População vai arcar com as despesas do Museu Pelé

Em um ano de economia frágil, Prefeitura de Santos anuncia que será a nova gestora do equipamento, que se mostra deficitário desde a sua inauguração em 2014

Colaborou Tiago Salazar

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Em um ano frágil economicamente, com a Prefeitura de Santos tendo dificuldades de terminar quase 120 obras, sem consulta popular e legislativa, a Administração Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) anunciou ontem que será a nova gestora do Museu Pelé, um equipamento que se mostra deficitário desde a sua inauguração, em 15 de junho de 2014.

A Prefeitura vai assumir as despesas de preservação e manutenção do prédio (água, luz, telefone e outras), com pessoal, e seguro das peças, avaliado em R$ 19 milhões. Até então, o espaço estava sob gestão da AMA Brasil que, durante dois anos, não conseguiu equilibrar receitas e despesas.

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Vale lembrar que o Diá­rio do Litoral publicou reportagens entre 30 de setembro e 13 de outubro de 2014 – em pleno ano da Copa do Mundo no Brasil – mostrando que o equipamento operava no vermelho com um deficit mensal de cerca de R$ 70 mil – o museu precisava de R$ 200 mil para se manter e arrecadava cerca de R$ 130 mil. Também publicou que a população preferia passar horas de lazer no Aquário e no Orquidário ao invés do museu do Rei do Futebol.

Na época, os ministérios públicos estadual e federal receberam, simultaneamente, pedido de apuração sobre as verbas públicas utilizadas na construção e manutenção do Museu Pelé. O responsável por ambos os pedidos foi o vereador Antônio Carlos Banha Joaquim (PMDB), alegando ter esgotado todas as possibilidades de obter esclarecimentos da Administração Municipal (ver reproduções nesta edição).

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2015

Em novembro do ano passado, o DL também publicou, com exclusividade, que a AMA Brasil já estava prestes a entregar o equipamento por conta dos prejuízos. Na ocasião, segundo o secretário de Gestão de Santos, Fábio Ferraz, a Prefeitura não iria arcar com custos de uma possível rescisão de contrato com a OSCIP. Ou seja, a AMA ficaria com os prejuízos e qualquer dívida do Museu Pelé.

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“Os problemas jurídicos e financeiros da AMA Brasil continuam sendo dela. Então, a gente faz um ‘momento zero’. Daqui para frente temos uma nova linha de início. O que ficou para trás é 100% responsabilidade do gestor do equipamento, no caso, a OSCIP AMA Brasil”, explicou Ferraz.

Desespero para pagar as contas

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A fragilidade do equipamento sempre foi evidente. Já houve corte de energia por falta de pagamento e salários atrasados. Em 2014, a Prefeitura publicou decreto barateando a entrada às terças-feiras, passando de R$ 18,00 para R$ 9,00 (uma redução de 50%). Em uma ação para obter receita, a AMA Brasil propagou via rádio a possibilidade das pessoas alugarem o espaço para festinhas de aniversário e outros eventos familiares. Ainda assim, a Prefeitura de Santos vai assumir o risco.

Prefeitura assume no escuro

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O DL enviou ontem uma série de questionamentos à Prefeitura de Santos, que garantiu que as dívidas permanecerão por conta da AMA Brasil. A Administração não soube responder quanto é a dívida, inclusive de possíveis atrasos de salários e ­rescisões dos funcionários da OSCIP.

Apesar de assumir a gestão, a Administração não soube responder quanto o equipamento arrecada atualmente por mês. Quanto às futuras despesas, a Administração também não soube responder: “Os custos mensais serão dimensionados a partir do novo modelo de gestão que será implantado”, bem como, “as necessidades de recursos humanos ainda estão sendo dimensionadas”.

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A Prefeitura só garantiu que Edson Arantes do Nascimento e a Sport 10 não receberão nada e doaram o acervo sem ônus para o Município. “Não há previsão legal de prévia audiência pública e a lei orçamentária anual de 2016 tem dotação para o custeio do museu”, resumiu em nota oficial.

 

Por ‘precaução’, Santos FC desiste de assumir museu e vira parceiro

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A Prefeitura até tentou encontrar uma forma do Santos Futebol Clube assumir a gestão do Museu Pelé. Mas, com receio de se responsabilizar pela dívida do equipamento, o clube decidiu recuar e agora será apenas um parceiro da administração. Modesto Roma Júnior, presidente do Peixe, confirmou ao Diário do Litoral que tudo deve ser acertado em reunião na próxima segunda-feira (14).

“Foi o modelo que mais se adaptou à questão dos interesses da Prefeitura e do Santos”, disse o mandatário. “Nem para o Santos nem para a Prefeitura. Vamos decidir os ‘modus operandi’ na reunião de segunda”, explicou, evitando dar muitos detalhes de como funcionará a parceria na prática.

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Em novembro de 2015, Santos e Prefeitura admitiam que um acordo poderia ser selado para o alvinegro tomar o lugar da AMA Brasil e passar a administrar o equipamento. No entanto, já àquela época, Modesto Roma Júnior se mostrava preocupado com o ‘buraco’ ­financeiro.

“O Santos já está muito satisfeito com as dívidas que ele tem e não precisa ter a de outras. E essas coisas precisam ser muito bem costuradas para que o Santos não corra riscos”, disse, na ocasião. Nesta quinta, já com a possibilidade descartada, o mandatário reforçou sua posição. “Nós precisamos sempre tomar algumas precauções”.

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Outro entrave nas tratativas que culminaram com a mudança de postura do clube da Vila Belmiro foi a intenção da Legend 10, empresa que representa os interesses de Pelé, em utilizar réplicas no lugar de peças originais no Museu.

“A Legend veio com uma conversa que nós não achamos correto. Eles queriam trocar as peças do Pelé por réplicas. Deixar expostas apenas réplicas e guardar as taças, a parte original do acervo. E aí não, né? Tem que ser tudo original, oras. De verdade”, comentou Modesto, em dezembro, com exclusividade ao DL.

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“Nós não temos a menor vocação para mostrar cópia como sendo verdade. O que é verdade é verdade. Então, o Santos não aceita, em hipótese alguma, trabalhar com réplicas. Isso é um ponto que o Santos não abre mão, por respeito ao torcedor, ao turista, ao visitante. O Santos faz questão de que as peças sejam todas originais. Não abre mão disso”, reiterou.