Porto de Santos comemora 126 anos com ações de desenvolvimento

Complexo portuário bateu, em 2017, um novo recorde anual de movimentação de cargas em 2017, atingindo o total de 129.865.022 toneladas

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02 FEV 2018Por Da Reportagem10h00
A projeção de demandas de cargas para o Porto em 2020 é de 151 milhões de toneladasA projeção de demandas de cargas para o Porto em 2020 é de 151 milhões de toneladasFoto: Rodrigo Montaldi/DL

O projeto Hidrovia da Baixada Santista, modal logístico que permitirá a movimentação de cargas entre os rios da região e o Porto de Santos será lançado nesta sexta-feira, data em que o complexo comemora 126 anos. Dentro da programação, também ocorrerá a inauguração das obras de recuperação e reforço do cais entre os armazéns 12ª e 23, no Paquetá.

De acordo com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), as obras no trecho do Paquetá permitirão o aprofundamento dos berços de atracação existentes naquele local para até 15 metros.

O projeto Hidrovia será lançado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp)no auditório do Parque Balneário Hotel, no Gonzaga, às 10h, dando início à programação de aniversário. O evento contará com a presença do ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPA), Maurício Quintela Lessa.

Segundo a Codesp, estudos apontam um potencial em torno de 200 quilômetros de vias navegáveis na região.

A projeção de demandas de cargas para o Porto em 2020 é de 151 milhões de toneladas e o uso de hidrovias é visto como fundamental para atender a demanda de forma eficiente, sem gerar transtornos para a ­comunidade.

Recorde em 2017

O Porto de Santos bateu, em 2017, um novo recorde anual de movimentação de cargas em 2017, atingindo o total de 129.865.022 toneladas, 14,1% a maior que o verificado no ano anterior e 8,3% acima da então melhor marca anual, ocorrida em 2015 (119.931.880 toneladas). O movimento, de acordo com a Codesp, superou em 6,4% a estimativa inicial de janeiro passado, que apontava para um total de 122.014.481 ­toneladas.

A exportação, responsável por 72,04% do movimento físico geral, apresentou crescimento de 14,9%, impulsionada, principalmente, pelas altas de 79,8% do milho (14.280.349 toneladas), de 13,6% do chamado complexo soja ((21.733.202 toneladas), formado por grão e farelo, e de 1,9% do açúcar (20.631.811 toneladas).  Somente estas commodities representaram 60,6% do total exportado  e 43,6% do movimento geral de cargas operadas pelo Porto de Santos em 2017.

A importação atingiu crescimento de 12,1%, com destaque para as descargas de adubo, a de maior movimentação nesse fluxo, com 4.138.878 toneladas, registrando alta de 16,6%. Na sequência, com 48,2% de aumento, aparece óleo diesel e gasóleo (2.733.430 toneladas). Outra carga que obteve bom desempenho foi o enxofre (1.812.575 toneladas), largamente utilizado para produção de fertilizantes, com 4,6% de ­aumento.

A carga conteinerizada apresentou bom desempenho, totalizando 3,8 milhões TEU (medida padrão, equivalente a um contêiner de 20 pés), um crescimento de 8,1% sobre o resultado do ano passado (3,5 milhões TEU). A tonelagem de carga acondicionada nos contêineres obteve excelente desempenho, alcançando 10,2% de incremento, com 44.534.271 toneladas, equivalente a 34,3% do total operado no Porto de Santos.
Ao longo de 2017, o fluxo de atracação chegou a 4.854 navios, 2,8% a maior que em 2016.

Balança Comercial
O porto também registrou recorde histórico em 2017 quanto ao valor comercial das mercadorias operadas por Santos. Com o total de US$ 103,3 bilhões em cargas movimentadas nos dois fluxos (importação e exportação).

História

O marco oficial da inauguração do Porto de Santos é 2 de fevereiro de 1892, quando a então Companhia Docas de Santos - CDS, entregou à navegação mundial os primeiros 260 m de cais, na área, até hoje denominada, do Valongo. Naquela data, atracou no novo e moderno cais, o vapor "Nasmith", de bandeira inglesa.

Com a inauguração, iniciou-se, também, uma nova fase para a vida da cidade, pois os velhos trapiches e pontes fincados em terrenos lodosos foram sendo substituídos por aterros e muralhas de pedra.

Em 12 de julho de 1888, pelo Decreto nº 9.979, após concorrência pública, o grupo liderado por Cândido Gaffrée e Eduardo Guinle foi autorizado a construir e explorar, por 39 anos, depois ampliado para 90 anos, o Porto de Santos, com base em projeto do engenheiro Sabóia e Silva. Com o objetivo de construir o porto, os concessionários constituíram a empresa Gaffrée, Guinle & Cia., com sede no Rio de Janeiro, mais tarde transformada em Empresa de Melhoramentos do Porto de Santos e, em seguida, em Companhia Docas de ­Santos.

Inaugurado em 1892, o porto não parou de se expandir, atravessando todos os ciclos de crescimento econômico do país,  até chegar ao período atual de amplo uso dos contêineres. Açúcar, café, laranja, algodão, adubo, carvão, trigo, sucos cítricos, soja, veículos têm feito o cotidiano do porto, que já movimentou mais de l (um) bilhão de toneladas de cargas diversas, desde 1892, até hoje.

Em 1980, com o término do período legal de concessão da exploração do porto pela Companhia Docas de Santos, o Governo Federal criou a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).