Eram 16h32, quando o corpo do sindicalista Robson Apolinário, de 61 anos, deixou a sede do Sindicato dos Operários Portuários (Sintraport), onde foi velado desde à tarde de quarta-feira, sendo conduzido no carro funerário da Santa Casa de Santos para o cemitério da Filosofia, no bairro do Saboó.
O seu desejo, manifestado sempre em conversas com colegas de diretoria e portuários, de ser velado na sede do sindicato, foi realizado pelo presidente Claudiomiro Machado, Miro, com autorização de familiares. O velório começou na tarde de quarta-feira e se estendeu por toda a noite e continuou até o momento do enterro.
“Vai com Deus meu companheiro”, disse Luiz Augusto de Almeida, antigo companheiro de luta do ex-presidente do Sintraport, que naquele momento falava com a reportagem do DL ao lado do carro funerário.
Após enxugar as lágrimas, Augusto, que é presidente da Aposintra (Associação dos Aposentados do Sintraport), falou sobre a longa convivência com Apolinário, que vem muito antes dele ter sido eleito ao primeiro mandato de presidente no sindicato (foram quatro mandatos consecutivos de 2003 a 2014).
“Nós formamos um grupo de oposição, mas fomos derrotados em nossa primeira eleição, entretanto, três anos depois, ele foi eleito presidente e, juntos, fizemos nosso trabalho. Tínhamos um relacionamento de irmão. Ele era combativo, sabia comandar a categoria e sua marca registrada era o diálogo com muita luta e disposição”.
E prosseguiu: ”Sua luta não foi em vão. Seu legado servirá de exemplo para todos nós e mais ainda para o fortalecimento da categoria na batalha pela preservação do mercado de trabalho e dos direitos dos trabalhadores portuários e avulsos”, concluiu o presidente do Aposintra.
Velório
Familiares, amigos, políticos, associados e sindicalistas de várias categorias de trabalhadores da Baixada Santista acompanharam o velório de Robson Apolinário, realizado no Salão Nobre do Sintraport.
Todos os que conviveram com Robson informaram que sua característica principal era o diálogo e a luta pelos direitos dos trabalhadores portuários. Ou seja: um sindicalista que sabia conversar e que sabia mobilizar a categoria para a luta.
Ele morreu de infarto, na noite de terça-feira, quando voltava de Praia Grande a trabalho pelo sindicato.
FNP
A Federação Nacional dos Portuários (FNP), através de sua diretoria se manifestou: “Robson Apolinário sem dúvidas deixou sua marca registrada na história da luta dos trabalhadores dos portos. Não somente como sindicalista combativo que foi, mas também como militante fiel que lutou incansavelmente na defesa dos direitos e das conquistas dos portuários e portuárias”.