Porto de Santos deverá crescer três vezes mais nos próximos 15 anos

A estimativa é fruto do plano de expansão apresentado ontem juntamente com estudo de acessibilidade, pela Codesp e pelo ministro dos Portos Pedro Brito

Comentar
Compartilhar
19 JAN 201320h45

Um porto três vezes maior em extensão territorial e capacidade de movimentação de carga, com logística de acesso que atenda toda a cadeia produtiva portuária dos próximos 15 anos.

Esse é o cenário projetado para o Porto de Santos a partir do plano de expansão e do estudo de acessibilidade, que foram apresentados ontem pelo ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, pelo presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Roberto Correia Serra, e pelo diretor de Planejamento e Controle da estatal, Renato Barco, no Terminal de Passageiros do Concais.

O principal destaque do plano de expansão é a necessidade de investimentos públicos na infraestrutura de acesso que atenda toda a movimentação do Porto, projetada para o período até 2024. 

A logística em estudo destaca, principalmente, investimentos nos modais ferroviário, hidroviário e dutoviário, sem excluir o modal rodoviário, que também necessita de melhorias.

Porém, a discussão foca na necessidade de investimentos no sistema ferroviário e transporte por barcaças para aliviar o sistema rodoviário, atualmente já estrangulado nos acessos ao porto de Santos, e que ficará caótico segundo projeções para o ano de 2019, principalmente no sistema Anchieta-Imigrantes.

“Então, as autoridades -- governo federal, estadual e municipal -- têm que estar preparadas para essa nova realidade, e investir, principalmente, nos acessos aquaviários e terrestres”, afirmou o ministro Pedro Brito. 

“O setor público tem que preparar toda a região da Baixada Santista para que essa região e, em especial, o porto de Santos, para que continuem atraindo os investimentos privados para o crescimento da economia brasileira”.

Brito salientou que o Porto de Santos deverá continuar responsável por um quarto da balança comercial brasileira, mesmo que em 2.024 o porto de Santos esteja movimentando 9 milhões de TEU’s (contêineres), três vezes mais do que hoje, cuja movimentação é de cerca de 3 milhões de TEU’s.

Brito salientou que o plano de expansão será revisado a cada cinco anos. “Vamos mostrar ao longo de cada cinco anos todas as necessidades de investimentos públicos para que a Baixada Santista possa dar conta desse crescimento do porto”, e Brito acrescentou “nós vimos que a expansão prevista para Santos retira o gargalo de dentro para fora do porto, trazendo acessibilidade terrestre”.

Ferrovias

Uma das políticas da Codesp, segundo o presidente José Roberto Correia Serra é incentivar a iniciativa privada a investir em ferrovias para o escoamento de boa parte da carga que chega ao Porto de Santos.

“Nós vamos incentivar o transporte ferroviário. É uma discussão que extrapola as fronteiras do Porto e vai ao encontro das medidas do próprio (governo) Estado e concessões das empresas ferroviárias”. O ministro destacou que é preciso investir cada vez mais em ferrovias. “Hoje apenas 13% é de ferrovias e nós pretendemos dobrar até 2024”.

R$ 4 bi para expansão

Serra afirmou que os investimentos já estão sendo executados. “Já temos aí em andamento R$ 4 bilhões em investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal) como também do setor privado.

Temos ampliações de pátios de contêiner, de terminais de suco de laranja, movimentação de granéis sólidos, ampliação na infraestrutura, dragagem (aprofundamento de calado de 15 metros) que inicia em fevereiro (dia 15), derrocagem, que já está consolidada pela Secretaria Especial de Portos. Diversos projetos encaminhados num curtíssimo prazo como também as perimetrais de Guarujá e Santos”.

Segundo Serra há projetos que complementam a oferta de infraestrutura no curto prazo que demandam outros US$ 3,5 bilhões. “A gente viu aqui na apresentação que há também investimentos em curto prazo de US$ 3,5 bilhões em terminais que vão ter que ser construídos para adequar o projeto de demanda do Porto de Santos”.

