Pipoqueiro comemora 39 anos de carreira em Santos

O comerciante, hoje com 65 anos, saiu do Rio Grande do Norte aos 26, em busca de melhores oportunidades profissionais

Severino Ramos da Silva tinha 26 anos quando saiu do Rio Grande do Norte e veio em direção a Santos. Passou alguns dias entregando currículos, até que a sorte lhe sorriu ao passar pela Rua Ângelo Guerra, esquina com a Avenida Vicente de Carvalho, na orla santista. 

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“O moço que vendia pipoca aqui disse que estava cansado e queria passar o ponto. Aí me ofereceu e eu aceitei. Nunca mais saí”, conta feliz o comerciante.

A vida em Santos trouxe bons frutos para Severino, hoje com 65 anos. Casou-se e tempos depois, a esposa também investiu na carreira. “O dono do estacionamento onde eu guardava o carrinho ofereceu outro e a patroa pegou. Ela vende pipoca há 30 anos em frente à escola Stella Maris”. 

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O casal teve dois filhos, hoje funcionários públicos. Severino diz que, se pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo, só para mostrar o quanto gosta do que faz diariamente, das 17h às 23h, no verão, “pra fugir do sol”, explica; e das 15h às 21h, no inverno. 

A pontualidade lhe trouxe amigos, antes apenas clientes, e participação na vida dos jovens que passam por ali quando saem da escola e param para comprar pipoca. “Os bebês que conheci já são adultos hoje e trazem os filhos pra comprar comigo. É legal saber que faço parte da história dessas famílias”, diz o pipoqueiro. 

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Quando as vendas estão fracas, Severino espera lendo. Mas, o passatempo preferido é jogar dama. Tanto que, ao lado do carrinho há um tabuleiro adaptado e o parceiro Edvaldo Manoel da Paixão, que há dois anos sai de São Vicente para jogar com ele. Como a clientela é exigente, ele passou a oferecer também amendoim salgado, praliné, e coquinho, tudo feito na hora. O cheiro do preparo acaba perfumando a esquina, e talvez seja esse um dos segredos do sucesso de Severino.