Cotidiano

Por que você não consegue parar de rolar a tela? Estudo explica o vício

Pesquisa da Neuro Image revela que consumo excessivo de vídeos rápidos reduz sensibilidade a perdas e torna processamento mental mais lento. Tarefas simples viram desafios diários.

Nathalia Alves

Publicado em 05/03/2026 às 16:55

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Rolagem infinita foi deliberadamente criada para prender atenção e estimular consumo contínuo / Reprodução/Freepik

Continua depois da publicidade

Passar horas rolando vídeos curtos nas redes sociais pode ser mais prejudicial do que parece. A sensação de "névoa mental" que muitos relatam após longos períodos de exposição a esse tipo de conteúdo já tem nome: "brain rot", ou podridão cerebral.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Pesquisadores alertam que o chamado vício digital está alterando a forma como o cérebro processa informações e toma decisões.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Ele diz não dormir há mais de 60 anos, intriga médicos e desafia a ciência

• O que significa quando um grilo canta perto da sua casa, segundo o Feng Shui e a ciência

• Ciência analisa se a posição do uso do celular pode, de fato, apresentar riscos ao corpo humano

Um estudo recente publicado na revista Neuro Image investigou os efeitos do consumo excessivo de vídeos rápidos sobre o funcionamento cognitivo.

Os resultados indicam que esse hábito reduz a sensibilidade a perdas e torna o processamento mental mais lento, o que pode transformar até tarefas simples em desafios diários.

Continua depois da publicidade

Os vídeos curtos foram popularizados por plataformas como o TikTok / Pixabay
Os vídeos curtos foram popularizados por plataformas como o TikTok / Pixabay
O Instagram também é um dos líderes de audiência no formato / Pixabay
O Instagram também é um dos líderes de audiência no formato / Pixabay
Mas, o alerta dado é que o formato suga a atenção e traz problemas / Pixabay
Mas, o alerta dado é que o formato suga a atenção e traz problemas / Pixabay
Sem cuidado e atenção ao consumir vídeos curtos, o problema pode se tornar um caminho sem volta / Pixabay
Sem cuidado e atenção ao consumir vídeos curtos, o problema pode se tornar um caminho sem volta / Pixabay

Rolagem infinita: um mecanismo viciante

O formato de rolagem infinita não surgiu por acaso. Ele foi deliberadamente criado para prender a atenção do usuário e estimular o consumo contínuo de conteúdo, dificultando a interrupção da experiência sem um esforço consciente.

Vídeos curtos oferecem recompensas imediatas na forma de estímulos rápidos e fragmentados. Esse modelo ativa circuitos de prazer no cérebro, incentivando a pessoa a continuar consumindo por longos períodos.

A consequência é um ciclo de dependência, no qual a busca por novos conteúdos impede pausas saudáveis e a mente passa a operar em um ritmo acelerado e pouco reflexivo.

Continua depois da publicidade

Menos aversão ao risco, mais impulsividade

O estudo publicado na Neuro Image revelou que o excesso de vídeos curtos reduz a aversão à perda – uma reação natural do cérebro que nos ajuda a evitar riscos. Quando exposto à rolagem infinita de forma contínua, esse mecanismo essencial se enfraquece.

Pessoas mais viciadas apresentaram baixa atividade no pré-cúneo, uma área do cérebro ligada à avaliação de resultados. Isso dificulta a percepção de riscos reais, levando a escolhas mais apressadas e sem a reflexão adequada.

"Quanto mais alguém estava viciado em vídeos curtos, menos sensível era às perdas potenciais", alertam os pesquisadores.

Continua depois da publicidade

Névoa mental e lentidão cognitiva

Outro impacto importante identificado é o chamado "brain rot" – uma sensação de névoa mental que prejudica a clareza do pensamento. Tarefas simples tornam-se mais lentas e exigem maior esforço cognitivo.

Usando modelos de decisão, os cientistas perceberam que usuários dependentes processam informações de forma mais devagar, comprometendo o foco e a eficiência nas atividades diárias.

A fadiga mental resultante desse processo faz com que até pequenas escolhas se tornem desgastantes. Com o tempo, o cérebro perde agilidade e concentração, reforçando o ciclo do vício digital e dificultando a recuperação da atenção plena.

Continua depois da publicidade

O alerta dos pesquisadores é claro: o consumo excessivo de vídeos curtos não é apenas uma questão de entretenimento, mas um fator que pode comprometer a saúde cognitiva e a capacidade de tomar decisões equilibradas no dia a dia.
 


 

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software