Cotidiano
Problemas históricos no Jardim São Lourenço afetam balneabilidade de trecho nobre, onde valor de apartamentos chegam a R$ 10 milhões
A Cetesb classificou o trecho do Jardim São Lourenço como impróprio para banho / Divulgação
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Diante de condomínios pé na areia com apartamentos avaliados em mais de R$ 10 milhões, a qualidade da água do mar nem sempre acompanha o alto padrão dos investimentos na Praia de São Lourenço, em Bertioga.
Enquanto a Riviera de São Lourenço, considerado um dos bairros mais caros do Brasil, ostenta um sistema de saneamento privado tido como modelo, o vizinho Jardim São Lourenço sofre com falhas estruturais que agora ameaçam a orla compartilhada.
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Na primeira semana de janeiro, no auge da temporada de verão, a Cetesb classificou o trecho do Jardim São Lourenço como impróprio para banho.
O alerta de bandeira vermelha, motivado por altos níveis de coliformes fecais, gerou preocupação inclusive entre os frequentadores da Riviera, já que a poluição não respeita divisões geográficas.
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O Ministério Público de São Paulo confirmou que conduz um procedimento sigiloso sobre o caso e exigiu da Sabesp um cronograma de obras.
No último dia 24, a Sabesp foi multada em R$ 100 mil pela Prefeitura de Bertioga após um vazamento de esgoto atingir a rede de águas pluviais e desaguar no mar. Segundo a companhia, o problema foi uma ocorrência pontual causada por lixo na tubulação, já regularizada por manutenção emergencial.
A gravidade da situação levou a Riviera de São Lourenço a adotar uma medida paliativa drástica: a instalação de uma mangueira sob a ponte do córrego que divide os bairros para despejar cloro na água antes do deságue no mar.
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Para o morador José Carlos Maduro Júnior, que frequenta o local há 30 anos, o cenário é inédito e reflete um crescimento do bairro que não resolveu antigas pendências de infraestrutura.
A origem do problema remete a um acordo entre construtoras, Sabesp e prefeitura que condicionou novos prédios à criação de sistemas de drenagem e três estações elevatórias. Uma dessas estações nunca saiu do papel, fazendo com que a rede atual transborde em dias de chuva.
Wilson Roberto da Silva, presidente da associação local e dono da construtora responsável pela obra faltante, justifica que o projeto não avançou por demora na liberação do terreno pela prefeitura, o que teria ocorrido apenas em outubro de 2025.
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Por outro lado, o município afirma que a entrega da estação é condição obrigatória para liberar novos empreendimentos da construtora, enquanto a Sabesp declara que a responsabilidade da obra não é da companhia.
O engenheiro Heverton Faria, que lidera uma petição com mais de mil assinaturas, classifica a situação como um absurdo onde as partes envolvidas empurram a responsabilidade umas para as outras.
Ele pretende acionar o Gaema para formalizar a denúncia contra todos os órgãos e empresas citados. Sob pressão, a prefeitura e a Sabesp prometeram novas frentes de trabalho para solucionar o impasse que afeta diretamente o meio ambiente e o prestígio da região.
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