Por reajuste, servidores de Santos deflagram greve geral

Paralisação teve adesão de 72% dos profissionais da educação; Prefeitura estima 30% de adesão total

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09 MAR 2017Por Rafaella Martinez16h18
Servidores de Santos paralisam serviços e protestam pelas ruas do CentroServidores de Santos paralisam serviços e protestam pelas ruas do CentroFoto: Matheus Tagé/DL

A Praça Mauá e as ruas do Centro Histórico de Santos foram tomadas na manhã desta quinta-feira (9) por aproximadamente oito mil funcionários públicos ligados ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) de Santos na maior greve geral da cidade desde 1995. O setor mais impactado foi a educação, onde 72% dos profissionais aderiram à paralisação, o que comprometeu as aulas de mais de 13 mil alunos. Nas demais áreas, a Administração estima a adesão de menos de 30% dos profissionais; o sindicato fala em 80%.

Desde o início da semana, servidores ligados ao Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest) também realizam mobilizações em diferentes setores do serviço público na chamada ‘greve pipoca’.

O protesto de ontem teve início às 8h em frente ao Paço Municipal. Centenas de servidores, munidos de apitos e cartazes, fizeram coro aos sindicalistas pedindo reajuste salarial. A decisão de paralisar os serviços foi tomada por trabalhadores presentes na assembleia realizada no dia 23 de fevereiro em resposta ao anúncio do governo de não querer reajustar os salários. Eles também decidiram que só farão uma nova assembleia para avaliar uma possível contraproposta se a mesma for pelo menos igual à inflação do período.

De acordo com o diretor Cássio Canhoto, diretor do Sindserv, o sindicato continuará dialogando com os servidores que ainda não aderiram à greve. “Nossa data-base é fevereiro e não houve diálogo, sendo que o ofício com o resultado da assembleia da categoria foi entregue em novembro. No início da semana, a Administração oficiou ao sindicato o reajuste zero. Não vamos aceitar o rebaixamento salarial”, afirma.

Por volta das 10h30, os servidores saíram em passeata pelas ruas do Centro. Em frente à Secretaria de Educação, o grupo - composto principalmente por profissionais da pasta – criticou o sucateamento das escolas, principalmente dos bairros da Zona Noroeste.

“Não é justo o servidor receber zero de aumento. Na campanha política, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa afirmou que iria melhorar a estrutura das escolas e a qualidade do trabalho. Eu trabalho em uma escola que se não fosse a comunidade o muro dela caía. Estamos aqui por esse motivo: sem mobilização nada acontece”, afirma a professora Andrea Marques.

O protesto seguiu para a Praça José Bonifácio, onde foi recebido com aplausos pelos funcionários do Fórum e retornou posteriormente para a Praça Mauá. O ato foi retomado na parte da tarde.

Retorno

Em coletiva realizada no final da tarde de ontem o secretário de governo, Rogério Santos, informou que, com a diminuição acumulada de 9% na arrecadação prevista para os meses de janeiro e fevereiro deste ano, é inviável falar em aumento real nos salários dos servidores.

“É uma reivindicação justa e correta, mas é preciso analisar o contexto nacional e a situação econômica do município. O governo ofereceu aos dois sindicatos da categoria (Sindest e Sindserv) o reajuste de 5,35% nos valores da cesta básica e do auxílio-alimentação, índice que recompõe a inflação, sendo a proposta recusada. Apesar disso, nos mantemos abertos ao diálogo, com o máximo de transparência e estamos prevendo melhorias no cenário para o segundo semestre”, enfatizou.

Questionado sobre os prejuízos da greve e quais medidas serão tomadas pela Administração, o secretário afirmou que ‘lamenta’ a paralisação dos servidores e que a Administração tem conhecimento de todas as medidas legais que podem ser tomadas, mas que aguardará o resultado das negociações para anunciar os próximos passos.

“É importante frisar que os serviços essenciais não foram comprometidos e que a Administração não medirá esforços para melhorar os vencimentos dos servidores. Mas nesse momento de recessão a prioridade é honrar com os pagamentos e renegociar dívidas com fornecedores, sem prejuízo dos serviços. Pedimos ainda que, pelos próximos dias, os pais continuem em contato com as escolas para saber se a unidade está funcionando”, destacou.

Flávio Saraiva, presidente do Sindserv, afirmou que a greve será por tempo indeterminado e que novas ações estão previstas para garantir a valorização do servidor público.

O Diário do Litoral tentou contato, sem sucesso, com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa, que não se manifestou oficialmente sobre a greve geral até o fechamento desta reportagem.

Atendimento à população foi prejudicado

Mais de 70% dos servidores das escolas municipais aderiram à greve. Em algumas Unidades de Educação a falta de alunos foi grande. No Período da manhã, dos 13.893 alunos somente 337 compareceram nas escolas. Dos 2.027 funcionários que estariam trabalhando à tarde, 1.440 não ­compareceram.

A reportagem esteve no PS provisório de atendimento da Zona Leste, na Avenida Afonso Pena, e no Hospital Silvério Fontes, na Zona Noroeste. Apesar da adesão de aproximadamente 28% dos profissionais, a capacidade de atendimento e o tempo de espera sofreram poucas alterações.

De acordo com a Administração, policlínicas, os pronto-socorros, hospitais e unidades da Atenção Especializada funcionaram mesmo com o quadro de funcionários reduzido. Em algumas policlínicas foi necessária a remarcação de consultas.

A greve também teve impacto no setor de assistência social. Dos sete CRAS, seis trabalharam com equipe reduzida e um não abriu. O Centro de Referência de Assistência Social Rádio Clube também permaneceu fechado, bem como os Centros de Convivência.

Os Centros Esportivos da Secretaria de Esportes, cemitérios, serviços de limpeza e zeladoria urbana e manutenção predial tiveram funcionamento normal.