De acordo com Serra será preciso “capitanear esse investimento através de arrendamentos portuários distribuídos em todas as áreas nos próximos quatro ou cinco anos para que essa oferta de infraestrutura junto com a oferta de acessos seja aquaviário pela dragagem ou acesso rodoviário pelas perimetrais estejam de pleno acordo com o crescimento da economia para o porto de Santos”.

A segunda etapa do projeto é o debate sobre os acessos ferroviários e rodoviários fora dos limites da área do porto. “Portanto, precisamos pensar em uma lógica conjunta: desenvolver a dragagem, o cais, a oferta de infraestrutura, os acessos rodoviários e ferroviários dentro do porto, mas, sobretudo, os acessos rodoviários, ferroviários e dutoviários nas origens fora da região do porto para que haja compatibilidade de investimentos”.

Porto Cidade

O prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa, declarou que vai colaborar no processo de expansão do Porto. “O plano de expansão segue em harmonia com os planos diretores das cidades de Santos e Guarujá.

No caso de Santos, onde a maior parte do que foi apresentado hoje (ontem) acontecerá, nós estamos apoiando e ao mesmo tempo preparando um planejamento da Cidade com muita responsabilidade. O objetivo é criar condições de expandir, mas sem perda de qualidade de vida”.

“Os portos do mundo que têm sucesso são, em geral, administrados por seus municípios. Nós precisamos avançar para que os gestores municipais possam participar das decisões portuárias”, afirmou o secretário de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, Sérgio Aquino, que também preside o Conselho de Autoridade Portuária (CAP).

PDZ

O plano de expansão do porto e o estudo da logística de acesso serão incorporados no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos (PDZ), da Codesp. “O PDZ será transformando num plano e vai ser exeqüível ao longo dos 15 anos”, disse o ministro dos Portos, anunciando ainda que o PDZ será concluído em seis meses.

Granéis na margem esquerda

Em sua apresentação do estudo de acessibilidade, o diretor de Planejamento e Controle da estatal, Renato Barco, apontou a instalação de terminais de contêineres na Ponta da Praia e a transferência dos terminais de granéis sólidos para a margem esquerda do porto, em Conceicãozinha, em Vicente de Carvalho.

O consultor público e presidente do PTB de Guarujá, Carlos Henrique da Fonseca, Carlinhos Saraiva, acompanhou toda a apresentação do plano de expansão do porto e do estudo de logística de acesso e afirmou que acredita no trabalho conjunto entre governos e iniciativa privada para o crescimento do porto nos próximos 15 anos.

“Um porto público gerido pela iniciativa privada com recursos privados é fundamental na consolidação da geração de empregos e qualidade de vida, nas cidades portuárias da Baixada Santista, Guarujá e Santos”.
   
R$ 100 milhões do PAC

O ministro disse ontem que a cidade de Santos receberá R$ 100 milhões do PAC para investimento em novo terminal de passageiros, no cais da margem direita, que deverá dobrar a capacidade de recepção de passageiros na temporada de verão.

Rios Tietê e Pinheiros

Em sua explanação, o secretário de Estado dos Transportes, Mauro Arce, destacou projeto de acesso hidroviário, com transporte de carga feito pelos rios Tietê e Pinheiros, na Capital Paulista, por barcaças. “O Estado se coloca como parte interessada nesse processo (acessibilidade e expansão do porto)”, declarou Arce, apontando os problemas dos gargalos de tráfego nas rodovias que ligam a Capital ao Porto de Santos.

Estudos

O plano de expansão do porto de Santos foi desenvolvido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com a SEP, durante 11 meses, com um investimento de US$ 1,3 milhão. Através desse estudo serão localizadas áreas para novos terminais e cargas, projetando demandas para os próximos 15 anos e a infraestrutura necessária a este crescimento.

Já o estudo de acessibilidade foi feito durante sete meses pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), ao custo de R$ 750 mil. O estudo foi encomendado pela Codesp para complementar a pesquisa do BID.