Portaria que reconhece crise hídrica é apenas ‘burocrática’, diz Alckmin

O governador participou da inauguração da 15ª fábrica da Unilever no Brasil, em Aguaí. O município, inclusive, está em racionamento de água desde a semana passada

Um dia após publicar uma portaria reconhecendo oficialmente que a situação hídrica do sistema Alto Tietê é crítica, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a dizer que não vai faltar água e pediu esforço da população para evitar os desperdícios. O governador participou da inauguração da 15ª fábrica da Unilever no Brasil, em Aguaí, no interior do Estado. O município, inclusive, está em racionamento de água desde a semana passada. O serviço de saneamento é municipal.

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“Agora é importante o uso racional da água, evitar desperdício”, disse o governador. Ele voltou a garantir de que não haverá falta de água para abastecimento na Grande São Paulo. “Não vai faltar água”, afirmou.

Na portaria publicada nesta terça (18) no “Diário Oficial” do Estado, o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) afirma que “ações de caráter especial deverão ser adotadas visando assegurar a disponibilidade hídrica”. O órgão, porém, não informa quais medidas poderão ser tomadas.

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Questionado, o governador afirmou que não há nenhuma decisão de limitação de água para a indústria ou para a agricultura na região, como já acontece na região de Campinas, para os usuários na bacia do rio Camanducaia. Desde segunda-feira (17), as indústrias têm de reduzir em 30% a captação. Já as empresas de saneamento e pecuaristas terão que reduzir em 20%.

“A portaria tem o objetivo claro de alertar dizendo: ‘olha, nós estamos sobre uma crise hídrica, não tem chovido e é preciso, então, ter o esforço coletivo de todos'”, afirmou.

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Sobre a portaria, afirmou que se trata de uma ação “burocrática, normal do Daee”.

“Não vai faltar água. Já tínhamos dito lá atrás que estávamos preparados para o período seco, que não estávamos contando com a chuva”, disse, ao comentar as obras emergenciais de interligação dos sistemas de abastecimento.

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Multa

Na portaria, o Daee considerou a continuidade da estiagem que atinge o Estado desde o ano passado, o potencial negativo dessa situação na região e as obrigações do governo de evitar riscos ao abastecimento público.

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Pelo documento, usuários de água que não se utilizarem de maneira correta do recurso poderão ser multados. Na região de Campinas, usuários que não respeitam o limite de captação podem ser multados em R$ 11 mil.

O governador afirmou ainda que três obras estruturantes estão sendo realizadas para garantir a segurança hídrica na Grande São Paulo e na região de Campinas. Todas elas, porém, têm previsão de entrega só a partir de 2016.

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Uma delas é o sistema produtor São Lourenço, cuja previsão de conclusão é para o próximo ano. Ela vai acrescentar, em média, 4.500 litros de água por segundo na região da Grande São Paulo.

A outra é a interligação da bacia do rio Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, com possibilidade de aumentar em 5.000 mil litros por segundo a vazão no conjunto de reservatórios. A previsão final de conclusão é 2018.

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Já para a região de Campinas, a intenção é construir dois reservatórios, Pedreira e Duas Pontes, até 2018. O projeto está em fase de licenciamento ambiental e ainda não há recursos garantidos.