Pescadores devem receber compensações em Cubatão

Garantia foi dada pelo secretário de Meio Ambiente da Cidade, em reunião da Comissão Especial de Vereadores

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24 ABR 201510h53

Os pescadores de Cubatão, prejudicados pelo incêndio no terminal da Ultracargo, na Alemoa, em Santos, devem receber compensações na próxima semana. A garantia é do secretário municipal de Meio-Ambiente, Rafael Abreu.

Abreu falou sobre a situação durante a reunião da Comissão Especial de Vereadores (CEV), instalada na Câmara para discutir os desdobramentos do ocorrido. “Posicionamos as famílias que, no máximo, até semana que vem, teremos alguma forma de compensação, seja via Governo Federal ou por incentivo municipal”.

O secretário também espera algum tipo de compensação, por parte do Ministério da Pesca, em relação aos danos ambientais sofridos pela Cidade. “Estamos aguardando uma resposta do Ministério da Pesca para poder minimizar os efeitos e os impactos ambientais, com relação à mortandade de peixes no Município, para poder trazer algum tipo de auxílio”.

Rafael Abreu destacou a união entre as esferas do governo municipal para pressionar o Ministério Público. “Acho fundamental essa união entre os poderes para que a gente possa provocar o Ministério Público com a formalização de Termos de Ajuste de Conduta (TAC) para que isso seja revertido ao município como forma de compensação ambiental”.

Segundo o secretário, a Administração Municipal deve ter uma reunião com a Ultracargo para  tentar algum acordo, ainda que seja extrajudicial, antes da proposição de algum TAC.

Relatório tem 45 dias para ser concluído (Foto: Luiz Torres/DL)

Ausência de plano emergencial

Convidado a participar da reunião na CEV, o presidente Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e de Fertilizantes de Cubatão, Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá, Bertioga, Mongaguá e Itanhaém (Sindquim), Herbert Passos Filho, alertou para a falta de um plano de emergencial para situações como a enfrentada na Alemoa.

“É importante discutirmos o que não aconteceu. Falta um plano emergencial. A sociedade não está prevenida para o que está acontecendo ao lado. Nós estamos avisando as empresas e o Ciesp, há mais de 2 anos, que estamos em uma eminência de um grande acidente”, disse o sindicalista.

Passos Filho citou, como exemplo, o vazamento de dióxido de enxofre na empresa Anglo American, em Cubatão, em janeiro. Para ele, há mais dispositivos para preservar o patrimônio das empresas do que a vida humana. “Eles estão mais preocupados em preservar patrimônio do que pessoas. Nós não sabemos o que passa ao lado da gente. Tem um caminhão estacionado na frente da nossa casa e não sabemos o que tem dentro. Nós temos que saber o que tem na Alemoa, dentro da Ilha Barnabé, nas indústrias. Nós é que autorizamos, enquanto sociedade se pode ter ou não. Se esse risco é suficiente, se justifica a atividade econômica ou não”.

O sindicalista também disse que, para um grande acidente ocorrer, uma série de pequenos acidentes aconteceu antes. “Se o equipamento de segurança não funcionou, é porque as empresas não fizeram a manutenção correta. A responsabilidade tem que ficar bem clara”, falou o presidente do Sindquim.

Ultracargo

Segundo o presidente da CEV, o vereador Severino Tarcício da Silva, o Doda (PSB), representantes da Ultracargo e do Ministério da Pesca devem comparecer na próxima reunião da comissão.

Doda falou sobre o trabalho da CEV. “A comissão está preocupada. A população nos cobra porque foi um alarde muito grande. Foram 9 toneladas de peixes mortos, toda a fumaça, dias de trabalho, danos ambientais causados, ameaça de chuva ácida. Tudo isso deixou a população apreensiva. Nós estamos cobrando as autoridades e a principal envolvida, a Ultracargo, que nos passem informações, qual foi a causa, quais foram as consequências e o que estão fazendo para solucionar o problema e reparar os danos”.