Especialistas são diretos: as enchentes não são apenas culpa do volume de chuva, mas da geografia reprimida / Tomaz Silva (Agência Brasil).
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São Paulo é conhecida como a 'selva de pedra', mas, sob o asfalto de avenidas famosas, corre um mundo invisível. Estima-se que existam mais de 300 rios e córregos escondidos sob as construções da capital paulista.
No século passado, o progresso 'enterrou' essas águas, mas elas nunca deixaram de existir — e hoje explicam o caos das enchentes.
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Especialistas são diretos: as enchentes não são apenas culpa do volume de chuva, mas da geografia reprimida.
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Rios em galerias: Cursos d'água foram confinados em tubos de concreto para dar lugar a prédios e avenidas.
Memória da água: Em temporais, o rio tenta retomar seu trajeto natural. Como as galerias não suportam o volume, a água transborda, transformando avenidas novamente em leitos de rio.
Especulação Imobiliária: 'Como não dava para construir sobre os córregos, as ruas viraram os córregos e o resto virou habitação', explica Rodolfo Costa e Silva, da FAPESP.
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Houve um tempo em que o paulistano nadava e pescava no Rio Tietê. Até a década de 1920, o rio era o principal ponto de lazer e esportes náuticos da cidade. A partir de 1950, o crescimento desenfreado e o despejo de esgoto transformaram o antigo paraíso em um símbolo de poluição.
Você já parou para pensar por que mora na Água Rasa, no Rio Pequeno ou na Vila Nova Cachoeirinha? Esses nomes não são coincidência:
Água Rasa: Onde o rio era baixo e permitia a travessia.
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Água Funda: Regiões com nascentes ou cursos mais profundos.
Rios e Ruas: Iniciativas como o projeto 'Rios e Ruas' tentam resgatar essa memória visual, mostrando que a cidade foi erguida literalmente sobre a água.
'O mercado de terras fez a cidade caminhar em direção aos rios', afirma o historiador Janes Jorge (Unifesp). O resultado é uma cidade que luta contra sua própria natureza a cada verão.
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