No norte da Bahia, às margens do Rio São Francisco, existe uma história digna de roteiro de cinema. A antiga cidade de Rodelas — lugar onde o ator Wagner Moura viveu parte de sua infância — hoje não pode mais ser visitada por terra. Ela descansa no fundo do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaparica, após ser sacrificada em nome do progresso nos anos 80.
O que sobrou dessa ‘cidade submersa’ e como é a vida de quem precisou ver seu passado ser inundado pelo Velho Chico?
O mistério da cidade sob as águas
Antes da inundação, Rodelas era uma típica vila ribeirinha: ruas estreitas, casas térreas e uma conexão umbilical com o rio. Tudo mudou quando o projeto da hidrelétrica exigiu a criação de um gigantesco lago artificial. Vilas, quintais e igrejas foram fisicamente apagados, transformando o que era chão em leito de rio.
A infância de Wagner Moura e a memória viva
Para muitos, Rodelas é apenas um ponto no mapa, mas para figuras como Wagner Moura e milhares de famílias locais, a cidade é uma memória afetiva que sobrevive apenas em relatos. A reconstrução da cidade, feita pela Chesf a 8 km do local original, trouxe modernidade e ruas largas, mas não conseguiu apagar o luto pela perda do território original.
Como se reconstrói uma cidade do zero?
A transferência de Rodelas foi um processo complexo que envolveu:
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Mapeamento: Identificar o que seria devorado pela água.
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Planejamento Urbano: Criar uma cidade com redes de energia e água do zero.
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Ruptura: O deslocamento forçado de uma população que vivia da pesca e da agricultura de subsistência.
Rodelas Hoje: Entre o progresso e o passado
A nova Rodelas é um exemplo de resiliência. Embora o urbanismo seja planejado e funcional, a alma da cidade ainda olha para o reservatório Luiz Gonzaga.
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Nova Paisagem: Ruas simétricas que contrastam com o antigo traçado orgânico.
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Economia: Uma nova relação com o rio, agora mediada pelo imenso lago artificial.
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Identidade: A constante lembrança de que, sob aqueles metros de água, existe uma “cidade fantasma” que guarda as raízes da região.
Rodelas prova que uma cidade é muito mais do que concreto e tijolos: é a memória de um povo que, mesmo vendo sua terra sumir, não permitiu que sua história fosse afogada.
