Por que sentimos mais calor ou frio do que o termômetro indica?

Especialista explica como vento, umidade e até o metabolismo pessoal criam a "sensação térmica" e por que ela é vital para a sua saúde

Meteorologista detalha os fatores que podem tornar um dia comum em um risco para insolação ou hipotermia, mesmo sem extremos no termômetro

Meteorologista detalha os fatores que podem tornar um dia comum em um risco para insolação ou hipotermia, mesmo sem extremos no termômetro | Reprodução/Freepik

A diferença entre a temperatura registrada pelos termômetros e a sensação térmica percebida pelo corpo humano vai além de números e tem impacto direto no conforto, na saúde e nas decisões do dia a dia.

A explicação é da meteorologista Melissa Dias da Silva Oliveira, que detalhou como fatores ambientais e individuais interferem na forma como o organismo reage às condições do tempo.

Segundo a especialista, a temperatura do ar é um dado objetivo, medido por termômetros, que indica o grau de agitação das moléculas do ar, ou seja, quanta energia térmica existe no ambiente.

Já a sensação térmica corresponde à forma como o corpo humano percebe essa temperatura, considerando como o calor é transferido entre o organismo e o meio externo. Por isso, mesmo com os termômetros marcando o mesmo valor, diferentes pessoas podem sentir mais frio ou mais calor.

De acordo com Melissa, essa diferença ocorre por uma combinação de fatores. Entre os ambientais, o vento tem papel importante ao remover a camada de ar quente próxima à pele, acelerando a perda de calor e intensificando a sensação de frio.

A umidade do ar também influencia, pois quando elevada, dificulta a evaporação do suor, reduzindo o resfriamento natural do corpo e aumentando a sensação de calor. A radiação solar, por sua vez, pode fazer o organismo sentir temperaturas mais altas do que as registradas oficialmente.

Há ainda fatores individuais, como o tipo de roupa utilizada, o nível de atividade física, a idade, o estado de saúde, o metabolismo, a quantidade de gordura corporal e até a adaptação ao clima. “A combinação desses fatores pode fazer com que uma temperatura considerada moderada seja percebida como extrema”, explica a meteorologista.

A percepção da sensação térmica, segundo Melissa, influencia diretamente decisões práticas do cotidiano, como a escolha das roupas, os horários para atividades ao ar livre e a necessidade de hidratação.

Além disso, ela alerta que riscos à saúde, como insolação, desidratação ou hipotermia, podem ocorrer mesmo sem temperaturas extremas, quando o corpo não consegue se adaptar às condições ambientais.

Para a meteorologista, é justamente por isso que os boletins do tempo mantêm a distinção entre os dois conceitos. “A temperatura mostra como está o ar. A sensação térmica indica como o corpo provavelmente vai reagir àquelas condições”, afirma.

Essa diferenciação, segundo ela, ajuda a população a se preparar melhor, tomar decisões mais seguras e compreender os efeitos do clima sobre o bem-estar e a saúde.