A moradora de Praia Grande Jovenita Pereira está utilizando as redes sociais para expressar sua angústia com relação ao pouco caso da Prefeitura de Praia Grande com os portadores de necessidades especiais. Mãe de Lucas Pereira, portador de paralisia cerebral e autismo, Jovenita denuncia a falta de cadeiras anfíbias nas praias da cidade, fundamentais para o bem-estar das pessoas com deficiência.
“Há alguns anos, a cidade recebeu do Governo do Estado as cadeiras. Porém, estão guardadas, sem uso, na Prefeitura. Enquanto isso, muitos ficam olhando para o mar sem poder tomar banho, assim como meu filho, ou dependem da boa vontade de alguém muito forte para levá-lo ao mar”.
Praia Grande foi pioneira no Programa Praia Acessível, do Governo do Estado de São Paulo que, em fevereiro de 2010, com a presença do então governador José Serra, entregou as cadeiras no bairro Guilhermina. O programa é iniciativa da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência que disponibiliza cadeiras de rodas anfíbias em cidades do litoral, garantindo o pleno acesso das pessoas com deficiência às praias paulistas.
O equipamento não afunda na areia, que flutua e que precisa de acompanhante. As cadeiras utilizadas no Programa são feitas com um pneu especial que permite superar a dificuldade da areia e também não afundam dentro da água. A altura dela é compatível com a possibilidade do usuário sentir a água, numa profundidade não perigosa do mar. Existe facilidade na transferência porque os braços são removíveis.
Na época, o então viceprefeito de Praia Grande, Arnaldo Amaral havia garantido que a Prefeitura daria continuidade ao projeto. “Esse programa significa muito para o Município, pois temos a demanda. Estamos estudando uma forma de fácil acessibilidade. Já indicamos aproximadamente 12 locais para serem dotados com estes equipamentos. Praia Grande tem uma grande vantagem porque já temos estacionamento e rampas de acesso na orla da praia. As cadeiras especiais complementam nossas ações”, disse Amaral na ocasião.
Conforme o Programa, as cadeiras ficam disponíveis de terça-feira a domingo, das 9 às 17 horas. Em Praia Grande, o posto de atendimento ficará em frente à Praça Portugal. Para utilizar as cadeiras de rodas, é necessário apresentar os documentos do usuário e acompanhante, além de preencher um Termo de Responsabilidade. O serviço fica disponível em função da boa condição do mar.
Para atender a demanda, os postos deveriam ter uma equipe de três pessoas para orientar e auxiliar a entrada e saída do mar com as cadeiras de rodas anfíbias. O equipamento só pode ser utilizado com acompanhamento facilitador ou acompanhante, independentemente da condição física do usuário.

Insensibilidade
A insensibilidade da Prefeitura com relação ao atendimento de pessoas especiais já está se tornando crônica. Em menos de 15 dias, o Diário do Litoral publicou o caso de dois estudantes — Jackson Paula e Bruno Souto — que não têm respaldo da Prefeitura para poder estudar em Santos.
Leia aqui:
Papo de domingo – Jackson de Paula: “Sou insistente”
Deputada federal pede ajuda para Jackson Paula
A luta diária de Bruno Souto para estudar
Jackson Paula sofre atrofia muscular espinhal, que lhe permite apenas os movimentos faciais, pescoço e mão esquerda. Ele é aluno de Direito da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e, na última segunda-feira, conseguiu estar presente no primeiro dia de aula por conta da ajuda de outros estudantes. Jackson não se conforma porque a Administração, por outro lado, oferece transporte gratuito para alunos sem deficiência.
Bruno Souto é estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e pega três conduções por dia para ir e três para voltar da Faculdade de Tecnologia (Fatec). Ele é paraplégico e a trajetória diária via transporte público vem sendo um verdadeiro martírio. “Eu gostaria muito que existisse, em Praia Grande, um transporte gratuito e próprio para pessoas como eu e o Jackson Paula”, disse em reportagem do DL.
Diferente de Praia Grande, durante o verão, a Prefeitura de Bertioga garante o Programa Praia Acessível. Fica na Praia da Enseada, em frente à Casa da Cultura e à colônia de férias do Sesc. Os banhistas com deficiência podem tomar banho de mar com as cadeiras anfíbias, que estão à disposição diariamente e gratuitamente até as 17 horas.
Só em 2015
Embora o programa tenha sido inaugurado em 2010 e a cidade sendo usada como exemplo na região, a Prefeitura de Praia Grande informa que o projeto Praia Acessível está em andamento. Porém, para ser implantado na sua totalidade depende ainda de algumas obras que serão realizadas no calçadão da orla. O objetivo da Administração é evitar que o projeto seja implantado de forma provisória.
As cadeiras já estão à disposição do Município. Porém, a meta é tornar o programa mais abrangente. De acordo com o coordenador de Assuntos Metropolitanos, Rui Lemos Smith, que assumiu o projeto, o mesmo foi alterado de modo a atender um número maior de pessoas, incluindo mais uma área de acesso das cadeiras à praia, além da construção de áreas que funcionarão como vestiário para oferecer mais conforto aos usuários. Haverá ainda a instalação de uma esteira para facilitar o acesso das cadeiras até a água.
Quanto aos funcionários, a coordenadoria de Assuntos Metropolitanos esclarece que serão montadas equipes para o atendimento dos usuários que deverão contar com profissionais das áreas de Educação Física e Saúde. A previsão é de que as obras estejam concluídas no início de 2015 e, em seguida, tenha início a efetiva implantação do projeto.