Petrobrás afirma que derrame em Neuquén, na Argentina, foi contido

Avalanche que ocorreu no domingo (12) provocou a ruptura dos dutos enterrados a 1,5m de profundidade e provocou derramamento de produção bruta.

Comentar
Compartilhar
17 JAN 201314h31

A Petrobrás emitiu um comunicado nesta quinta-feira, na capital argentina, informando que na madrugada de domingo uma avalanche destruiu algumas barreiras de proteção existentes na área de Puesto Hernández, na província de Neuquén, na Patagônia, no sul do país.

A avalanche provocou a ruptura dos dutos enterrados a um metro e meio de profundidade, fato que provocou o derramamento de 64,7 metros cúbicos de produção bruta (a mistura de petróleo e água). Deste total, 2,65 metros cúbicos - equivalente a 16,7 barris - eram relativos a petróleo. Outros 160 metros cúbicos derramados por causa da ruptura dos canos provocados pela enxurrada correspondiam a água de uso industrial sem mistura de hidrocarbonetos.

Puesto Hernández está a 260 quilômetros ao noroeste da cidade de Neuquén, capital da província homônima.

Em Neuquén, o subsecretário de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ricardo Esquivel, afirmou na quarta-feira que o "incidente" teve "uma altíssima gravidade". Esquivel acusou a empresa de "falta de investimentos" e exigiu a aplicação "das mais rigorosas medidas jurídicas".

A Petrobrás retrucou hoje as acusações de Neuquén, afirmando que colocou em ação, de forma imediata, o plano de contingências e que iniciou os trabalhos de contenção e recuperação do petróleo derramado. "A situação está controlada", indicaram os porta-vozes da empresa.

No entanto, o representante do governo de Neuquén acusou a Petrobrás de não contar com encanamentos que cumpriam com "todas as disposições de segurança correspondentes", motivo pelo qual "sofreram a ruptura que provocou o derrame".

No entanto, a Petrobrás Argentina indica que "cumpre com a legislação ambiental e com os requisitos de prevenção e de segurança operacional. Todos os investimentos previstos com a província de Neuquén foram realizados".

O governo de Neuquén decidiu suspender, preventivamente, os sistemas de abastecimento de água para a agricultura e para o uso humano no município de Catriel. O município de 25 de Mayo, na vizinha província de La Pampa, também foi afetado pela suspensão do abastecimento.

Ao longo do último ano a Petrobrás, entre outras empresas petrolíferas, foi alvo de pressões por parte do governo de Neuquén, liderado por um aliado da presidente Cristina Kirchner

O governador Jorge Sapag e a Petrobrás têm uma relação tensa desde abril do ano passado. Na ocasião o governo provincial decretou o cancelamento de uma concessão que a empresa brasileira tinha em território neuquino e que somente caducaria em 2027.

Segundo as autoridades em Neuquén, a Petrobrás não estava fazendo os investimentos necessários. Na época, a empresa retrucou, afirmando que estava cumprindo o contrato. O caso chegou à Corte Suprema de Justiça, que anulou o decreto de Sapag, aumentando a irritação no governo neuquino.