Por que o Brasil dificilmente viverá um terremoto devastador como o da Venezuela? A resposta está sob nossos pés

A dúvida ganhou ainda mais força após o terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a Venezuela nesta quarta-feira (24) e colocou o país em alerta para tsunami

Imagem criada por IA para figurar uma terremoto

Embora terremotos possam acontecer no Brasil, as chances de ocorrer um grande abalo destrutivo são extremamente baixas

Sempre que um grande terremoto atinge algum país, a mesma pergunta volta entre os brasileiros: isso também poderia acontecer no Brasil? A dúvida ganhou ainda mais força após o terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a Venezuela nesta quarta-feira (24) e colocou o país em alerta para tsunami.

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Além disso, nesta quinta- feira (25), um terremoto de magnitude 7,2 atingiu o norte do Japão. Apesar da forte intensidade, não foram registradas vítimas ou danos estruturais graves até o momento.

A resposta dos especialistas, no entanto, é tranquilizadora visto que, embora terremotos possam acontecer no Brasil, as chances de ocorrer um grande abalo destrutivo são extremamente baixas.

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O principal motivo está debaixo dos nossos pés

A explicação para essa segurança está na posição geológica do Brasil visto que o território brasileiro está localizado praticamente no centro da Placa Sul-Americana, uma enorme placa tectônica que se move lentamente sobre o manto terrestre.

Os terremotos mais fortes do planeta acontecem justamente nas bordas dessas placas, onde ocorre o choque, o afastamento ou o deslizamento entre elas. É nesses limites que enormes quantidades de energia ficam acumuladas até serem liberadas abruptamente.

Como o Brasil está distante dessas regiões de contato, não sofre o mesmo nível de atividade sísmica observado em nações vizinhas ou em países como Japão, Indonésia, México, Turquia e Estados Unidos.

O contraste geológico entre Brasil e Venezuela

Embora Brasil e Venezuela compartilhem o mesmo continente e uma vasta fronteira amazônica, a situação geológica de ambos possui diferenças marcantes.

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Enquanto o Brasil está situado majoritariamente no centro estável da Placa Sul-Americana, a Venezuela está localizada exatamente na complexa zona de fronteira entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana.

Nessa região de limite, as placas se movem lateralmente e se esmagam, gerando falhas geológicas ativas (como as falhas de Boconó, San Sebastián e El Pilar). Esse movimento acumula tensão ao longo dos anos, liberando energia em terremotos que podem ser bastante destrutivos para as cidades venezuelanas.

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Afinal, a Terra treme no Brasil?

Ao contrário do que muita gente imagina, a resposta é sim. O Brasil registra centenas de pequenos tremores todos os anos, mas a maioria deles possui magnitude inferior a 3 e sequer é percebida pela população, sendo detectada apenas por sismógrafos sensíveis.

Segundo o Centro de Sismologia da USP, o país registra constantemente esses pequenos eventos naturais decorrentes da acomodação de antigas falhas geológicas existentes no interior da própria Placa Sul-Americana.

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A região Nordeste é considerada a área de maior atividade sísmica do país, onde estados como Ceará e Rio Grande do Norte registram pequenos terremotos com frequência relativamente maior.

De acordo com o geofísico Marcelo Assumpção, professor da USP, alguns desses eventos já chegaram a atingir magnitude 5 e provocaram rachaduras e danos em construções mais frágeis.

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Mesmo assim, eles estão muito abaixo da intensidade observada em locais situados sobre limites ativos de placas.

O maior terremoto da história brasileira

O maior terremoto registrado em território brasileiro ocorreu em 31 de janeiro de 1955, na região da Serra do Tombador, no norte de Mato Grosso. O abalo atingiu uma magnitude estimada entre 6,2 e 6,6, conforme diferentes levantamentos científicos.

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O tremor foi tão forte que foi sentido a centenas de quilômetros de distância e chegou a acordar moradores em Cuiabá. Apesar da intensidade elevada para os padrões nacionais, o epicentro ficava em uma região praticamente desabitada na época, o que evitou uma tragédia de grandes proporções.

As chances de um desastre ou tsunami no país

Diante desse histórico, os especialistas afirmam que a possibilidade de um terremoto devastador ocorrer no Brasil não é totalmente nula, mas é considerada extremamente pequena.

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Como o país está longe das bordas tectônicas, faltam as condições geológicas necessárias para produzir catástrofes semelhantes às da Venezuela ou do Japão.

Os tremores por aqui são classificados como sismos intraplaca, causados pela reativação de falhas antigas que liberam pouca energia e raramente causam grandes prejuízos.

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Pelo mesmo motivo, a chance de o Brasil sofrer com um tsunami é remotíssima visto que grandes ondas na costa costumam ser provocadas por terremotos submarinos colossais em limites de placas.

Em situações excepcionais, ondas geradas por abalos em outros continentes até podem atravessar o oceano e alcançar o litoral brasileiro, mas elas chegam à nossa costa bastante enfraquecidas e sem qualquer potencial destrutivo significativo.

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Monitoramento permanente e prevenção

Apesar do risco considerado baixo, o Brasil mantém um monitoramento sísmico contínuo e rigoroso. A Rede Sismográfica Brasileira e o Centro de Sismologia da USP acompanham diariamente toda a atividade registrada no território nacional.

Esse trabalho permite identificar rapidamente qualquer tremor, mesmo os de baixa magnitude, ajudando os pesquisadores a compreender melhor a dinâmica do nosso solo e a manter o mapa de risco sísmico do país sempre atualizado.