Cotidiano

Pesca com botos no Sul do Brasil é reconhecida como patrimônio imaterial

A prática tradicional em que pescadores e cetáceos cooperam na captura de tainhas foi registrada pelo Iphan

Giovanna Camiotto

Publicado em 13/03/2026 às 16:23

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A pesca colaborativa entre pescadores artesanais e botos foi reconhecida como patrimônio cultural / Divulgação/Prefeitura de Laguna

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A pesca colaborativa entre pescadores artesanais e botos no litoral do Sul do Brasil foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A decisão foi tomada nesta semana durante a 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, instância responsável por analisar registros desse tipo no país.

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A prática ocorre principalmente em Laguna, município conhecido como Capital Nacional dos Botos Pescadores. Na cidade, a tradição já havia sido reconhecida como patrimônio cultural imaterial estadual pela Fundação Catarinense de Cultura em 2018.

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Com o novo registro nacional, a atividade foi inscrita no Livro dos Saberes do Iphan, que reúne práticas e conhecimentos transmitidos entre gerações e considerados parte do patrimônio cultural brasileiro.

Como funciona a pesca colaborativa

A cooperação ocorre principalmente durante a temporada de pesca da tainha, entre maio e julho. Os pescadores se posicionam nas margens de estuários e aguardam o comportamento dos botos para identificar o momento adequado de lançar as redes.

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Os animais ajudam a conduzir os cardumes até a região próxima aos pescadores. Quando o peixe está cercado, o boto costuma realizar movimentos específicos na água, como saltos ou mudanças bruscas de direção, que funcionam como um sinal para que os pescadores joguem as redes.

Apesar de parecer espontânea, a prática exige experiência. Os pescadores precisam interpretar corretamente o comportamento dos botos para saber quando a ação realmente indica o momento da captura.

Outro aspecto curioso é que os animais são conhecidos individualmente pelas comunidades locais. Muitos botos recebem nomes e são reconhecidos por características físicas ou comportamentos específicos durante a pesca.

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A pesca colaborativa com botos no litoral do Sul do Brasil foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial/Prefeitura de Laguna/ Divulgação
A pesca colaborativa com botos no litoral do Sul do Brasil foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial/Prefeitura de Laguna/ Divulgação
A decisão foi tomada nesta semana durante a 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural/Prefeitura de Laguna/ Divulgação
A decisão foi tomada nesta semana durante a 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural/Prefeitura de Laguna/ Divulgação
Os animais ajudam a conduzir os cardumes até a região próxima aos pescadores/Prefeitura de Laguna/ Divulgação
Os animais ajudam a conduzir os cardumes até a região próxima aos pescadores/Prefeitura de Laguna/ Divulgação
Apesar de parecer espontânea, a prática exige experiência/Prefeitura de Laguna/ Divulgação
Apesar de parecer espontânea, a prática exige experiência/Prefeitura de Laguna/ Divulgação
A pesca cooperativa entre humanos e botos ocorre em alguns sistemas estuarinos do Sul do Brasil/Prefeitura de Laguna/ Divulgação
A pesca cooperativa entre humanos e botos ocorre em alguns sistemas estuarinos do Sul do Brasil/Prefeitura de Laguna/ Divulgação

Onde ocorre a interação

A pesca cooperativa entre humanos e botos ocorre em alguns sistemas estuarinos do Sul do Brasil, áreas onde há encontro de águas doces e salgadas. Entre os principais locais estão a foz do Rio Tramandaí e o complexo lagunar próximo a Laguna.

A interação também pode ser observada, embora com menor frequência, nos estuários dos rios Rio Mampituba e Rio Araranguá.

Espécie ameaçada

Os animais que participam da pesca pertencem à espécie conhecida como boto-de-Lahille. Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza reclassificou o risco de extinção da espécie de “vulnerável” para “em perigo”.

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Estudos indicam que a população mundial desses botos gira em torno de 330 indivíduos, com grande parte concentrada no litoral sul do Brasil. O reconhecimento cultural da prática busca também chamar atenção para a preservação desse comportamento raro de cooperação entre seres humanos e animais selvagens.

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