Pesquisa com milhares de mães aponta profissões mais associadas a diagnósticos de autismo infantil; veja quais

Um estudo realizado na Dinamarca analisou o impacto da rotina profissional de milhares de mães e acendeu um alerta na comunidade científica ao cruzar o ambiente de trabalho de grávidas com as chances de diagnóstico de autismo nos filhos

Os pesquisadores deixam claro, contudo, que o trabalho da mãe não “causa” o autismo, visto que o TEA é uma condição complexa e multifatorial

Quando o teste de gravidez dá positivo, a rotina muda num piscar de olhos. Alimentação equilibrada, exames periódicos, atenção aos medicamentos, veto total ao álcool e ao cigarro, além de zelo pela qualidade do sono são cuidados essenciais durante a gestação.

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Mas, existe um fator crucial para a saúde do bebê que quase nunca entra na conversa do pré-natal: a profissão da mãe.

Um estudo realizado na Dinamarca analisou o impacto da rotina profissional de milhares de mães e acendeu um alerta na comunidade científica ao cruzar o ambiente de trabalho de grávidas com as chances de diagnóstico de autismo nos filhos.

A pesquisa foi publicada na revista científica Occupational & Environmental Medicine.

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Os pesquisadores deixam claro, contudo, que o trabalho da mãe não “causa” o autismo, visto que o TEA é uma condição complexa e multifatorial, amplamente influenciada pela genética, fatores ambientais e processos biológicos que ainda estão sob investigação.

Ainda assim, o estudo sugere que algumas exposições frequentes no ambiente profissional, como fumaça, solventes químicos, partículas de combustão e estresse intenso, podem influenciar o desenvolvimento do feto.

Quais profissões chamaram a atenção?

A pesquisa analisou os dados de mães de crianças nascidas entre 1973 e 2012 na Dinamarca, comparando 1.702 casos de crianças com TEA com mais de 108 mil crianças sem o diagnóstico.

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Durante a análise, os cientistas isolaram fatores que também poderiam influenciar o risco de autismo, como a idade materna, o tabagismo na gravidez, o histórico neuropsiquiátrico familiar e a condição socioeconômica.

Os resultados apontaram uma maior frequência de diagnósticos de TEA entre filhos de mulheres que atuavam em três áreas específicas: transporte terrestre, atividades militares e de defesa, e profissões ligadas ao sistema judicial e à administração pública.

Trabalhadoras do setor de transporte podem estar expostas constantemente à fumaça de motores, combustíveis e partículas liberadas pela combustão de veículos.

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Já nas atividades militares ou de defesa, os pesquisadores destacam o possível contato com metais pesados, solventes industriais, fumaça de motores e resíduos tóxicos gerados em treinamentos e operações.

No caso das profissões ligadas ao Judiciário, a hipótese principal envolve o estresse crônico e a pressão emocional contínua, fatores capazes de provocar alterações inflamatórias e hormonais durante a gestação.

O estudo identificou um aumento de 59% nas chances de diagnóstico de TEA em filhos de mulheres que trabalhavam nos setores militar ou jurídico. Já entre as profissionais do transporte terrestre, o aumento observado foi de 24%.

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O que isso muda na prática para as gestantes?

Especialistas afirmam que a pesquisa reforça uma discussão ainda pouco explorada na saúde materna: os riscos ocupacionais durante a gravidez.

Milhares de mulheres passam horas diariamente expostas a essas condições, porém elas acabam sendo encaradas apenas como uma parte normal do trabalho.

Por isso, médicos e especialistas recomendam que as gestantes conversem abertamente com seus obstetras e com as equipes de segurança do trabalho da empresa caso vivenciem essas exposições.

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A intenção dos pesquisadores é ampliar as medidas de proteção coletiva, melhorar as condições gerais de trabalho e identificar exposições potencialmente perigosas ainda no início do pré-natal.

Muitas mulheres não têm a liberdade de mudar de função durante a gravidez e dependem diretamente daquela atividade profissional para sustentar suas famílias.

Nem todas as profissões apresentaram associação

Os próprios cientistas ressaltam que os resultados precisam ser interpretados com bastante cautela, já que nem todas as ocupações avaliadas apresentaram uma associação consistente com o autismo.

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Áreas como agricultura, limpeza, transporte aéreo e processamento químico, por exemplo, perderam relevância estatística após os ajustes realizados pelos pesquisadores.

Além disso, por ser um estudo observacional, ele não consegue provar uma relação direta de causa e efeito.

Porém, cientistas ouvidos pelo Science Media Centre afirmaram que parte das associações pode ter ocorrido por mera coincidência estatística, destacando que algumas categorias analisadas contavam com um número muito reduzido de casos.

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A professora Rosa Hoekstra, do King’s College London, afirmou que as mulheres não devem evitar determinadas profissões por causa do estudo e reforçou que ainda não existem evidências definitivas ligando ocupações específicas ao desenvolvimento do TEA.

Poluição, estresse e químicos já eram investigados

Embora o novo estudo tenha chamado a atenção pelas profissões mapeadas, a investigação sobre fatores ambientais ligados ao autismo já existe há anos.

Pesquisas anteriores já haviam apontado associações entre o TEA e a exposição materna à poluição do ar, pesticidas, metais pesados, disruptores endócrinos e estresse gestacional agudo.

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Pesquisadores explicam que o desenvolvimento cerebral do bebê durante a gestação é extremamente sensível a alterações hormonais, inflamações e agentes tóxicos ambientais.

Ainda assim, a comunidade científica reforça que o autismo não possui uma causa única conhecida, sendo o resultado de uma combinação altamente complexa entre a predisposição genética e múltiplos fatores ambientais.