Polícia tentará calar Ba-baianas no domingo em São Vicente

Bloco carnavalesco tradicional que chega a reunir 90 mil foliões organiza desfile via rede social.

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07 FEV 201312h39

A Prefeitura de São Vicente poderá travar uma batalha inglória no próximo domingo de Carnaval. Embora a Administração Municipal seja a favor de desfiles carnavalescos, tentará inibir o desfile do mais tradicional bloco carnavalesco do Estado, o Ba-baianas sem tabuleiro, responsável pelo movimento de mais de 90 mil foliões.

Uma operação policial já foi montada. Além de um contingente significativo de policiais militares e civis, a Prefeitura irá colocar 65 guardas municipais, agentes de trânsito e quatro técnicos de som nas ruas para medir e multar quem arriscar colocar música na altura acima do permitido.

Nesta quarta-feira (7), em entrevista coletiva no Paço Municipal, a secretária de Comunicação da Prefeitura, Lara Seixas, acompanhada do diretor da Guarda Municipal (GM), Antônio Guimarães, se mostrou preocupada, principalmente com a campanha que já está sendo veiculada pela internet, estimulando a realização do desfile, mesmo impedido pela Justiça.

“Estamos sob liminar da Justiça que impede manifestação nas ruas. Nas redes sociais, há informações que o bloco vai sair de qualquer jeito. Neste sentido, vamos disponibilizar uma equipe para evitar ações de vandalismo e que a determinação judicial seja descumprida. Contamos com a conscientização da população, porque a situação pode ser complicada”, afirma.

Ba-baianas - É o maior bloco carnavalesco do Estado (Foto: Divulgação)

O diretor da GM, Antônio Guimarães, revelou que os excessos poderão ser enquadrados como crime de desobediência judicial. Nada que caracterize blocos ou escolas será permitido. “As pessoas poderão andar pelas ruas só que sem som e sem atrapalhar o trânsito. Até som de carros particulares serão fiscalizados, se estiverem acima de 80 decibéis”, explicou, enfatizando que os representantes do bloco serão responsabilizados.

O diretor disse que a Polícia Militar tem autoridade para abordar as pessoas. Ele revela que os pontos de concentração divulgados pelo bloco serão monitorados. “Quem quiser colaborar com o trabalho pode denunciar pelo telefone 199 (GM) e pelo 190 (PM)”, completa Lara, enfatizando que a Prefeitura é a favor das manifestações populares, mas não pode descumprir ordem judicial.

Vale salientar que a liminar expedida pela Justiça impede manifestação carnavalesca, cívica e comemorativa na cidade, nas avenidas Ayrton Senna, Padre Manoel da Nóbrega, Presidente Wilson, Linha Amarela ou qualquer via arterial ou de trânsito rápido.     

O desfile das escolas de samba e dos blocos que ocorreriam no Itararé foram cancelados porque a Prefeitura não conseguiu arrecadar os R$ 260 mil para o pagamento de cachês e montagem da estrutura. As agremiações também não conseguiram os documentos para participar do evento.

No dia 20, representantes da Prefeitura se reunirão com o Ministério Público para reverter os impedimentos, inclusive religiosos e esportivos em 2014.  Em 2012, as escolas se apresentaram em um sambódromo erguido à Av. Ayrton Senna da Silva, na divisa com Santos pela orla, o que causou quatro dias de congestionamento e culminou na ação pública que pediu a proibição de eventos na avenida e nas principais vias da Cidade.