Cotidiano

Por que os jovens estão 'fugindo' do casório? A ciência explica o novo modelo de família

Pesquisa do IBGE revela número recorde de solteiros e aponta para uma revolução silenciosa nos lares brasileiros em 2026

Giovanna Camiotto

Publicado em 19/02/2026 às 19:27

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A agamia é o desinteresse de um indivíduo em firmar um relacionamento romântico com outra pessoa / Unsplash

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A forma como a sociedade se organiza está passando por uma das transformações mais profundas das últimas décadas. Segundo dados recentes do IBGE, o Brasil já soma 81 milhões de pessoas solteiras, um número que supera drasticamente os 63 milhões de casados.

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Esse cenário reflete uma mudança de mentalidade, especialmente na Geração Z, que começa a trocar o altar e os planos de herdeiros por um estilo de vida focado na autonomia individual e em novas prioridades globais.

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Nem namoro, nem casório

O fenômeno jovial, que tem sido objeto de estudo de antropólogos, ganhou nome de "agamia". Derivado do grego a (sem) e amos (união/casamento), o conceito descreve o desinteresse consciente em firmar relacionamentos românticos. Diferente de estar solteiro por circunstância, o agâmico faz da ausência de parceiros uma escolha de vida.

Segundo Heloisa Buarque de Almeida, professora de Antropologia da USP, essa tendência busca novas formas de convivência sem o "peso" do compromisso legal. O objetivo não é apenas evitar o casamento, mas redefinir o que significa estar em sociedade, priorizando laços de amizade e redes de apoio que não passam necessariamente pelo núcleo familiar tradicional.

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Diferente da solteirice convencional, a agamia é uma opção deliberada de não estabelecer vínculos românticos. O foco do indivíduo passa a ser o autodesenvolvimento e o fortalecimento de redes de amizade, descartando a busca por um parceiro ideal/Freepik
Diferente da solteirice convencional, a agamia é uma opção deliberada de não estabelecer vínculos românticos. O foco do indivíduo passa a ser o autodesenvolvimento e o fortalecimento de redes de amizade, descartando a busca por um parceiro ideal/Freepik
Para os adeptos desse estilo de vida, o modelo de amor romântico difundido pelo cinema e pela literatura não condiz com a realidade atual. Eles buscam conexões humanas que não envolvam contratos legais ou expectativas de exclusividade amorosa/Freepik
Para os adeptos desse estilo de vida, o modelo de amor romântico difundido pelo cinema e pela literatura não condiz com a realidade atual. Eles buscam conexões humanas que não envolvam contratos legais ou expectativas de exclusividade amorosa/Freepik
Muitos jovens que adotam a agamia também optam por não ter filhos. Essa decisão é frequentemente motivada pela eco-ansiedade, focando na sustentabilidade e na preocupação com o impacto ambiental de novas gerações no planeta/Freepik
Muitos jovens que adotam a agamia também optam por não ter filhos. Essa decisão é frequentemente motivada pela eco-ansiedade, focando na sustentabilidade e na preocupação com o impacto ambiental de novas gerações no planeta/Freepik
A tecnologia e as redes sociais alteraram a forma como a Geração Z interage, criando novas dinâmicas de convivência. Isso tem levado a um adiamento da vida sexual e a uma preferência por relacionamentos menos burocráticos e sem compromissos formais/Freepik
A tecnologia e as redes sociais alteraram a forma como a Geração Z interage, criando novas dinâmicas de convivência. Isso tem levado a um adiamento da vida sexual e a uma preferência por relacionamentos menos burocráticos e sem compromissos formais/Freepik
Embora cresça no Brasil, a agamia é uma tendência global observada com força em países como Japão e Estados Unidos. O movimento reflete uma mudança estrutural na sociedade, onde o sucesso pessoal não está mais atrelado ao estado civil/Freepik
Embora cresça no Brasil, a agamia é uma tendência global observada com força em países como Japão e Estados Unidos. O movimento reflete uma mudança estrutural na sociedade, onde o sucesso pessoal não está mais atrelado ao estado civil/Freepik

É importante considerar que, para a ciência, esta "fuga" de compromisso e da maternidade/paternidade está ancorada em fatores modernos, como:

  • Eco-ansiedade: Jovens agâmicos relatam que preocupações com o aquecimento global e a sustentabilidade do planeta desestimulam a ideia de trazer filhos ao mundo.

  • Barreira digital: O uso intensivo de redes sociais tem alterado a dinâmica de interação física, retardando o início da vida sexual e tornando o contato interpessoal mais mediado por telas do que pelo toque.

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  • Novas configurações: O conceito de família se tornou fluído, abrangendo desde casais que vivem em casas separadas até lares compostos por dois pais ou duas mães, onde a liberdade individual é o pilar central.

Um fenômeno global

O movimento não é exclusividade brasileira. Países como Japão, Estados Unidos e diversas nações da América Latina registram tendências idênticas.

O "amor romântico", outrora idealizado pelo cinema e pela literatura, parece não mais corresponder às necessidades de uma geração que prioriza a carreira, a preservação do meio ambiente e o autoconhecimento acima das convenções sociais de meados do século passado.

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