Praia do Góes, em Guarujá, terá passarela iluminada

A passarela tem por objetivo repor o Caminho do Góes, uma trilha encostada nas pedras, de cerca de 800 metros, construída pelos moradores e destruída pelas ondas

Alertada pela reportagem do Diário do Litoral, veiculada no último domingo (4), revelando os reflexos negativos da dragagem do canal do Estuário de Santos ao meio ambiente e à população caiçara da Praia do Góes, a Prefeitura de Guarujá promoveu ontem uma incursão no local para obter informações dos moradores e, ainda, apresentar o pré-projeto de uma passarela elevada e iluminada, ligando o Góes à ao bairro de Santa Cruz dos Navegantes. Também apresentou um projeto de fossa séptica.

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A passarela tem por objetivo repor o Caminho do Góes, uma trilha encostada nas pedras, de cerca de 800 metros, construída pelos moradores e destruída pelas ondas. O Caminho permitia acesso mais ágil à Santa Cruz onde os moradores conseguem assistência médica, transporte público e outros serviços. A equipe da Prefeitura foi liderada pelo diretor de Atendimento ao Cidadão da Ouvidoria, o advogado Renato Cardoso. Também fez parte o arquiteto André Mendes, lotado na Secretaria de Planejamento.

Hoje, os cerca de 200 moradores se arriscam diariamente escalando pedras para sair do Góes a pé. Se quiserem mais segurança, são obrigados a um caminho longo e íngreme de morro. Eles acreditam que as recentes dragagens, promovidas pela Companhia Docas do Estado de São Paulo, com o objetivo de aprofundar o canal do Estuário para mantê-lo navegável para grandes navios, não só destruíram o caminho, mas também diminuíram a faixa de areia, enlamearam o mar e são responsáveis pela subida da maré, que invade casas e pequenos comércios. Barcos também estão tendo dificuldades para atracar pois o mar ficou mais revolto.

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André Mendes revelou que a passarela será construída com material resistente à maresia. “Estamos estudando ainda a melhor técnica e material empregado. Todos os trechos rochosos serão analisados para que o equipamento seja resistente à erosão. As etapas serão estudo preliminar, projeto básico, orçamento, licitação e construção. Por isso, ainda é cedo para prazos e custos”, explica o arquiteto.

Cardoso disse que a incursão também serviu para a Prefeitura obter conhecimento não só da falta de mobilidade em função da destruição do caminho, como inaugurar a Ouvidoria Itinerante. “Trouxemos técnicos de várias secretarias para explicar os projetos, atender às necessidades da população em termos de saúde, educação, transportes e outras, além de comunicar as responsabilidades da Administração e outros entes da Federação. Sobretudo, ouvir os moradores”, finaliza.

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Na Câmara, a situação da Praia do Góes está sob responsabilidade do vereador Manoel Francisco dos Santos Filho, o Nequinho (PMN), que também acompanhou a equipe de Prefeitura. Ele reforçou que antes da dragagem, a areia era clara e dura para pisar. Hoje, estão tomadas por lama preta e sedimentos tóxicos. Ele também chama atenção para impactos na fauna marinha, dada à grande mortandade de peixes verificada por pescadores. Nequinho preside uma comissão parlamentar que analisa os impactos ambientais desde a realização de serviços de dragagem. A comissão tem até o final do ano para apresentar um relatório, que será analisado pelo plenário e definirá as medidas legais cabíveis.

CODESP.

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A Codesp já se manifestou, garantindo que, desde 2010, em atendimento ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), monitora o comportamento morfossedimentar das praias, incluindo a do Góes, onde foram efetuados estudos aprofundados complementares para avaliar com mais detalhe os fenômenos, cujos resultados indicam que a obra de dragagem de aprofundamento não se configura no agente causador dos processos erosivos e deposicionais observados.A Codesp diz que vai continuar o monitoramento, em atendimento à Licença de Operação do Porto Organizado de Santos. Com relação à recuperação do Caminho do Góes, entende ser de responsabilidade da municipalidade.