Porteiro desempregado luta pelo filho especial

Jackson Santana de Jesus luta para sustentar a mulher e três filhos; um deles é vítima de paralisia cerebral e precisa de um leite especial para sobreviver

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19 JAN 201422h06

“Minha guerra já dura 11 anos. Meu Kaue teve um problema ao nascer”. A frase, interrompida por não conseguir conter a emoção, é do porteiro Jackson Santana de Jesus, desempregado, pai de três filhos. Durante o tempo que a reportagem esteve no apartamento alugado onde mora, Jackson preferiu deixar a esposa Joselene contar parte da história do pequeno Kaue, primeiro de seus três filhos.

“Na verdade, por um erro médico, meu menino nasceu depois da hora. Ele teve falta de oxigênio no cérebro, ficando dois meses em uma unidade de terapia intensiva neonatal. Ele saiu do hospital com uma lesão cerebral, que ele carregará para o resto da vida”, conta Joselene, transparecendo uma força incomum.

Deste então, ela revela que a família vem travando uma verdadeira guerra para dar a pequeno Kaue uma vida digna que, segundo ela, pode durar muito pouco. É que o plano de saúde (Unimed) do casal está atrasado quatro meses, o que pode interromper o tratamento em domicílio.

Para piorar, o plano de saúde também é responsável por fornecer um leite especial, de fundamental importância para Kaue, cuja lata de 400 gramas custa R$ 175,00. “Para suprir as necessidades de meu filho, é preciso alimentá-lo com 200 gramas por dia. Ou seja, uma lata dura somente dois dias. Sem esse alimento, Kaue perde peso rapidamente”, conta Jackson, olhando o menino no colo da esposa.

Uma lata de 400 gramas do leite especial custa R$ 175 e dura dois dias (Foto: Luiz Torres/DL)

Outros tratamentos

Além do tratamento em casa e do leite, Kaue precisa de remédios antialérgicos e contra depressão (que custam entre R$ 50,00 e R$ 200,00) e da assistência de especialistas, como fonoaudiólogo e fisioterapeuta. Mas a família não tem condições de arcar com as despesas.

“Ele fazia equoterapia de graça (método terapêutico e educacional que utiliza cavalos), pela Prefeitura de Santos, mas a fila é muito grande o Kaue só consegue o tratamento uma vez a cada dois meses”, conta Joselene, enfatizando que o menino melhora significativamente quando consegue uma vaga e que ele ainda está próximo de se submeter a uma cirurgia gástrica.

Jackson, que recebe o seguro desemprego, afirma que consegue pagar o aluguel porque está morando com os pais. Com relação ao leite, ele afirma que não consegue ajuda governamental para o menino. “O governo já negou meu pedido por duas vezes. Não sei o que vou fazer quando a Unimed suspender o tratamento e o leite, ministrado por intermédio de uma sonda”.

Para piorar, o menino necessita de aparelhos ortopédicos que custam cerca de R$ 1 mil. “Nós conseguimos comprar os primeiros, mas agora não dá mais. Ele cresce e perde o equipamento. Aí, nos doamos para pais que também necessitam”, afirma Joselene.

O porteiro tem esperança. “Eu tenho fé que vou conseguir um emprego. Ganhava pouco, cerca de R$ 1.200,00, mas muito importante para ajudar nas despesas”. A família vem sobrevivendo do salário mínimo que o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) envia a Kaue.

“Nossas despesas são bem superiores. Só para fazer um tratamento na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), em São Paulo, o custo é de R$ 300,00. Não dá para levar Kaue. O carro gratuito, cedido pela Prefeitura, é de uso coletivo e impróprio para levar meu filho”, finaliza Joselene.