Pontos históricos sem manutenção são focos de dengue em Cubatão

Reportagem constatou que dois locais da Cidade se encontram abandonados e deteriorados, e com larvas do mosquisto Aedes Aegypti

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18 MAI 201510h40

A dengue é sempre uma preocupação para as prefeituras da Região ou, pelo menos, deveria ser. Em Cubatão, dois locais históricos da Cidade viraram hospedaria para larvas do mosquito transmissor da doença. O primeiro faz parte de uma das entradas do Município: o jardim projetado por Burle Marx, em 1990. O segundo é o chafariz da Praça Princesa Isabel, uma das mais antigas de Cubatão.

A Reportagem foi até o primeiro local na manhã da última sexta-feira, dia 15. A pirâmide construída para ser uma fonte iluminada já não funciona como nos anos 90. No chão, onde a água desta fonte era depositada e renovada só armazena água da chuva, lixo e mato – que entope todas as saídas construídas há 25 anos. Toda água parada, como já se sabe, é o local preferido de proliferação dos mosquitos.

Questionada, a Prefeitura justifica o abandono: “O jardim projetado por Burle Marx foi inaugurado em 1990, com o espelho d’água e um monumento em forma de pirâmide em aço. Recentemente, a praça foi modificada em função das obras de ampliação da rodovia Cônego Domênico Rangoni, pela Ecovias, que ficou encarregada de, em contrapartida, promover a construção pela CDHU de um conjunto habitacional e remodelar a praça. Até então, foram executadas apenas manutenções rotineiras”, explica.

O chafariz da Praça Princesa Isabel, que foi reformada em 2010, também não funciona mais. A Reportagem encontrou muitas larvas do mosquito no local. No entanto, a Prefeitura se espantou com o questionamento. “A Secretaria estranha a informação sobre a existência de larvas do mosquito, de vez que existem ali verificações constantes (quase diárias), mas em atenção à Reportagem fará imediatamente uma verificação especial no local”, explica, transmitindo a informação da Secretaria Municipal de Manutenção e Serviços Públicos.

A proliferação de larvas nos pontos históricos citados foi denunciada pelo vereador Severino Tarcísio Dóda (PSB). “A população está de olho e reclama. É um absurdo estes pontos estarem nesta situação. Sem manutenção e lotados de mosquito da dengue. Não tem como deixar isso desta forma, sem falar nada”, lamenta.

Locais históricos da Cidade viraram hospedaria para larvas do mosquito (Foto: Luiz Torres/DL)

Ações

Segundo a Prefeitura de Cubatão, existe uma programação regular de serviços, cobrindo todo o município, para que todos os próprios públicos passem por manutenção periódica, conforme as possibilidades da equipe alocada à Secretaria Municipal de Manutenção e Serviços Públicos. “As equipes das secretarias de Saúde e de Manutenção estão mantendo um canal de contato direto, por telefone e sem papel, para priorizar e agilizar a realização de serviços nos próprios públicos apontados pelas equipes de vistoria anti-dengue da Secretaria da Saúde”, comenta.

A Administração Municipal garante que a limpeza regular nos dois locais está prevista para esta semana. “Quanto à Praça Princesa Isabel, que foi reformada e entregue em 13 de dezembro de 2010, funcionava no local uma fonte luminosa, cujo equipamento foi roubado. Tanto neste caso como na entrada pela Avenida Henry Borden, a reforma será iniciada cerca de duas semanas após ser homologada a ata de registro de preços aberta no dia 8 de maio para esse tipo de serviço. A reposição do equipamento da fonte depende de uma outra licitação para a compra desse material”, garante.

Em Cubatão, as ações são, principalmente, voltadas à conscientização da comunidade, envolvendo as lideranças comunitárias e religiosas, diretores de escolas e responsáveis por programas sociais. “Cubatão possui amplas áreas de preservação ambiental, com manguezais e vegetação nativa, além de ser o município cortado por várias ferrovias e ferrovias, o que facilita a proliferação do mosquito e a transmissão da doença. Entretanto, graças a uma política de ações localizadas e bloqueios inteligentes, vem conseguindo manter reduzida a quantidade de pessoas infectadas. Essas ações localizadas se tornaram possíveis a partir do mapeamento dos locais de incidência da dengue e potenciais focos de proliferação, como depósitos ao ar livre, borracharia, terrenos baldios etc”.

Até o fechamento desta edição, 85 casos foram registrados na Cidade neste ano. “Vale recordar que, pelo cálculo baseado na população no Município, só ao serem atingidos 187 casos no ano é que será decretada a situação de epidemia da doença”. Os bairros mais atingidos são Jardim Caraguatá (25 casos), Vila Esperança (14), Vila dos Pescadores (6) e Jardim Costa e Silva (5).