População cobra unidade de oncologia em Cubatão

Com instalações inauguradas em 18 de dezembro, a Administração Municipal prometeu funcionamento no dia seguinte

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31 JAN 2020Por Carlos Ratton07h00
O Centro ocupa o prédio projetado há décadas para se tornar um teatro, na esquina das avenidas Henry Borden e Nove de AbrilFoto: Nair Bueno/DL

Com instalações inauguradas em 18 de dezembro último e com previsão de, segundo a Prefeitura de Cubatão, entrar em funcionamento já no dia seguinte (19), o serviço de Oncologia do Município permanece fechado até hoje. De alta complexidade, ele tem a finalidade de detectar tumores, benignos ou malignos e estaria à disposição de pacientes em tratamento de câncer e de doenças renais da região.

A falta do importante equipamento foi manifestada nas redes sociais e, ontem, principal assunto da reunião ordinária do Conselho Municipal de Saúde do Município. O presidente do Conselho, Alessandro Donizete de Oliveira, disse que os equipamentos estão no local e pacientes existem.

"Não entendo porque o serviço ainda não está à disposição. Vamos cobrar do Governo e, caso não obtenhamos uma resposta urgente, encaminhar a situação ao Ministério Público (MP)", garante.

Ontem, os representantes da Secretaria de Saúde, disseram que já existe um plano de trabalho, que o Convênio com o Estado está em fase de formalização, aguardando liberação para as assinaturas. Após isso, é preciso aguardar a publicação no Diário Oficial para, só então, Cubatão receber os recursos para funcionamento do serviço de Oncologia, ainda sem data prevista. A unidade tem capacidade de atender 23 pacientes por mês.

Inauguração

Conforme anunciado na inauguração, o serviço faz parte do pacote da Unidade Ambulatorial de Terapia Renal Substitutiva. Na ocasião, a Administração Municipal informou que o Serviço de Oncologia Clínica e Cirúrgica atenderia usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de Cubatão e da Baixada Santista.

O atendimento, segundo a Prefeitura, seria por meio da regulação regional e municipal, com leitos de clínica médica, cirúrgico e UTI, ambulatório pré-dialítico, sessões mensais de hemodiálise e de diálise peritoneal ambulatorial contínua (CAPD) e quimioterapia.

O Centro de Alta Complexidade em Saúde, em que funciona o serviço, teria a capacidade de realizar 700 sessões de quimioterapia e de 1.800 de hemodiálise mensalmente, além de tratamento em câmera hiperbárica.

O Centro ocupa o prédio projetado há décadas para se tornar um teatro, na esquina das avenidas Henry Borden e Nove de Abril, na Vila Santa Rosa. Reformado e adaptado, ele faz parte do complexo de saúde que engloba o Hospital Municipal de Cubatão, administrado pela Fundação São Francisco Xavier (FSFX).

Conforme também anunciado pela Prefeitura, o contrato com a Fundação, por meio de Secretaria de Saúde, prevê o atendimento ambulatorial e cirúrgico a pacientes nas especialidades de cirurgia em cabeça e pescoço, nefrologia e urologia, bem como contratação de equipe médica.

O equipamento também tem aporte de recursos do Governo do Estado. Além de equipamentos de ponta, como as 20 máquinas para a realização de hemodiálise, a Prefeitura havia anunciado uma equipe altamente qualificada formada por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, farmacêutico, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta e assistente social, que ficaria responsável pelo acompanhamento e tratamento dos pacientes.

Além das máquinas de hemodiálise, a Prefeitura adquiriu uma câmara hiperbárica, 15 bombas de infusão, oito monitores, cinco cardioversores (aparelhos que liberam estímulos elétricos ao coração) três carros de emergência e três aspiradores cirúrgicos.

Os equipamentos do serviço de Oncologia foram comprados por conta de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Prefeitura e a Usiminas, sob o crivo do MP.