Porto de Santos tem o maior incêndio de sua história

O fogo destruiu seis armazéns da Copersucar, 180 mil toneladas de açúcar e deixou quatro feridos na manhã de ontem (18)

Um incêndio de grandes proporções ocorrido ontem no Porto de Santos, que perdurou por aproximadamente seis horas, destruiu seis armazéns e 180 mil toneladas de açúcar do Terminal Açucareiro Copersucar – o maior exportador do produto do Brasil. O acidente foi considerado pela autoridade portuária como o maior da história.

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Quatro funcionários da Brigada de Fogo da empresa ficaram feridos. Um teve queimaduras graves pelo corpo e permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos. A empresa revelou que dois continuam em observação e o quarto foi liberado. Nenhum corre risco de morte. A Copersucar está prestando todo o apoio necessário aos feridos e aos seus familiares.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos) teve que organizar uma operação de fluidez no trecho entre a Alfândega de Santos e o elevado da Avenida Perimetral. Por medida de segurança, os caminhões de carga, que estavam entre os armazéns internos e externos para descarregar produtos, foram retirados do corredor de exportação.

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O fogo começou às 6 horas e, por volta das 11, ainda não havia sido totalmente controlado. Bombeiros de Santos e de toda região, inclusive de São Bernardo e Santo André, foram acionados para ajudar no combate às chamas, que começaram com a explosão dentro da moega – um instrumento que conduz o açúcar para uma correia que transporta o material para dentro do armazém.

Victor Bispo de Paula, funcionário terceirizado da Copersucar, que estava trabalhando desde 21 horas da quinta-feira, disse que o fogo começou nos armazéns 20 e 21 e se espalhando de um armazém para o outro por intermédio das esteiras. “Já está praticamente tudo condenado”, disse, por volta das 7h30.

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O supervisor Guilherme Vasconcelos Lemes revelou que o fogo se alastrou de forma rápida, atingindo os armazéns 11 e 16. “As equipes se mobilizaram, mas não deu para segurar. Se não conseguirmos conter o fogo, o estrago será ainda maior”, adiantava minutos depois.

Por volta das 7h50, pelo menos dois dos seis armazéns atingidos já estavam totalmente destruídos. Apesar das tentativas dos bombeiros, o fogo continuou se alastrando atingindo, por volta das 8h40, mais dois armazéns.

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Às 9h30, a preocupação dos bombeiros estava voltada em minimizar os estragos do incêndio ocorrido após a explosão de um dos três tambores de óleo hidráulico – produto altamente inflamável – localizado no armazém 21 externo. Os bombeiros conseguiram isolar a área e evitar novas explosões.

Além de um grande efetivo do Corpo de Bombeiros, equipes da Defesa Civil, da Guarda Portuária e da Polícia Militar participaram dos trabalhos. Dezenas de funcionários das empresas próximas auxiliaram as equipes. Navios rebocadores auxiliaram no combate ao fogo, jogando água do mar nos armazéns incendiados.

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O helicóptero Águia, da Polícia Militar, chegou ao local por volta das 10h45 para ajudar no combate ao fogo, auxiliando as equipes que trabalhavam em terra. A Sabesp e empresas do porto encaminharam dezenas de caminhões pipa.

O calor e cheiro muito forte eram sentidos a quase meio quilômetro do local. Segundo um funcionário da empresa, a situação piorou quando uma das esteiras desabou e rompeu a linha de hidrantes e tubulaçãolocalizada no lado externo dos armazéns, cortando a água.

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A Copersucar perdeu praticamente toda sua linha operacional, que envolve os terminais 20 e 21 internos, além dos terminais 6, 11, 16 e 21 externos. No terminal 11 o teto chegou a desabar e o galpão ficou completamente destruído. 

Segundo a Defesa Civil, mesmo controlado, o rescaldo do incêndio deverá perdurar dias. Dos seis armazéns atingidos, pelo menos quatro ficaram completamente comprometidos, do telhado aos alicerces. Quem presenciou o incêndio tinha a impressão que fogo transformou a forte estrutura de alumínio e aço em papel.

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O coordenador técnico da Defesa Civil, Ernesto Tabuchi, confirmou que os bombeiros conseguiram montar um cordão de isolamento com uma linha de água do mar. “Todas as esteiras que ligavam os armazéns foram cortadas e foram montadas linhas de contenção do fogo. Mas o que está dentro dos armazéns se perdeu. O trabalho dos bombeiros não é apagar o fogo, mas contê-lo para evitar mais estragos”, disse Tabuchi.

