Pequena cidade do interior acumula maior dívida proporcional do Brasil

Segundo dados do Tesouro Nacional, a cidade apresenta uma Dívida Consolidada Líquida (DCL) equivalente a 37.049,53% da sua Receita Corrente Líquida (RCL)

Nazaré lidera o ranking nacional de endividamento entre os municípios brasileiros

Nazaré lidera o ranking nacional de endividamento entre os municípios brasileiros | Reprodução

A cidade de Nazaré, localizada no interior do Tocantins, enfrenta uma situação fiscal crítica: ela lidera o ranking nacional de endividamento entre os municípios brasileiros, com um índice que impressiona até mesmo os técnicos mais experientes da área pública.

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Segundo dados do Tesouro Nacional, Nazaré apresenta uma Dívida Consolidada Líquida (DCL) equivalente a 37.049,53% da sua Receita Corrente Líquida (RCL). 

Em outras palavras, a dívida acumulada do município é mais de 370 vezes maior do que tudo o que arrecada, um cenário que desafia completamente os limites da responsabilidade fiscal estabelecidos pela legislação.

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Esse número coloca a cidade muito acima do teto máximo permitido de 120%, conforme estipulado por resolução do Senado Federal. Para efeito de comparação, índices superiores a 108% já são considerados situação de alerta, e acima de 120% configuram violação direta da norma.

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A situação foi revelada no Painel de Endividamento dos Entes Subnacionais, ferramenta que acompanha os limites fiscais de estados e municípios, com base nas informações enviadas ao Siconfi (Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro). 

O levantamento não considera registros com receita negativa, e casos sem dados de dívida assumem DCL igual a zero.

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Outras cidades

Além de Nazaré, outras cidades também apresentam altos percentuais, embora em menor escala. Entre elas estão Uruçuca (BA), com 466,91%; Ubaíataba (BA), com 376,67%; e Santarém Novo (PA), com 358,75%. Municípios como Ibiçuí (BA), Ipixuna do Pará (PA), Luís Antônio (SP) e Santa Terezinha de Goiás (GO) também ultrapassam os 200%, cenário que indica um endividamento muito acima da média aceitável.

Lei de Responsabilidade Fiscal

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) determina que, ao ultrapassar os limites de endividamento, os entes federativos ficam proibidos de contratar novas dívidas e precisam implantar planos de ajuste fiscal. 

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Isso significa cortes em gastos, contenção de investimentos e, muitas vezes, prejuízos diretos à qualidade dos serviços prestados à população.

Cidades que ultrapassam os limites legais de endividamento, como Nazaré, acabam enfrentando uma série de restrições fiscais. 

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Entre elas, está a proibição de contratar novos empréstimos e a necessidade de seguir medidas de ajuste que podem impactar diretamente a oferta de serviços públicos e os investimentos locais. 

Essas regras estão previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal e se aplicam sempre que os percentuais ultrapassam os limites definidos em resolução do Senado.