A técnica consiste em ligar para a vítima e permanecer em silêncio, esperando que ela fale primeiro / Pexels/cottonbro studio
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Receber uma ligação, atender e não ouvir ninguém do outro lado pode parecer apenas um erro de telemarketing ou falha de conexão. No entanto, especialistas em segurança digital alertam que esse tipo de chamada pode fazer parte de uma fraude conhecida como Golpe do Silêncio, usada para coletar amostras de voz da vítima.
Nesse esquema, criminosos gravam pequenos trechos de áudio captados durante a ligação e utilizam ferramentas de inteligência artificial para reproduzir a voz da pessoa.
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Posteriormente, o material pode ser empregado em golpes mais elaborados, geralmente direcionados a familiares e contatos próximos por aplicativos de mensagens.
A técnica consiste em ligar para a vítima e permanecer em silêncio, esperando que ela fale primeiro. Muitas pessoas respondem automaticamente ao atender, o que já fornece material inicial para a clonagem de voz.
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Segundo especialistas em cibersegurança, a ameaça não está apenas no contato em si, mas no uso posterior dos áudios coletados. Tecnologias atuais permitem criar imitações muito convincentes com poucos segundos de gravação.
Ferramentas de clonagem costumam precisar de cerca de 10 a 20 segundos de áudio claro para produzir uma reprodução plausível. Para complementar esse material, golpistas podem recorrer a gravações disponíveis em redes sociais, vídeos e mensagens de voz públicas.
Mesmo quando a vítima percebe que a ligação é suspeita, o risco permanece caso o áudio tenha sido registrado. O material pode ser utilizado mais tarde para se passar pela pessoa em pedidos urgentes ou situações emocionalmente sensíveis.
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Após a clonagem da voz, os criminosos entram em contato com pessoas próximas à vítima, simulando emergências, problemas financeiros ou situações envolvendo autoridades. O objetivo é pressionar por transferências de dinheiro, envio de dados pessoais ou senhas.
Familiares mais velhos e responsáveis por decisões financeiras costumam ser os principais alvos, pois tendem a agir rapidamente diante de um suposto pedido de ajuda.
Especialistas recomendam que famílias adotem mecanismos simples de verificação, como palavras-código ou perguntas previamente combinadas, para confirmar a identidade de quem está ao telefone em situações incomuns.
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Uma das medidas mais eficazes é evitar falar primeiro ao atender ligações de números desconhecidos. Caso a chamada permaneça silenciosa, o ideal é desligar.
Se for necessário responder, recomenda-se utilizar frases neutras, que forneçam menos material para análise vocal. Também é importante desconfiar de pedidos urgentes envolvendo dinheiro, códigos ou informações pessoais.
Outro cuidado essencial é confirmar qualquer solicitação por meio de canais seguros, como retornar a ligação para um número já conhecido ou enviar mensagem diretamente à pessoa que supostamente fez o pedido.
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Especialistas também alertam que áudios e vídeos publicados em redes sociais podem servir como banco de dados para criminosos treinarem sistemas de clonagem de voz. Por isso, a cautela deve se estender à exposição digital.
Diante de suspeitas de fraude, é recomendável avisar familiares e amigos, além de registrar ocorrências junto à operadora ou às autoridades competentes, o que pode ajudar a identificar e conter novas tentativas.