar, contato e resposta imediata da plateia. Já no virtual é outra pegada, é outro estilo porque a reação do público influencia muito, então os comentários na tela acabam sendo nosso feedback”, explica Juliana.

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Apesar desse novo desafio em encarar um palco que é impossível de tocar, todas as praiaças vêm aprovando tanto o formato que elas já realizaram dezenas de apresentações desta maneira. A reinvenção levou, até mesmo, a contatos com grupos e artistas de outros países da América Latina e as artistas já romperam as fronteiras do Brasil.

Com um grupo bastante diverso e boa rotação de atrizes, o grupo se apresentou neste último fim de semana de março, mas os fãs não precisam se preocupar porque todas as lives ainda podem ser acessadas nas páginas das redes sociais do grupo como o Facebook.com/Praiacas ou o Youtube pelo canal ‘Praiaças Movimento’. Já para o futuro, Juliana garante que vai ter mais espetáculos ainda em abril.

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“A gente tem mais um projeto pela Lei Aldir Blanc que se chama ‘Palhaças Coragem’ e está para estrear em abril, mas com o lockdown estamos esperando as novas diretrizes do Estado para ver como vai ficar porque acabou atrasando nossos planos”, conclui.