Portuários deflagram operação padrão de 72 horas

Estivadores trabalham em esquema de operação padrão em todos os terminais da margem direita e esquerda do porto de Santos, desde às 13 horas de ontem

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27 FEV 201322h37

A paralisação será de 72 horas até que sejam cumpridas as normas de segurança previstas na Norma Regulamentadora 29, de segurança e saúde do trabalhador portuário. A operação padrão foi deflagrada quando o presidente do Sindicato dos Estivadores Rodnei Oliveira da Silva iniciou a vistoria das condições de segurança a partir do Terminal da Santos Brasil, onde um trabalhador morreu no sábado e outro sofreu acidente, na manhã de ontem. O trabalhador do Bloco, José Barbosa de Araújo, fazia a apeação da carga quando foi atingido na cabeça. Ele foi socorrido e passa bem.

“Vamos continuar vistoriando todos os terminais nas próximas 72 horas e onde for constatada a falta de segurança a gente pára a operação”, declarou Nei. Consternado pela morte dos companheiros, Nei pediu o apoio do prefeito de Santos João Paulo Tavares Papa no final da tarde de ontem, em reunião no Paço Municipal, da qual participaram ainda o secretário de Assuntos Portuários Sérgio Aquino e representantes dos trabalhadores avulsos do Sintraport, Sindogeesp, Sindaport, Consertadores, Rodoviários, Vigias Portuários, Conferentes de Carga e Descarga,  e Trabalhadores do Bloco.

Segundo o prefeito, a reunião foi convocada devido as mortes de oito trabalhadores portuários registradas desde novembro do ano passado. “Nossos trabalhadores estão morrendo por falta de segurança e segurança é tudo que estamos reivindicando nesse movimento”, disse Nei. Durante a reunião, os sindicalistas elencaram as irregularidades nas condições de segurança no porto e o descumprimento da NR-29, da Lei de Modernização dos Portos.

Papa afirmou que as reivindicações e os problemas apontados serão formalizados em um documento que será entregue ao ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito. O prefeito disse ainda que os problemas levantados serão discutidos hoje com o Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp), Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) e a Codesp (Autoridade Portuária) afim de que se tome as medidas necessárias para evitar mais acidentes no porto.

O secretário de Assuntos Portuários anunciou a criação de um Centro de Referência de Qualificação para os trabalhadores portuários avulsos. O poder público entende que a qualificação profissional dos avulsos é mais uma medida para a redução de acidentes no porto.