Ponte não deve prejudicar aeroporto de Guarujá

Diretor da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, Eduardo Lustoza afirma que ponte invadirá espaço aéreo da Base

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11 JUN 2019Por Carlos Ratton07h00
Segundo Eduardo Lustoza, ponte vai interferir no aeroportoFoto: Nair Bueno/DL

A Prefeitura de Guarujá garante que o projeto da ponte sobre o canal do Estuário, que promete ligar as duas margens do Porto de Santos, não irá inviabilizar a implantação do Aeroporto Civil de Guarujá, conforme alerta o diretor da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, Eduardo Lustoza. Ele acredita que a ponte irá não só supostamente obstruir o calado do canal, como invadir o espaço aéreo do futuro aeródromo.

"O rito de análise referente à ponte foi realizado pelo Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo/ SRPV-SP, unidade da Força Aérea Brasileira, a qual realizou duas reuniões com a Prefeitura para garantir que a obra não traria qualquer prejuízo para o projeto do aeródromo", revelou a Administração Valter Suman (PSB).

Lustoza havia avisado o comandante da Base Aérea de Santos, tenente-coronel aviador Francisco José Formággio. A Aeronáutica foi procurada ontem, mas não se manifestou sobre a questão. "O local escolhido para implantar a ponte está dentro do cone de segurança à navegação e manobras do futuro aeroporto. O coronel Formággio me disse que não foi consultado e que não sabia que o mastro da futura ponte estaiada vai atingir 168 metros de altura. Então, além da atrapalhar a navegação marítima do maior porto da América Latina, a ponte vai atrapalhar a aérea", disse detalhadamente Lustoza, que defende a implantação de túnel submerso.

Efeitos negativos

O diretor revelou ainda outros efeitos negativos que a ponte - que está sendo reavaliada pelos governos Estadual e Federal, pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e pela Ecovias (responsável pelo estudo e execução da obra orçada em R$ 2,9 bilhões) - pode causar. Disse que não vai atender às demanda urbanísticas das travessias das balsas; ao fluxo de pedestres e ciclistas; terá custo superior ao túnel; somente duas pistas de rolagem contra três pistas do túnel e maior impacto ambiental e visual.

Além de tudo isso, "não apresenta melhor condição logística nem geográfica; as rampas de acesso trarão maior riscos ao trânsito de caminhões; uma proximidade insegura da Ilha do Barnabé e área de tancagem, que também será inibida", completa Lustoza.

Segundo o diretor, que fez um amplo estudo sobre a viabilidade de uma travessia seca entre as margens do porto, a ponte se tornará um enorme obstáculo operacional e econômico ao País. Nenhuma nação, hoje, opta por obstáculos aéreos. A proposta da Ecovias é uma ponte com 85 metros de vão de passagem, mas há plataformas de petróleo com 110 metros. Temos um cenário de desenvolvimento do pré-sal, nos próximos 10 anos, que será prejudicado", adianta Lustoza.

O diretor da Associação lembra que a Baixada já possui vários obstáculos de navegação que vêm impedindo seu desenvolvimento, como as pontes da Rodovia Anchieta, do Mar Pequeno, dos Barreiros, a Pênsil (que não pôde ser alteada) e outras. "Ao invés de descermos 20 metros debaixo d´água, por que vamos subir 85 metros e ainda ocupar sete quilômetros de uma margem a outra para minimizar os declives?", questiona, ressaltando que o túnel, mesmo tecnologicamente mais complexo, é a opção mais inteligente.

Expectativa

A Prefeitura deve revelar, esta semana, se adere ao plano idealizado pelo Governo do Estado para desestatização de aeroportos paulistas ou reafirma seu projeto municipal e lança a própria licitação do aeroporto.

Até setembro, uma empresa especializada entregará estudo para propor a melhor forma de operar o aeródromo, ainda sem prazo para decolar.

A Prefeitura já possui edital e estudo de viabilidade prontos. Iniciada a licitação, ainda haverá 100 dias para concluir o certame e assinar com o concessionário para o início das obras, com primeiros voos na próxima temporada de verão.

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