Polêmica do patrocínio do Carnaval e Réveillon será levada à Câmara de Santos

Vereador Evaldo Stanislau (Rede) denunciará conflito de interesses entre ser prestador de serviços à Prefeitura e patrocinador de eventos em Santos

O vereador Evaldo Stanislau (Rede) promete utilizar o plenário da Câmara, assim que o Legislativo retornar os trabalhos, para denunciar o conflito de interesses entre ser prestador de serviços à Municipalidade e patrocinador de eventos em Santos, como a queima de fogos do Réveillon deste ano. Ontem, a Prefeitura de Santos reconheceu via imprensa, após pressão popular, que a empresa Terracom – responsável pela limpeza urbana de Santos – foi a benemérita do espetáculo na orla santista.

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A publicação em um jornal regional, em tom oficial, ocorreu em resposta aos questionamentos feitos pelo Diário do Litoral, nos últimos dias, já que Administração Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) estava se negando a revelar os patrocinadores. Também foi confirmado o que muitos santistas desconfiavam: quem bancou a maior parte da verba destinada ao Carnaval da Grande Rio foi a empresa portuária Libra, que também vinha sendo mantida em ‘segredo’ pelo chefe do Executivo.           

Segundo Stanislau, o ‘mistério’ vinha repercutindo entre os cidadãos de Santos. “Duas empresas com interesses na cidade, sendo a Libra alvo de graves denúncias sobre tráfico de influência compartilhadas, a partir do Estadão, em minha Linha do Tempo. Pode ser legal, do ponto de vista das leis, mas não é legal sob o ponto de vista moral e do evidente conflito de interesses existente. Abordarei, como já fiz antes, o tema na volta do recesso, quando teremos as sessões ordinárias na Câmara.

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O que incomoda, muito, é também a falta de transparência”, publicou o vereador em seu perfil no Facebook.

Sabe-se que o custo para a escola de samba Acadêmicos do Grande Rio decidir homenagear Santos no Carnaval 2016 com o enredo “Fui no Itororó beber água, não achei. Mas achei a bela Santos, e por ela me apaixonei” é de R$ 15 milhões. Porém, ainda continua em segredo quanto foi o custo da segunda maior queima de fogos do Brasil – a primeira é a do Rio de Janeiro.

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Ontem, a Reportagem fez vários questionamentos às duas empresas, principalmente qual o retorno de cada uma por terem desembolsado tamanho volume de dinheiro em tempos de crise. Nenhuma das duas prestou informações.

Por seu lado, a Prefeitura reafirmou que não patrocinou nem fez aporte financeiro para a Grande Rio. Com relação à queima de fogos, a informação foi apurada pelo jornal e confirmada pela Prefeitura.

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Leitores elogiam compromisso do DL

Também ontem, dezenas de pessoas se manifestaram pelas redes sociais em torno dos valores gastos pelas empresas e pelo, até então, segredo mantido pela Administração Paulo Alexandre Barbosa com relação à identidade dos patrocinadores. A maioria se queixou da falta de investimentos em serviços públicos e na Zona Noroeste. Os leitores do Diário do Litoral fizeram questão de enfatizar a atuação do jornal que sempre buscou transparência à questão.

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“Valeu Diário do Litoral, graças a vocês, o concorrente teve que se coçar aos questionamentos que agora são de toda a cidade. Agora sabemos quem custeou o show pirotécnico da queima de fogos do Ano Novo” – Osman Andrade (jornalista).

“Graças ao trabalho brilhante de pessoas como o jornalista Carlos Ratton é que certos prefeitos, que se acham donos de suas cidades, estão sendo desmascarados. O prefeito Paulo Barbosa parece estar vendendo Santos. Será que em outras cidades do litoral acontece o mesmo? Depois de tanta pressão do DL, a Prefeitura de Santos teve que entregar que a Terracom pagou a queima de fogos na cidade e que a Libra pagou R$ 15 milhões para a Escola de Samba do Rio de Janeiro ‘homenagear’ Santos. Com que interesse essas empresas fizeram isso? Será que tem mais prefeito ‘vendendo’ suas cidades?” – Grupo Praia Grande em Debate.

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“Quanta deselegância da Prefeitura responder ao Diário do Litoral por outro jornal. É asquerosa essa subserviência. Terracom pagou os fogos em Santos. E a Libra Terminais deu R$ 15 milhões para a Grande Rio. Tudo bonzinho e de graça. Não levaram nada em troca? Conte-me outra. A cidade precisa acordar. A mesma Terracom que ganhou a licitação para a reforma na entrada da cidade. E a Libra, que é suspeita de favorecimento em esquemas do Temer (vice-presidente) e do Cunha (presidente da Câmara). A transparência agora exige que divulguem os termos dessa benemerência toda. Por que pagaram? Como e quando se deram essas negociações? A quem pagaram? Quais os envolvidos nessas negociações? Quais os documentos oficializando essas transações? Qual a origem do dinheiro? Quais contrapartidas? Por que os patrocinadores quiseram permanecer ocultos? Por que a Prefeitura quis faturar como sendo feitos de sua gestão, sem mencionar claramente os patrocinadores? Com transparência tudo se resolve e se for tudo lícito, tudo bem” – Paulo Börnsen (jornalista e professor universitário).

“Gestão pública sem transparência e publicidade é extremamente temerária! Dois eventos públicos, de enorme visibilidade e que envolvem investimentos milionários, estranhamente feitos por empresas privadas, sem divulgação de suas marcas, nem para aproveitar a publicidade inerente ao investimento. Pior, a informação só veio a público após a matéria do DL, que insistiu na busca da verdade, mas de maneira ainda mais enigmática, na forma de uma “notinha” num outro jornal, concorrente. É muito preocupante tudo isso e expressa claramente a despreocupação com a publicidade e a transparência dos atos públicos. Merece uma investigação profunda da Câmara Municipal” – Valter Batista de Souza (professor).

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“Começaram a aparecer os ‘doadores’! O jornalista Carlos Ratton, do jornal Diário do Litoral, junto com a força das redes sociais, questionaram o segredo de doações milionárias para a cidade de Santos em eventos específicos. O pior está por vir! Algumas das empresas relacionadas têm dívidas com o governo!” – Victor Panchorra (Equipe Sobreviver em Santos).

“O segredo que o prefeito e equipe tentaram manter a sete chaves foi revelado. O Grupo Libra realmente bancou a modesta quantia de R$ 15 milhões para a Grande Rio, após demitir de mais de 300 funcionários alegando ‘falta de verba’. A Terracom não informou o valor, mas bancou a queima de fogos. Tive informações que o valor para a Grande Rio teria subido de R$ 15 milhões para R$ 20 milhões. Duas empresas ‘boazinhas’ de Santos já teriam bancado parte dessa diferença, uma ligada à construção civil e outra à coleta de lixo. Um terceiro colaborador ‘bonzinho’ teria recusado completar o que faltou. Grupo Libra, Terracom e demais empresários ‘bonzinhos’, aguardamos doações de mesmo valor para que obras municipais da área da Saúde possam ser concluídas. Idem para a Santa Casa de Santos” – Rui Del Trono (engenheiro).

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“Se não fosse o Jornal Diário do Litoral, com as reportagens do Carlos Ratton, tudo ficaria debaixo dos panos mesmo” – Orlando Augusto (advogado).