O coordenador disse que, apesar das dificuldades com relação à precariedade viária, estrutural e de segurança do Porto, o combate ao incêndio obteve resultados satisfatórios. “A atuação dos bombeiros foi boa. Todo sistema industrial tem que ter um sistema de combate a incêndios funcional. Mas eu não tenho como avaliar se os sistemas falharam”.

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Um técnico de segurança que preferiu não se identificar revelou a área portuária não tem captação de água própria, fundamental nesses tipos de acidentes. “Esses armazéns precisariam, a cada três metros, ter canhões de água móveis. Qualquer lugar, quando se pensa em segurança, providencia esses instrumentos. Aqui, na região, as empresas não possuem. A única empresa que tem é a Petrobrás. O resto é o resto”.  

Incêndio é considerado o maior da história

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O incêndio já é considerado o maior da história do porto, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a autoridade portuária. O volume de carga perdido – 180 mil toneladas – representa o equivalente a nove meses de embarque. Pela cotação atual, a perda desse volume de açúcar representaria um prejuízo de aproximadamente R$ 130 milhões.

Os terminais atingidos representam 25% da capacidade de embarque de açúcar do Brasil em um ano (seis milhões de toneladas). Neste ano, até setembro, o Brasil exportou 13 milhões de toneladas de açúcar, faturando US$ 5,9 bilhões. Não se sabe quanto tempo será necessário até que os embarques sejam normalizados.

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O incidente afetou os preços do açúcar nas bolsas mundiais. Logo nas primeiras horas do acidente, a cotação subiu 6% e atingiu o maior nível em um ano. Isso ocorreu porque o Brasil é o maior exportador de açúcar do Mundo e responde por 47% da exportação mundial.

Na opinião do economista Jorge Manoel, o incêndio não afetará o preço da venda de açúcar no País. “O Brasil é o grande abastecedor de açúcar no mundo. O impacto vai ser na importação do produto. Acredito que o preço não será alterado, é difícil fazer uma previsão de quanto significa no mercado 5% da perda de açúcar para exportação. Acho que isso não irá interferir no valor”.

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Manoel afirma que problemas podem ocorrer por conta do medo das pessoas. “O que pode acontecer é da parte psicológica das pessoas. Delas ficarem com medo do alto preço e passarem a comprar quilos de açúcar com esse receio. Dessa maneira, não tem estoque que aguente uma alta demanda de compra”.

Novo terminal durou pouco

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O novo Terminal Açucareiro da Copersucar afetado pelo incêndio foi inaugurado no dia 5 de junho deste ano. A obra faz parte do plano de investimentos em infraestrutura logística da empresa, calculado em R$ 2 bilhões até 2015.

Com a ampliação, o terminal contava com dois armazéns dedicados ao estoque de açúcar ensacado, com capacidade para 35 mil toneladas, e dois de açúcar a granel – 185 mil toneladas. Os seis galpões da Copersucar têm capacidade de armazenamento de 300 mil toneladas.

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Além da área da empresa, o porto de Santos tem ao menos outros quatro terminais açucareiros, que não foram afetados. Ao todo, o porto, que é o maior da América Latina, tem 62 terminais. Os demais estão operando normalmente

Em nota, a Copersurcar afirmou que a prioridade da empresa foi o combate ao incêndio e o atendimento das vítimas. A empresa só se pronunciará a respeito dos prejuízos após a operação de rescaldo do incêndio. Os galpões não estavam completamente cheios quando o incêndio começou.

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“No momento, a companhia está desenvolvendo um plano de contingência para suas operações, buscando minimizar os impactos do incidente”, destacou a Copersucar, sem detalhar qualquer alteração em seus prazos de entrega. O incêndio foi controlado pelos bombeiros e as operações de rescaldo continuam.

Codesp avalia os estragos

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Avaliação preliminar da Companhia de Docas do Estado de São Paulo (Codesp) aponta que as instalações da Copersucar foram totalmente comprometidas. A informação consta de nota divulgada pela Secretaria Especial de Portos (SEP) da Presidência da República.

O novo chefe da SEP da Presidência, Antônio Henrique Silveira, telefonou para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para agradecer a atuação do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar (PM) no episódio, afirmou a secretaria.

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Silveira também pediu ao prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), ao capitão dos Portos do Estado, comandante Marcelo Ribeiro de Souza, à Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha do Brasil e aos dirigentes da Copersucar que trabalhassem de forma integrada.

Em Salvador para discutir a proposta do governo federal para os leilões de arrendamentos portuários na Bahia, o chefe da SEP da Presidência enviou a Santos o secretário executivo da pasta, Mário Lima.